Lisérgico

Lisérgico

Há algo de lisérgico nas imagens que eu vi
Caminhos malfadados e incompreensão

Vi as placas tectônicas de mim se separando
fugindo em alto mar

Na minha coluna vertebral
os discos se degladiam pelo mesmo espaço
enquanto apertam minha paciência

Fico imóvel e observo o movimento...
eu parado

Penso nos comprimidos
e na frieza da minha pele

Ouço o noticiário na tv
que desvela o futuro pálido

Minha projeção de futuro é algo caótico e árido
como nos filmes idiotas de madmax

Quantos terremotos e tsunamis
ainda terei de cumprir?

Minha vida fez uma hérnia
na rota das sinas para me imobilizar

Quando eu quero sair algo me tranca

Não é um deus e nem um demônio
Qualquer um desses seria bom demais para mim

É outra coisa...
um sentido de impossibilidade
que me impede de abrir as asas

E hoje o caos chegou na cidade sagrada
e consumiu parte da minha memória

E minha coluna contorcida
me empurra para o chão
bem lá no fundo
onde eu posso ver os restos
que tanta ignorância consumiu

Há algo de lisérgico nas imagens que eu vi.


Wasil Sacharuk