Cânticos Secretos



Cânticos Secretos 

Entoais cânticos secretos 
em outro dialeto 
tendes mandrágora e arruda 
a dúvida e o arcano 

sacerdotisa desnuda 
de signo profano 

Sejais a consulente 
da leitura mágica 
sob a lua crescente 
a destinação trágica 
entre o interstício 
e o inevitável desígnio 

Não temeis a serpente 
guardiã iniciática 
espiral ascendente 
de magia prática 
o corpo é o artifício 
e a alma, o sacrifício. 

Wasil Sacharuk

Insights Fragmentados



Insights Fragmentados 

Fui ter com fantasmas
vasculhar outros planos
festins de entes humanos
entre confusos miasmas
num baile profano
entoavam retórica divina 

Eu era a frágil menina
coberta de rosas e branco
um signo de graça e encanto
e tinha a pureza genuína
da coroa de círculo e ramos
e a fome de enxofre e inferno 

Eu quis desvendar o mistério
levei minhas perguntas
nem sequer eram tantas
e exausta agora espero
o sinal, as respostas
o desígnio, o dote 

No corte violento da morte
clamei a presença de um deus
Elvis Presley, até Asmodeu
 até mesmo outra sorte
e ninguém respondeu
para aplacar o meu medo 

A sina esconde segredos
insights fragmentados
insanos juízos alados
escritores dos enredos
entre atos predestinados
e os que eu puder inventar. 

Wasil Sacharuk

Gato escaldado tem medo da água fria - acróstico

GATO ESCALDADO TEM MEDO DA ÁGUA FRIA - acróstico

Grunhir tal leão?
Ah, não adianta
Travado pela emoção
O gato não levanta

E todas as tentativas
Sucumbiram ao enredo
Concatenaram o medo
As crenças opressivas
Logo, foi um arremedo
Desculpas aflitivas
Assim, fugiu do intento
Dolorido de lamento
Obsessões imperativas

Traduzir o verbo que canta
E nas contas do fim do dia
Mais males que se espanta

Mas o bicho não quer poesia
E não quer ninguém ao seu lado
Duvide que gato escaldado
Oculta o temor da água fria

De um destino descabido
Assumiu que tem couro cozido

Anda, vivente
Gato velho desconfiado
Uma vida vivida de frente
Anuncia um futuro iluminado

Fugir da experiência
Raramente é inteligente
Indica a reminiscência
As lembranças da água quente

Wasil Sacharuk

Branca coberta de andrajos

"Grimm Fairy Tales" - Gregory - Gunderson - Ruffino


Branca coberta de andrajos 

Branca coberta de andrajos
a tez reluzente porcelana
disfarce de musa no parnaso
não era promessa soberana 

Branca mimava aos farrapos
desenbaraçadores das minas
a donzela cozia os trapos
atraia animais nas campinas 

Branca sequer foi princesa
seu algoz esqueceu a frieza
e pousou a faca na bainha 

Branca renegou a nobreza
entregou sua vida à pobreza
para ser uma eterna rainha. 

Wasil Sacharuk

Abismo dos Meus Vãos

Abismo dos Meus Vãos

Quando escrevi
naveguei no deserto
saltei no abismo
dos meus vãos

Não era o mesmo
uma singular emoção
não sei bem ao certo
nada eu vi ou ouvi

Um universo aberto
a um passo do fim
faiscava a esmo
na minha escuridão

Não teci futurismo
e nem advinhação
ou sequer retrocesso
para longe daqui

E estive do avesso
sei o quanto sofri
era meu cataclismo
outra reconversão

Saltei no abismo
dos meus vãos
para dizer em verso
tudo o que eu senti.

Wasil Sacharuk

Verbo Alado

Verbo Alado

Já temi dizer impropério
não queria ser esmagado
dessa sociedade, banido
sem escrúpulo ou motivo

Não pedi para ser perdoado
o que dói não pede remédio
minha fé não esconde mistério
o meu ministério é o pecado

Argumento incompreendido
seja tal raio ou lenitivo
decerto será relegado
a provável despautério

Para dizer se carece critério
tratar a ideia com cuidado
não se pode aparecer despido
nem tão sincero ou agressivo

Vejo felicidade ao meu lado
sem verdades ou assédio
o ateísmo é meu refrigério
meu deus é um verbo alado.

Wasil Sacharuk

Todo santo ajuda

Todo santo ajuda

Ah, desgraça
que para baixo
todo santo ajuda
resta tomar o rumo
direto ao cu do judas

Incerto que a passada
leve-me somente acima
lá onde perco minha rima
fica um tanto desengonçada
sem nenhum sentido ou prumo

E se acaso eu abrace essa sorte
eu creio que dessa feita eu escapo
assim eu despisto a pegada da morte
talvez ela me deixe ou então ela me siga
só de pensar eu sinto esse frio na barriga

Eu queria encontrar o rumo do meu oriente
para sair de vez do meu universo subversivo
mas eu não tenho sequer uma pequena certeza
daquilo que posso encontrar logo à minha frente
eis que a beleza é esse mistério de estar aqui, vivo.

Wasil Sacharuk

Brincadeira de Criança - acróstico



BRINCADEIRA DE CRIANÇA  - acróstico

Brinques tal criança
Rias, rias de tudo
Incentives a esperança
Não fiques parado, nem mudo
Contra a bicicleta, a queda
Acertes sempre no escudo
Derretas a lâmina da espada
Ensines o segredo do jogo
Invistas no tudo ou nada
Retornes o caminho de fogo
A tua criança preservada

Divertido?
É... podes crer que é

Crianças confiam no amigo
Riem e choram em ação
Inventam de levar consigo
As lembranças dessa emoção
Naquela hora que surge o perigo
Ç sem o rabo é um motivo
Amigo é igual a irmão.

Wasil Sacharuk

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Inspiraturas