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Andei assombrando natais

Andei assombrando natais

Andei por aí
de cueiros pandos
engolindo santos
e outros seres abissais
assombrando natais
e outras fantasias

Andei por aí
inventando poesias
de passagens sombrias
onde não volto jamais
abandono venenos fatais
para acordar no outro dia.

Wasil Sacharuk


Vislumbre

Vislumbre

As mãos abriram a cela
busquei espaços
novos traços
novas esferas
a compreensão
de um novo código

Naveguei nas galeras
perdi o avião
voltei como pródigo
para apertar os laços
e não perder a razão
beijar o cimento do chão

As mãos rasgaram a mudeza
da timidez de versos rasos
vaguei infinitos parnasos
vales de letras belas
e jamais terei a certeza
de que saí da minha janela.

Wasil Sacharuk


E o resto é adeus

"E o resto é adeus"

Partiu como quem leva consigo a reta desconhecida do incerto.
Partiu, deixando-me em aberto, como a querer-me "depois"...
Partiu, deixando um, o que era "dois"!
Partiu sabendo de cor o caminho, que sua rota foi de idas e voltas...
Partiu, deixando no peito a tranca e a porta, sem (depois)!

Foi embora
levou meus pedaços
escritos nas horas
espargidas no espaço
arrancou para fora
levou parte de mim

E eu? -Ah, fiquei como quem perde o rumo
Acorrentada ao que ainda não me acostumo
Num peito cristão e ateu, que ora ama, ora desconfia...
E criei asas sem penas
E não voava, porque não queria!

Passei a ser covardia
o meu próprio problema
esqueci a poesia
que escrevi sem intento
consagrei cada momento
à penumbra do dia

Pouco de mim, em mim se moveu.
E eu fiquei, proibida de ir...
Sem os meus, nem os teus...
Perguntas, silêncios, sobras...
O resto, é adeus!

Ficou apenas o pó
a cobrir os eventos
cada minuto é mais lento
quando se vive só
com memórias ressentidas
que serão sempre tantas

Cansada de idas, magoada das voltas...
Do amor de presenças partidas, mais idas, que tidas...
-Voltas?- (re) voltas...Meu ser pereceu!
Das sobras, tudo me vinha
E da parte que ainda era minha
Angústia...E o resto é adeus!

Rosana Lazzar & Wasil Sacharuk

Calmaria, acróstico

Calmaria

Colibri, colibri
Anuncia profecias
Lânguidas e lerdas
Marásmicas poesias!
Avista um fim
Recônditos escuros
Incontáveis muros
Aproximados a mim.

Wasil Sacharuk

Poesia Coitada

Poesia Coitada

Moro no bloco de gelo
onde certa poesia
esteve tentando colher
vestígios de sol

Colheu nada
a poesia coitada
não esperou derreter
formar um vasto lençol

não foi por desmazelo
sequer vontade vazia
a colheita negada
à poesia coitada

antes do anoitecer
nalgum lugar do planeta
sempre forma arrebol
sobre planícies geladas

mas não consegue aquecer
as margens da enseada
naquele frio que sustenta
gotas cristalizadas.

Wasil Sacharuk

Sina de Estrada (wasil sacharuk)

Sina de Estrada

Tenho certos instantes
de cruel lucidez

quando escorre
essa insensatez
que sempre dissolve
meu conceito de tudo
em certeza de nada
e sumo por viadutos
a cumprir as mercês
dessa sina de estrada

percorro tanto chão
sem olhar estrelas

quando morre
o imo da beleza
eis que a vida resolve
me vagar pelo mundo
como alma penada
num abismo profundo
a remoer a aspereza
e essa fome danada

desentendo o levante
dessas ideologias

que implode
a alma das poesias
enquanto desfere
o veneno agudo
da conversa fiada
e num só segundo
suga toda a energia
que vem da tomada

conto que esse tempo
não seja arbitrário

só ele é que pode
andar ao contrário
e fazer pretérito
desse rumo escuro
desde vidas passadas
e subtrai os minutos
para o desaniversário
dessas favas contadas.

Wasil Sacharuk

Deixo meus disfarces (wasil sacharuk)




Deixo meus disfarces

Meus disfarces abandonados
traumas vícios pecados
hoje faço vigília na noite
e uso os meus artifícios
para o teu doce descanso

Sou remanso enluarado
dormes sem sacrifício
e fico bem ao teu lado
a zelar pelo sono
e uso os meus feitiços
para que tenhas proteção

Largo meus disfarces
entre nossas conversas
intercalados nos versos 
e nas linhas da face
que toco com os dedos
para descobrir
teus insanos segredos

Meu coração machucado
teme que sumas 
em qualquer titubeio
e fica acordado a pensar
o tempo inteiro
em merecer teu carinho
inundado de amor

Troco meus disfarces
por portas abertas
e algumas promessas
para o desenlace
dos teus enredos
e ver sucumbir
os teus medos

e também
os meus 

Deixo meus disfarces
bem junto aos teus
nas entrelinhas
das nossas palavras

(palavras que impregnam
eu sinto)

Wasil Sacharuk

www.wasilsacharuk.com

Meu Abraço

Meu abraço

eu quero muito te dar um abraço
também necessito da tua guarida
eu me vejo carente e abandonado
passei a viver num mundo quadrado

eu quero poder entrar na tua vida
também preciso apertar esse laço
encolher distâncias entre os espaços
dispensar as memórias doloridas

eu quero muito estar ao teu lado
também necessito ser consolado
soprar a aspereza das tuas feridas
fazer do meu colo o teu descanso

eu quero tanto andar no teu passo
também preciso encontrar a saída
quiçá construir um sonho dourado
e tentar fazer que ele seja de fato

eu quero te dar a canção mais bonita
também necessito acertar o compasso
suprir de carinho esse amor tão escasso
escrever poesia do que a alma dita.

