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Onde jamais estive



Onde jamais estive 

A fome de escrever 
parece fardo leve 
mas arde e pesa 
e independe da gente 

Ânsia e vômito 
sentido na mente 
o poema indômito 
sai da lua crescente 

Para aprender a morrer 
qualquer poema serve 
vida que arde e retesa 
como arte eloquente 

A sede de viver 
mistura-se ao acaso do que se vive 
e cansa e exige 
em nome de tudo o que se sente 

A necessidade de ser 
expressão à janela 
faz da dor o querer 
arte insana mas bela 

Enquanto a verve estiver 
no lugar onde jamais estive 
sou mais um poeta que finge 
e não poderia ser diferente. 

Luciana Brandão Carreira, Dhênova & Wasil Sacharuk