Antagonismo Poético

ANTAGONISMO POÉTICO

Um motivo liberado
Um livre encarcerado
Um altivo juvenado
Um jovem travado

Contraditória dança
travestida em poesia
desregula a balança
inverte os critérios
ilumina os mistérios
troca noite pelo dia

Um mentir desvendado
Um revelado encoberto
Um existir mortificado
Um amordaçado liberto

Antiguidade criança
fusos unindo versos
na soltura da trança
e a certeza antagônica
surda e supersônica
focam rumos diversos

Fez-se o versificado
Na catarse do clamor
Tecer-se enovelado
Na base do amor.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk

SEMPRE SUA - acróstico

SEMPRE SUA - acróstico

Sempre sua
Enluarada
Maria ou Morgana
Palavra nua
Recitada e rimada
Exaltada e profana

Se um dia a verve abusa
Um doce feitiço de musa
Anuncia nova poesia.

wasil sacharuk



Indiada

Indiada

Fui navegar num paraíso
em busca de um abrigo
para o discurso conciso
escrito em versos amigos

Foi armadilha
eu perdi a aposta
entre a estrada e a ilha
no caminho das flores
havia espinhos
clichezentos amores
e montanhas de bosta.

Wasil Sacharuk

Contigo é diferente

Contigo é diferente

Contigo é diferente
outro enfoque
e aquela pegada
quando vens pela frente
e  até mesmo que troques
eu me sinto amada

Contigo é mais quente
o teu corpo dá choque
amo a tua estocada
sinto brasa ardente
a delícia do toque
que me faz saciada.

Wasil Sacharuk

Lisérgico

Lisérgico

Há algo de lisérgico nas imagens que eu vi
Caminhos malfadados e incompreensão

Vi as placas tectônicas de mim se separando
fugindo em alto mar

Na minha coluna vertebral
os discos se degladiam pelo mesmo espaço
enquanto apertam minha paciência

Fico imóvel e observo o movimento...
eu parado

Penso nos comprimidos
e na frieza da minha pele

Ouço o noticiário na tv
que desvela o futuro pálido

Minha projeção de futuro é algo caótico e árido
como nos filmes idiotas de madmax

Quantos terremotos e tsunamis
ainda terei de cumprir?

Minha vida fez uma hérnia
na rota das sinas para me imobilizar

Quando eu quero sair algo me tranca

Não é um deus e nem um demônio
Qualquer um desses seria bom demais para mim

É outra coisa...
um sentido de impossibilidade
que me impede de abrir as asas

E hoje o caos chegou na cidade sagrada
e consumiu parte da minha memória

E minha coluna contorcida
me empurra para o chão
bem lá no fundo
onde eu posso ver os restos
que tanta ignorância consumiu

Há algo de lisérgico nas imagens que eu vi.


Wasil Sacharuk

A Minha Amiga Lu

A Minha Amiga Lu

Eu trouxe na paleta
aquelas cores bem vivas
para respingar no escudo
que te protege do mundo

Eu vim para te buscar
perambular por aí
pintar  o sete pelo ar
cruzar rabiscos no céu

Poderemos ser princesas
experimentar vestidos
os mais coloridos
da realeza

E se puderes sorrir
dará tudo certo
pois temos uma e outra
somos amigas
estaremos abraçadas

Hoje quero ser uma fada
para te dar um presente.

Wasil Sacharuk

Um Dedinho de Poesia

Um Dedinho de Poesia

Não vou fazer como Getúlio
Não vou fazer como Tancredo
Eles fizeram muito barulho
Mas se cagaram de medo
Para me derramar de orgulho
Só está faltando um dedo

Não sou Fernando
Não sou o Henrique
Eu vou entornando
No meu alambique
E já estou misturando
Caninha com uísque

Não vou fazer como Juscelino
Muito menos como Figueiredo
Não precisa bandeira nem hino
Nem milico acordando cedo
Para ganhar o império latino
Só está faltando um dedo

Não sou Sarney
Não sou Itamar
Sou apenas um rei
Que sabe amar
Nem precisa de lei
Se eu posso mandar.