Wasil Sacharuk

O Consolo dos Inocentes

O Consolo dos inocentes

O consolo dos inocentes
é o curso do tempo
caminhante lento
que cultiva as sementes
dos nossos juízos

Passa sem aviso
um passo indiferente
e sempre sedento
com seu golpe certeiro
e instinto justiceiro.

Wasil Sacharuk

Tu, que me confundes



Tu, que me confundes

Tu, que me confundes
tão articulosa
te fazes manhosa
somente para ter
aos teus pés
toda a minha fé
e o meu bem-querer

Tu, que me enganas
insinuante e formosa
te cobres de rosas
somente para ver
despencar o meu céu
sobre o papel
onde vou escrever.

Wasil Sacharuk

Caminho Estreito



Caminho Estreito

Não entendo os auspícios desse meu jeito
eu sou uma piada em matéria de amor
não sei se amor se define em conceitos
nem sequer se conceitos têm vida ou cor

Imagino que seja um caminho estreito
entre a cumplicidade e o esplendor
das asas abertas no voo perfeito
passeio rasante sobre ódio e rancor

Não sei do que o amor talvez seja feito
qualquer argumento é muito suspeito
mas toda a vivência tem o seu valor

Imagino que seja tanto rarefeito
não é predicado tampouco sujeito
se faz indelével tal qual o vapor.

Wasil Sacharuk

Em aberto


Em aberto

Deixo aqui alguns dos meus rabiscos,
são gotas e figuras espalhadas
pelos versos... pela estrada.

Quem encontrar deve costurar
com linhas de novo tempo,
com tempo de novos sons.

Nunca guardar os riscos,
nem os pingos pequenos...
tratá-los como se fossem cisco.

Preservar a essência das cenas,
pois ela é o emblema
descoberto com olhos reeducados.

Cada verso sucumbe ao tempo,
cada tempo tem novo argumento
e cada leitura traz novos fatos.

Juleni Andrade e Wasil Sacharuk

Súplica

SÚPLICA

Lavando o passado
em águas futuras
esqueço das juras
expostas no chão
visito seu sótão,
reviro armários
busco o itinerário
da inspiração

A sentença da verve
às penas mais duras
se nada mais serve
sentimento ou razão
eu suplico a cura
quando dói coração

Recorro à lua
em pleno meio-dia
o sol se ofende
me deixa no escuro
com um muro de páginas
um tanto vazias
e a mente repleta
de interrogações

E percorro as ruas
a buscar poesia
mas só notas espúrias
escritas nos muros
e minha vida vazia
sem beleza, sem canções.

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk

É a verve… (wasil sacharuk)




É a verve

Larguei minhas rimas
por um dia
para escrever prosa poética

A dita é mais imagética
não levo jeito para isso
um enguiço
e não me surpreende
não sou o Celso Mendes
mas isso não me abate
pois sou poeta
do tipo que liga
batatinha quando nasce
com tomate e alface
daí não dá briga
é só o enlace

Poeta que rima
tem a rima como guia
e a danada é que manda
na maldita poesia

Coisa de quem
considera o leitor
que sempre espera
algo além do chavão
de juntar amor com dor
coisa sem sabor

A tal prosa poética
favorece o fluxo
e também o refluxo
e incita
uma veia profética
meio descabida
patética e aflita

Talvez um dia
a poesia me deixe
como peixe fora d'água
e eu me abrace com a prosa

Mas de rosa não sei falar
nem de deus, carnaval
natal, papai noel e rei momo
o que digo não cabe no céu
e nem no mundo abissal

Não sou poeta do tipo
que escreve o que vive
ou que vive o que escreve
mas do tipo que junta
o arquivo e a verve

é a verve... é a verve.

Wasil Sacharuk

Destrambelhos Sensoriais



Destrambelhos Sensoriais

Imagem que envidra olho turvo
rasgado em tom agudo diamante
e quando cai a lua ouço os uivos
de versos assanhados mendicantes

así hay que tener cojones rojos
um traço de pegada emocionante
um rabo de cometa longo e duro
ou lordo de promessa faiscante

Espreito a branca lua no escuro
um anjo trombeiro bem impuro
com ancas circulares galopantes

Dedilho com desejo manicuro
serpente deslizando rabo curvo
gozástica candura dos amantes.

Wasil Sacharuk

A uma bela morena de sorriso de brisa

A uma bela morena de sorriso de brisa

quando não estás aqui
sinto tanto tua falta

já é noite alta
o minuano sopra largado
faz frio no quarto
me sinto abandonado

e por um instante
tentei fazer tudo diferente
não vou tomar leite quente
para um sono aconchegante

misturei uisque e refrigerante
e agora só sinto saudade
do teu sorriso de brisa.

Wasil Sacharuk

NOP - INSTRUÇÕES

NOP - INSTRUÇÕES

Nossa linha de poesia
Reune conselhos úteis
Traz amizade e alegria
E algumas coisas fúteis

Mantenha alguns versos
Longe do alcance de crianças
Alguns poetas são perversos
E outros perderam as esperanças

Uns escrevem por alforria
e outros por exercício
por motivo de melancolia
ociosidade ou vício

Mas estão todos imersos
no mar de letras e danças
é um universo intenso
gente que escreve e não cansa.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk