Quando a lagoa reclamou sua pérola


Quando a lagoa reclamou sua pérola

Debaixo daquela árvore 
passaram as águas
eram escuras e tantas 
se infiltraram por tudo
sumanta de açoite
invadiu nossa noite
num canto surdomudo

Debaixo daquela árvore
desfilaram os medos
lavados pela frieza 
deixaram fugir os segredos 
e histórias na correnteza

Debaixo daquela árvore 
depois de tudo passado
fui até lá outro dia
fiquei ali sentado
a escrever poesia 
do que havia sobrado

Debaixo daquela árvore 
vi passar tanto amor 
a força da superação 
das raízes fincadas 
o brio da reconstrução

E hoje
debaixo daquela árvore
miram a laguna de sol
os veranistas.

Wasil Sacharuk

Inspiraturas