Wasil Sacharuk

O Agente da Passiva

O Agente da Passiva

Se a poesia
fosse denotativa
quiçá entenderias
que quem está ativo
atrás do verbo transitivo
é o tal agente da passiva

Entre suas manias
pode ser um algoz
pode ser um messias
expresso ou omisso
doce ou atroz
mas não submisso

Enquanto houver um sujeito
figurando na frente
assim, meio sem jeito
ou, talvez, deslocado
sofrerá com a ação
do seu predicado.

Wasil Sacharuk

Transparência da Blusa

Transparência da Blusa

Talvez seja sacana
ou espertinho
esse desalinho
meu jeito sem freio
de olhar de cantinho
à procura do meio

Quando bem quer
ela sempre abusa
e eu fico vidrado
entre os fios da blusa
imagino o outro lado

Enredado na trama
da fronteira de linho
em cada furinho
centrado no entremeio
posso ver o biquinho
coroando o seio

Não consigo esconder
tonto atrapalhado
rendido ao encanto da musa
enquanto o olhar acusa
meu comportamento tarado!

Wasil Sacharuk

ESTA ROTINA URBANA

ESTA ROTINA URBANA

Amigo Decimar
entenda a questão
tu que estás a sonhar
a uns cinco pés pelo ar
com encantos de uma paixão

Não diga que sim
nem que não
e nem que ficaste sozinho
com as botas cheias de vinho
e o controle remoto na mão

Wasil, meu querido amigo
Estou aqui com meia no pé
Fazendo livro contigo
Editando para ver como é

Larguei de mão do controle
Fiz do teclado um abrigo
E o cpu no colo faz "calore
Suando minha calça de abrigo

Pelo que vi, sobre a labuta
Uma coisa de antemão já te digo
No cansaço da urbana luta
Também quero viver no tempo antigo

Me atirar num campo livre
Plantar em terra boa e enxuta
Talvez fazer o livro que não tive
Eis que na cidade tomarei cicuta
Assim como Sócrates em declive

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk

A Paz do Vazio

A Paz do Vazio

Houve dias em que fostes minha unica estrada
Meu unico caminho, minha verdade...
Houve dias em que tua voz era lei
E já nem sei, por onde andam tais dias

De nós quase não lembro mais nada
das nossas tardes no centro da cidade
perdi no tempo tudo o que a ti jurei
bem que tentei, mas não encontrei poesia

Os nossos versos soltos pelo vento
cartas de amor, amarelaram lentas
nem mesmo tormentas, existem mais

Nosso mundo foi tragado pelo tempo
Não há mais calor, nem nos dias quentes
ficamos indiferentes, encontramos a paz.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk

SAUDADES DE MIM

SAUDADES DE MIM - acróstico

Sabe, senti tanta saudade
Apesar de te ver todos os dias
Uma busca pela identidade
Dias de prosa outros de poesia
A tua face perdeu a sobriedade
Dos olhos só vejo o vermelho
E te vejo parado no espelho
Somando os ossos da idade

Duvidei te encontrar novamente
Esqueci velhas histórias da gente

Mas, vou te esperar, por fim
Invadir minhas noites de vigília
Marcar tua presença em mim.

Wasil Sacharuk

SUSTO NA FRIA FACE

SUSTO NA FRIA FACE - acróstico

Signo da serpente
Um espectro maldito
Sussurrava lamúrias
Tragédias no rito
Ou alianças espúrias

Nenhuma poesia
Aspereza fria

Faces da morte
Reminiscências
Infâmias e corte
Ausências

Falácias da sorte
A encruzilhada
Caminho sem norte
Estrada.

Wasil Sacharuk

Messias, um cidadão

Messias, um cidadão

Ele se dizia herói
não da capa azul
mas um tipo guerreiro
altaneiro
defensor da pátria do sul
mas, já era
escafedeu

Mostrou unhas de fera
esteve pronto para a guerra
jurou a bandeira
beijou sua cor
jurou defender o que é seu
daí, se pretendeu salvador
mas apenas morreu.

