Acaso parasse a chuva

fotografia: Diário Popular Pelotas


Acaso parasse a chuva

Se parasse a chuva danada
não tardaria nada
a esquecer o medo
e abrir a porta

as crianças levariam
os brinquedos
para o quintal

Não sei se penso bem
ou se penso mal
mas pouco importa
essa chuva trouxe tristeza
do tipo que corta
levou tanta vida
e tanta beleza

Nas hortas
lavouras e pastagens
um espectro da morte
e a sorte
veio na estiagem
o esforço frustrado
o cansaço e o arado

Acaso parasse
decerto eu passaria
a plantar existência

talvez vingar semente
que na impermanência
vai morrer pela gente
na chuva ou na negligência.

Wasil Sacharuk