E o resto é adeus

"E o resto é adeus"

Partiu como quem leva consigo a reta desconhecida do incerto.
Partiu, deixando-me em aberto, como a querer-me "depois"...
Partiu, deixando um, o que era "dois"!
Partiu sabendo de cor o caminho, que sua rota foi de idas e voltas...
Partiu, deixando no peito a tranca e a porta, sem (depois)!

Foi embora
levou meus pedaços
escritos nas horas
espargidas no espaço
arrancou para fora
levou parte de mim

E eu? -Ah, fiquei como quem perde o rumo
Acorrentada ao que ainda não me acostumo
Num peito cristão e ateu, que ora ama, ora desconfia...
E criei asas sem penas
E não voava, porque não queria!

Passei a ser covardia
o meu próprio problema
esqueci a poesia
que escrevi sem intento
consagrei cada momento
à penumbra do dia

Pouco de mim, em mim se moveu.
E eu fiquei, proibida de ir...
Sem os meus, nem os teus...
Perguntas, silêncios, sobras...
O resto, é adeus!

Ficou apenas o pó
a cobrir os eventos
cada minuto é mais lento
quando se vive só
com memórias ressentidas
que serão sempre tantas

Cansada de idas, magoada das voltas...
Do amor de presenças partidas, mais idas, que tidas...
-Voltas?- (re) voltas...Meu ser pereceu!
Das sobras, tudo me vinha
E da parte que ainda era minha
Angústia...E o resto é adeus!

Rosana Lazzar & Wasil Sacharuk

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