Do tempo, o espectro

Do tempo, o espectro

Esse rosto que reflete no poço
não é moço, não é velho,
não é espelho desse reflexo,
são ruínas de um antigo castelo.

Esse corte que risca o rosto
não é lâmina, não é espelho,
não é reflexo desse espectro
é ruga da espera do sonho belo.

E o sonho fragmentado no espelho
reflete o espectro do rosto rugoso
do tempo do velho novo
de novo um tempo velho.

E o poço afoga o apelo
o castelo não é mais abrigo
a espera do tempo antigo
habita um tempo paralelo.

Aglaure Corrêa Martins e Wasil Sacharuk