Pediste? Eu dou...

Pediste? Eu dou...

Pediste? Eu dou...
Descendo do salto alto
peço ao mestre o rumo
do verso vasto e falto
de inspirado resumo

Prolixa e exagerada
faço divã dos poemas
Leitores têm a empreitada
de socorrer minhas penas

Desço sempre, nunca subi
E ao mestre dou a prova
Poeta que sou, sou? Não vi
Tento aprender e levo sova

Sou um trovador diferente
Não canto nem declamo
Mas amo e escrevo pra gente
De repente é um repente que amo

Então, caríssimo mestre
Eu lhe apresento um poema
Quiçá seja algo que preste
Talvez até valha a pena

Pediste? Eu dou...
E clamo sua salvaguarda
Em prol dessa literatura
Não é artilharia pesada
Mas é poesia que cura.

Marisa Schmidt, André Fernandes e Wasil Sacharuk