Cercas

Cercas

Há cercas bem vestidas de trepadeiras
pólen cheiroso espargido pelo quintal
há cercas que não abrem suas porteiras
réstia de alho e ferradura contra o mal

Há cercas que se vislumbram altaneiras
cruz de bronze e túmulo branco de cal
há cercas que só abrem nas luas cheias
de queijo vinho e veneno de sexo fatal

Há cercas que prendem as estribeiras
embaralham o trote baixando ladeiras
que puxam o lombo e ainda cagam a pau

Há cercas que se arreganham inteiras
oferecem a mesa a cama e as cadeiras
e uma transa com beijo gemada e mingau.


Wasil Sacharuk

Inspiraturas