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Hoje eu quis salvar a pátria



Hoje eu quis salvar a pátria

Hoje rasguei o dia
querendo salvar a pátria

questionei motivos espúrios
a alta da taxa de juros
e a hipocrisia
desanimadora

desejei afastar a ditadura
dessa ignorância útil
com cara de libertadora
travesti de democracia

procurei poesia
supliquei pela cura
mas encontrei algo fútil
que abarca realidade
e amargura

cansei de buscar a verdade
por detrás desses lucros
e quis entender os corruptos

mas no fim perdi o escopo
voltei para a comodidade
e vou deixar de ser bobo

honrarei minha nacionalidade
assistindo novela da globo.

Wasil Sacharuk

Sem coração



Sem coração

Há quem diga
que ateus
são demônios 
sem coração

tal se amor
fosse monopólio 
de um deus
ou da religião

há quem pense
que heresia
é rumo da ovelha negra
ou da alma perdida 
sem salvação

e obedece as regras
para a falta de vida
que brota onde falta razão.

Wasil Sacharuk

Criatura Cabalística I

Conversei com Catilinas coisas concenentes conjuntura continental.
Catilinas comentou comigo como conseguiu conversar com criatura comandante continente chamado Carnaval.

Carnaval confere com campos consagrados, cujas criações conferem com criaturas com cabeça criativa. Carnaval comercializa com continentes centrais. Comandante Carnaval contente com comércio carnes, cabeças caprinas, carvão, combustível, cachaça, commodities, cetera,

Compete companheiro Catilinas conseguir comercializar centenas cabeças cavalo crioulo com Comandante Carnaval, conquanto Catilinas consiga convencer criatura com compra.

Conforme chegou casa comandante continental, Catilinas chamou criatura,
chefe criadagem, convocar Comandante comparecer centro casa com condição
concluir compra cabeças cavalos crioulos.

Comandante compareceu, Catilinas "caiu com cara chão" conforme conheceu comandante cara cara. Comandante com corpo curvilíneo cheio, com cabelos colados como capacete. Catilinas custou crer: Comandante Continente chamado Carnaval continha chereca!

Catilinas custou crer, contudo, concordou com condição conquanto continuou conversação.

Catilinas:

Como criatura consegue comandar continente com chereca centro coxas? Credo!

Comandante Carnaval:

Calado, criatura. Comandante conseguiu comprar cirurgia com cirurgião corporal. Cirurgião colocará cimento cirúrgico centro clitóris comandante continental criando coisa cabeçuda. Conforme cambiar clitóris com coisa cabeçuda, comandante cultivará cabelos cara como cavanhaque, Comandante camuflará círculos cheios corporais com cinta colante, copiará corte cabelo careca criatura Cara Cabeludo, comprará cuecas com coraçõezinhos coloridos. cetera. Comandante Carnaval compete conquistar coração concubinas.

Catilinas:

Cruzes!

Jason e a Fênix

Jason e a Fênix


Há uma condição meio “sexta-feita 13" de ser. Aquilo que volta ininterruptamente após uma sucessão de mortes iminentes.
Jason era um espécie de fênix do horror. Por mais que fugissem, ele voltava, voltava, voltava…

O tempo não é Jason se não volta. Nem as sextas-feiras são nostálgicas. Mas sempre voltam.

Há algo insano entre o passado e o dom de ressurgir das cinzas. Uma semente que lançada no futuro, e que, não obstante, brota hoje, de pirraça com o passado.

Wasil Sacharuk


“A fênix tem o dom de ressurgir das cinzes, mesmo porque, o fogo é mágico”
(Fogo Mágico – Dhenova)

Nestes prados longínquos


Nestes prados longínquos

Nestes prados 
que miras longínquos
amigo paisano,
eu já deitei meus achegos
dobrei os meus vincos
acolherei desenredos

logo se devo 
não nego

o porvir é tal pingo
ferrado nos pregos
se fez espírito amanonciado
se vai a la cria
deitando a crina no minuano
trotando vadio haragano
para descansar sobre os prados

quando se toca a vacaria
no compasso de cantoria
ou poesia das grotas
descreve o sul com amor
versos livres de pajador

já reservei a fatiota
e uma pilcha engomada
pois vá que na próxima invernada
o inferno reclame o gaudério

a morte não guarda mistério
mas leva rumo tramposo
que derruba e nunca dá pouso
vitória e nem refrigério

se xerenga ficar minha sina
decerto depois se ilumina
no clarão guasqueado
que acende o boleio riscado
do estalo das três marias

e mais dia menos dia
não rende segurar o tranco
se a morte desce o barranco
e vem declamar poesia.

Wasil Sacharuk

Imagem da minha vida

Imagem da minha vida


Vejo o rosto no espelho
quadro de traços inexatos
imagens que vêm sem medo
vida passada em fatos

Entre a história
e esquecidos momentos
apagou-se a memória
dos ingratos tormentos
já não mostra a idade
da minha eternidade

Quero escrever nova página
cobri-la de símbolos perfeitos
desenhos sem marcas ou sinas
poemas que tenho direito

Entre o reflexo
e o risco da ruga
o traço convexo
recôncavo da fuga
onde guardo o segredo
para sempre é cedo.


Dhenova e Wasil Sacharuk

Gororoba Nuclear

Gororoba Nuclear

Estamos com a dor de barriga. Sim, todos aqui de casa. E, ainda ontem, a velha carcaça acostumada aos maltratos das faltas e dos excessos, rejeitou um negócio de estranha textura e um gosto desagradavelmente inócuo de plástico que, por vezes, lembrava isopor. Mas com isopor já me habituei. Há quem diga que “isoporitos” com aromatizante de picanha são melhores que churrasco.

Estranho? Então me deixa te perguntar:

Já te rendesse ao encanto daquelas frutas que compraste no supermercado? Consegues resistir à big-maçã de papelão?

Mas, agora tenho um grande abacaxi para descascar: o que dar de comer às crianças? Bom, por enquanto, a prole vai garantindo a cidadania enganando as pobres solitárias.

Hoje, comprei uma lata de uma farinha de mingau que se mistura ao leite e, absorvida a gordura, realiza a mutação numa pasta gelatinosa de aspecto duvidoso. Há algo de futurístico nisso. Fiquei imaginando as crias caçando andróides pelo quintal.

Outro dia ouvi um líder espiritual dizer na TV que somos o que comemos. Fiquei imaginando minha vida se diluindo naquele mingau pardo. Porém, não admito ficar com aquela aparência de meleca inerte. Para obter uma coloração para disfarçar a palidez, eu poderia me misturar naqueles pozinhos cor-de-rosa de tingir leite.

Para dar consistência à gororoba nuclear, precisei comprar leite, mas para minha surpresa, só havia daquele em pó... Tal de leite desidratado cujo pacote continha os avisos: “dissolva em meio litro de água oxigenada”; “Use máscara de proteção” e, orgulhosamente, “sem adição de soda cáustica”.

Wasil Sacharuk

Ao mestre, as rimas pobres

Ao mestre, as rimas pobres

Professor
não basta riscar numa lousa
uma cousa qualquer
se gente que pensa não aceita
parvoíces ou frases feitas
tal o "ser ou não ser"

(desvendar nossos Shakespeares
não é nem faz a questão)

Derrame seu amor
abrace o seu ministério
desate o nó dos mistérios
que envolvem as artes e ofícios
faça da Ciência o exercício
pois aquele que não a entende
apenas poderá Crer

E sem o entrave da dor
desperte o prazer de aprender
e se leve o futuro a sério
garanta que esse mundo velho
tenha novo alvorecer
bem longe do precipício

(emburrecer esses dias
virou nosso vício)

E, por favor
retome desde o início:
não basta riscar numa lousa
uma cousa qualquer
se gente que pensa não aceita
viver somente à espreita
porém nunca saber

Mas, se o problema é o salário
pense no que vou dizer:
não faça o aluno de otário
pois isso não é esperto
e decerto
não vai resolver.

Wasil Sacharuk

VONTADE, PACIÊNCIA E OLHOS NO FUTURO

VONTADE, PACIÊNCIA E OLHOS NO FUTURO!

Somente por meio da educação que o indivíduo encontra possibilidades de se tornar aberto ao outro e ao mundo em que vive. O espaço vivencial hodierno se desenvolve de tal forma que a pedagogia e o conhecimento precisam ser revitalizados com uma frequência diária.

A cidadania é norteada pelo engrandecimento moral de cada um dos indivíduos que compõe o povo, perseguindo a atualização do quadro de uma época em que a informação jorra num fluxo ininterrupto e é preciso estar em constante estado de alerta para se poder continuar a sustentar, com relativa dignidade, o grau moral de cidadão. Nesse panorama contemporâneo de contínuas transformações, as situações de ordem política, econômica e fiscal estão, invariavelmente, no núcleo de muitos debates que desfilam pela mídia local, mas que, porém, são pouco compreendidas e assimiladas por uma considerável parte de uma grande massa popular, que teve pouco ou nenhum acesso a informações competentes acerca de como o dinheiro dos impostos que paga são devidamente retornados na forma de bens e serviços.

As informações fiscais são normalmente veiculadas, porém, não com a devida clareza equivalente ao grau cultural da massa popular. Uma linguagem excessivamente técnica e rebuscada, faz a informação fiscal figurar ainda mais obscura e inacessível.

São muitos os beneficiários que anualmente têm acesso aos recursos dos programas de incentivo social, e sequer têm uma vaga idéia da significação social do benefício e da proveniência do recurso.

É realmente difícil tratar a moral e a política de uma forma independente, sobretudo numa realidade política que incorre em demasiadas falhas, por uma evidente escassez moral e pela banalização e impunidade referente a abusos que a cada momento são mais freqüentes na vida do cidadão. É preciso empreender uma profunda reflexão e investigar sobre os fatores que se colocam como uma barreira que separa o cidadão da sua felicidade como um ser social.

Somos todos orientados por um sistema político pouco saudável, encharcado num pântano de amoralidades e imoralidades, o qual dispensa tempo e recursos excessivos na tentativa de resgatar uma integridade que, escassas vezes, ilustrou sua história. Há um excesso assustador de CPI’s e investigações sobre sonegações, privilégios e superfaturamento de bens e serviços, às expensas da falta de realizações políticas concretas enfocadas no saneamento das necessidades mais básicas do cidadão.

Desde muito jovem, o cidadão adquire fragmentos na mídia que o faz formular uma imagem do político como um sujeito ocioso e corrupto e, ainda para piorar, muitas vezes trata-se daquele mesmo eleito pelos seus pais.

Daí surge a necessidade de engendrar uma reflexão de forma isenta, eficiente e eficaz iniciada, sobretudo, pelas bases educacionais, acerca das teorias, causas e efeitos que regulamentam a situação do sujeito em sua sociedade. A noção de cidadania, projetada a cada jovem, carece de uma reformulação nos seus fundamentos e na sua imagem.

É preciso buscar subsídios nas ciências humanas e sociais, acrescentando-se os temas regionais que influenciam a imagem local de cidadania. O jovem, antes de tudo, deve saber o que é , verdadeiramente, ser um cidadão, para adquirir a consciência de como funcionam as máquinas políticas e econômicas e identificar o seu grau de participação pessoal nesse processo. Dessa forma, poderá eleger seus representantes e contribuir com seu quinhão de forma mais segura, séria e com seu poder de cidadania estabelecido, ser um fiscal ativo dos processos políticos e econômicos.

O cidadão feliz e relativamente satisfeito somente pode ser pensado numa sociedade legítima, boa, adequada e estruturada em sólidos princípios educativos e culturais com um corpo político fundamentado na ética e da moral.

Não discutimos aqui formas adequadas ou não de governo e de gerenciamento de recursos e nem mesmo estabelecemos preferências por ideologias políticas. Um sistema realmente focado na justiça social e na execução da vontade geral já é o suficiente para se começar a adquirir confiabilidade.

Seja como cidadão ou governante, o homem precisa exercitar a aptidão a sacrificar parte de sua individualidade em favor do desenvolvimento social sem, contudo, haver a necessidade de alienação de sua liberdade individual. Trata-se de um princípio fundamental de uma sociedade saudável. Isso significa ser parte componente e ativa de um espírito social que permite a manutenção de uma convivência agradável e legítima salvaguardada pela preservação dos mais altos graus possíveis de liberdade pessoal e igualdade. Conforme Jean-Jacques Rousseau: “... se quereis que a vontade geral seja cumprida, fazei com que todas as vontades particulares a ela se conformem. E, como a virtude não passa da conformidade da vontade particular à geral, para dizer, numa palavra, a mesma coisa: fazei reinar a virtude.”

A ação do cidadão, na vida pública, não deve ser limitada, e sim procurar seguir as feições de uma educação livre e apta a construir homens formadores de opinião e cientes de seus direitos e deveres. Dessa forma, há uma clara delimitação da existência do ser social como indivíduo e como cidadão. Note-se que isso é algo impossível de ser concebido sem o concurso da educação. E esta, por sua vez, deve ter início desde os primeiros passos da vida educacional do futuro cidadão, fomentando, em princípio, o interesse do educando em temas regionais, pelo fato destes terem uma influência mais imediata e pragmática no cotidiano, além de propiciar um relacionamento mais estreito com sua terra.

Tomemos como exemplo a cidade onde moramos, na qual diariamente circula na mídia uma diversidade de notícias acerca da situação municipal. Quando acessamos as notícias, questionamos se terá o jovem cidadão uma real ciência do significado de termos bastante familiares, como orçamento, legislação, ou mesmo, será que sabem ao que se referem as siglas: IPTU, ISSQN, ICMS, PIB, BID? Será que conhecem a dinâmica de funcionamento da Câmara de Vereadores e como se procede o reajuste salarial dos parlamentares? Sabem quem é o prefeito atual da cidade, seu nome, seu partido? E quanto aos prefeitos anteriores? O que, no entanto, se percebe, é que é frequente que sequer reconheçam o significado de “impostos”, “isenções”, “tarifas”, “alvarás”, “dívida pública”, “repasses”.

Qual o real motivo da precariedade do sistema público de saúde, atrasos no pagamento dos salários do funcionalismo, falta de segurança nas escolas públicas? O que fazer para contornar? E a violência será oriunda do desemprego ou da falta de qualidade na educação? Teriam os jovens algumas respostas claras a estas questões? E o mais importante, sabem quem, como e quanto se paga por tudo isso? Têm ciência das alíquotas que incidem sobre os produtos e serviços que consomem?

São muitas questões que podem ser satisfeitas com poucas respostas. As escolas precisam disponibilizar esses esclarecimentos à comunidade estudantil. O jovem deve aprender a pensar como um ser social e bem informado, para que seja, no futuro, um cidadão interessado e participativo das questões sociais.

É bem verdade que quem usa os serviços públicos não está satisfeito com a falta de qualidade, e aqueles que o prestam também não, pois lamentam a falta de recursos. Aquele cidadão que contribui conscientemente com seus impostos certamente está menos satisfeito ainda, pois desembolsa uma quantia alta demais para a qual o retorno não é correspondente e satisfatório.

É preciso tomar, desde já, as providências que farão o futuro nos revelar cidadãos mais esclarecidos e engajados. Necessitamos aumentar muito o contingente de jovens com participação consciente e responsável nos processos sociais. Talvez seja esta a única forma de crescer socialmente e dissipar os problemas atuais. Trata-se de uma alternativa para, num prazo longo, diminuir o roubo, a violência, o tráfico de drogas, as corrupções, ativa e passiva, e promover uma arrecadação mais satisfatória de impostos e, sobretudo, resgatar a autoestima do cidadão. Que se comece desde agora.

Wasil Sacharuk