patrocinador

VONTADE, PACIÊNCIA E OLHOS NO FUTURO

VONTADE, PACIÊNCIA E OLHOS NO FUTURO!

Somente por meio da educação que o indivíduo encontra possibilidades de se tornar aberto ao outro e ao mundo em que vive. O espaço vivencial hodierno se desenvolve de tal forma que a pedagogia e o conhecimento precisam ser revitalizados com uma frequência diária.

A cidadania é norteada pelo engrandecimento moral de cada um dos indivíduos que compõe o povo, perseguindo a atualização do quadro de uma época em que a informação jorra num fluxo ininterrupto e é preciso estar em constante estado de alerta para se poder continuar a sustentar, com relativa dignidade, o grau moral de cidadão. Nesse panorama contemporâneo de contínuas transformações, as situações de ordem política, econômica e fiscal estão, invariavelmente, no núcleo de muitos debates que desfilam pela mídia local, mas que, porém, são pouco compreendidas e assimiladas por uma considerável parte de uma grande massa popular, que teve pouco ou nenhum acesso a informações competentes acerca de como o dinheiro dos impostos que paga são devidamente retornados na forma de bens e serviços.

As informações fiscais são normalmente veiculadas, porém, não com a devida clareza equivalente ao grau cultural da massa popular. Uma linguagem excessivamente técnica e rebuscada, faz a informação fiscal figurar ainda mais obscura e inacessível.

São muitos os beneficiários que anualmente têm acesso aos recursos dos programas de incentivo social, e sequer têm uma vaga idéia da significação social do benefício e da proveniência do recurso.

É realmente difícil tratar a moral e a política de uma forma independente, sobretudo numa realidade política que incorre em demasiadas falhas, por uma evidente escassez moral e pela banalização e impunidade referente a abusos que a cada momento são mais freqüentes na vida do cidadão. É preciso empreender uma profunda reflexão e investigar sobre os fatores que se colocam como uma barreira que separa o cidadão da sua felicidade como um ser social.

Somos todos orientados por um sistema político pouco saudável, encharcado num pântano de amoralidades e imoralidades, o qual dispensa tempo e recursos excessivos na tentativa de resgatar uma integridade que, escassas vezes, ilustrou sua história. Há um excesso assustador de CPI’s e investigações sobre sonegações, privilégios e superfaturamento de bens e serviços, às expensas da falta de realizações políticas concretas enfocadas no saneamento das necessidades mais básicas do cidadão.

Desde muito jovem, o cidadão adquire fragmentos na mídia que o faz formular uma imagem do político como um sujeito ocioso e corrupto e, ainda para piorar, muitas vezes trata-se daquele mesmo eleito pelos seus pais.

Daí surge a necessidade de engendrar uma reflexão de forma isenta, eficiente e eficaz iniciada, sobretudo, pelas bases educacionais, acerca das teorias, causas e efeitos que regulamentam a situação do sujeito em sua sociedade. A noção de cidadania, projetada a cada jovem, carece de uma reformulação nos seus fundamentos e na sua imagem.

É preciso buscar subsídios nas ciências humanas e sociais, acrescentando-se os temas regionais que influenciam a imagem local de cidadania. O jovem, antes de tudo, deve saber o que é , verdadeiramente, ser um cidadão, para adquirir a consciência de como funcionam as máquinas políticas e econômicas e identificar o seu grau de participação pessoal nesse processo. Dessa forma, poderá eleger seus representantes e contribuir com seu quinhão de forma mais segura, séria e com seu poder de cidadania estabelecido, ser um fiscal ativo dos processos políticos e econômicos.

O cidadão feliz e relativamente satisfeito somente pode ser pensado numa sociedade legítima, boa, adequada e estruturada em sólidos princípios educativos e culturais com um corpo político fundamentado na ética e da moral.

Não discutimos aqui formas adequadas ou não de governo e de gerenciamento de recursos e nem mesmo estabelecemos preferências por ideologias políticas. Um sistema realmente focado na justiça social e na execução da vontade geral já é o suficiente para se começar a adquirir confiabilidade.

