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Cartas do Relicário I


Cartas do Relicário I

Cara Madame 

Decerto lembras do nosso último contato, na festa do lançamento do livro da arquiteta Luciana, quando me disseste que eu poderia te escrever quando me sentisse próximo a uma nova crise. Pois é assim que sucede. Fiquei com aquela imagem do teu vestido preto. Estavas bonita, quero dizer, ainda mais bonita. 

Ontem, depois do trabalho senti certa tonteira. O oxigênio era escasso enquanto minha cabeça rodava. Nem cogitei consultar o médico, pois sabes, esses mecenas só caneteariam outra receita de calmantes. Mas cheguei em casa, tomei outro comprimido e deitei imediatamente. A dor de cabeça foi amainando e consegui dormir, no entanto, sonhei novamente, isto é, sabe aquele sonho que te contei na festa? Pois é, aquele vulto ainda me persegue e, por fim, meu sonho foi um pesadelo. 

Saiba que escrevo a ti como uma tentativa de me auto-ajudar. Dessa vez, estou disposto a tentar com mais firmeza e, por isso, conto contigo.
Imagino cá como deves ser quando não estás numa festa. Pois as únicas duas vezes que te vi, casualmente, foram em festas. Estranha coincidência, não achas? Mas tenho certeza que não usas aquele vestido preto o tempo todo.

Muita paz para ti e um abraço

Celestial Dream

Wasil Sacharuk