Seja como cidadão ou governante, o homem precisa exercitar a aptidão a sacrificar parte de sua individualidade em favor do desenvolvimento social sem, contudo, haver a necessidade de alienação de sua liberdade individual. Trata-se de um princípio fundamental de uma sociedade saudável. Isso significa ser parte componente e ativa de um espírito social que permite a manutenção de uma convivência agradável e legítima salvaguardada pela preservação dos mais altos graus possíveis de liberdade pessoal e igualdade. Conforme Jean-Jacques Rousseau: “... se quereis que a vontade geral seja cumprida, fazei com que todas as vontades particulares a ela se conformem. E, como a virtude não passa da conformidade da vontade particular à geral, para dizer, numa palavra, a mesma coisa: fazei reinar a virtude.”

A ação do cidadão, na vida pública, não deve ser limitada, e sim procurar seguir as feições de uma educação livre e apta a construir homens formadores de opinião e cientes de seus direitos e deveres. Dessa forma, há uma clara delimitação da existência do ser social como indivíduo e como cidadão. Note-se que isso é algo impossível de ser concebido sem o concurso da educação. E esta, por sua vez, deve ter início desde os primeiros passos da vida educacional do futuro cidadão, fomentando, em princípio, o interesse do educando em temas regionais, pelo fato destes terem uma influência mais imediata e pragmática no cotidiano, além de propiciar um relacionamento mais estreito com sua terra.

Tomemos como exemplo a cidade onde moramos, na qual diariamente circula na mídia uma diversidade de notícias acerca da situação municipal. Quando acessamos as notícias, questionamos se terá o jovem cidadão uma real ciência do significado de termos bastante familiares, como orçamento, legislação, ou mesmo, será que sabem ao que se referem as siglas: IPTU, ISSQN, ICMS, PIB, BID? Será que conhecem a dinâmica de funcionamento da Câmara de Vereadores e como se procede o reajuste salarial dos parlamentares? Sabem quem é o prefeito atual da cidade, seu nome, seu partido? E quanto aos prefeitos anteriores? O que, no entanto, se percebe, é que é frequente que sequer reconheçam o significado de “impostos”, “isenções”, “tarifas”, “alvarás”, “dívida pública”, “repasses”.

Qual o real motivo da precariedade do sistema público de saúde, atrasos no pagamento dos salários do funcionalismo, falta de segurança nas escolas públicas? O que fazer para contornar? E a violência será oriunda do desemprego ou da falta de qualidade na educação? Teriam os jovens algumas respostas claras a estas questões? E o mais importante, sabem quem, como e quanto se paga por tudo isso? Têm ciência das alíquotas que incidem sobre os produtos e serviços que consomem?

São muitas questões que podem ser satisfeitas com poucas respostas. As escolas precisam disponibilizar esses esclarecimentos à comunidade estudantil. O jovem deve aprender a pensar como um ser social e bem informado, para que seja, no futuro, um cidadão interessado e participativo das questões sociais.

É bem verdade que quem usa os serviços públicos não está satisfeito com a falta de qualidade, e aqueles que o prestam também não, pois lamentam a falta de recursos. Aquele cidadão que contribui conscientemente com seus impostos certamente está menos satisfeito ainda, pois desembolsa uma quantia alta demais para a qual o retorno não é correspondente e satisfatório.

É preciso tomar, desde já, as providências que farão o futuro nos revelar cidadãos mais esclarecidos e engajados. Necessitamos aumentar muito o contingente de jovens com participação consciente e responsável nos processos sociais. Talvez seja esta a única forma de crescer socialmente e dissipar os problemas atuais. Trata-se de uma alternativa para, num prazo longo, diminuir o roubo, a violência, o tráfico de drogas, as corrupções, ativa e passiva, e promover uma arrecadação mais satisfatória de impostos e, sobretudo, resgatar a autoestima do cidadão. Que se comece desde agora.

Wasil Sacharuk