Wasil Sacharuk

Lida Ingrata

Lida Ingrata

Ingrata é a lida na cidade
já estou meio cheio dos ovos
Quero fugir dessa sociedade
Folgar em ambientes novos

Cansei de dar tantas voltas
Criei calo dentro das botas
E ainda sonho comer poesia

Ingrato é o dia que nasce
E a vida assim tão estreita
Quero fugir desse impasse
Cansei de estar na sarjeta

Preciso viver liberdade
Me achar em outro dia-a-dia
Comer e viver poesia...

Wasil Sacharuk & Michelle Portugal

SACHARUK - UM VIVENTE BAGUAL

SACHARUK - UM VIVENTE BAGUAL

Conheci um lobisomem
Meio poeta meio artista
Meio pai meio homem
Meio ateu meio humanista

Meio bruxo meio pessimista
Meio louco meio mago
Com poemas a perder de vista
Meio pouco meio sábio

Meio tudo meio anarquista
Meio ogro meio violinista
Meio mudo meio otimista
Meio lodo meio perfeccionista

Meio lúdico meio contista
Meio púdico meio sonetista
Meio sádico meio masoquista

Mas acima de tudo
Um completo amigo
Então eu o ajudo
A matear consigo

Enquanto ele lê meus versos
Em homenagem ao seu aniversário
Queria dizer que sou meio otário
Pois deixei passar um dia para meus manifestos

Parabéns Wasil Sacharuk

Decimar Biagini 05/11/2009

Poema a Sacharuk

Poema a Sacharuk

Tem gente que vê além, muito além...
Vê o vento soprando em vários tempos.
Vê com olhos abertos, mesmo fechados.
Vê, na pele, o nascer das flores de todos os campos.

Algumas pessoas inalam a vida...
Sentem o cheiro do sol poente.
Percebem o perfume das estrelas.
E, exalam os aromas de muitas canções.

Poucas pessoas saboream o que parece insípido...
Degustam a língua viva e comem a sua liquidez.
Apreciam uma receita nova de bolo de palavras.
Procuram especiarias pra codimentar as falas.

Raros indivíduos tateiam a luz no escuro...
Têm na pele a flor que desabrocha em versos.
Tocam a lira, com seus diversos tons e temas.
Emanam um calor de aconchego, em raras poesias.

Certos tipos, ouvem o som do peito cadenciado...
Escutam o mar preso nos olhos alegres e tristes.
Dá ouvidos ao silêncio de palavras poderosas.
Interpretam a canção escondida na mais branda estrofe.

Assim, é meu amigo...
É gente!
Vê além, com o olfato apurado.
É humanamente mago!
Saboreia a vida, com a pele de mágico.

È raro!
Ouve o brado de um poema calado.
Assim, é o poeta...
Atravessa o tempo e o espaço.

JULENI ANDRADE

Cutucâncias Num Balcão

Cutucâncias Num Balcão

Mão de verso é torta
desconjuntada corta
desmetrificadamente
como faca libertina

Um dia gritou um poema
daquele tipo que azucrina
indicou lugar do fonema
para hospedar a rima

Pé batido
no chão
contador
de nacos
da canção

Reinventada aritmética
desordem na escansão
o prumo perdeu a régua
e era escrava da métrica

Mão batuqueira frenética
cutucâncias num balcão
a paranóia sem trégua
sem competência dialética

Falecido
em caixão
por rigor
de um fraco
coração.

Wasil Sacharuk

Passagem

Passagem

Viajei a rota invisível
um dirigível a trezentos pés
sem fé e nem mesmo passagem
da planagem saí voando

Eu cruzei por nuvens chorando
e uma imensidão invencível
sensível à insensatez
sem defesa e sem vantagem

Fui crente na minha ancoragem
viagem de pássaro sem bando
migrando de um outro nível
um nível de cada vez

Mas desconheço os porquês
do que me fez romper a margem
vi uma imagem e ouvi um canto
conheci um recanto indescritível.

Wasil Sacharuk

Primeiro Poeta da Senda

Primeiro Poeta da Senda

Tu que me auferes maestria
Nessa confraria de magos
Trazes o signo da poesia
Solidárias rimas e tragos

Hoje, quando clareou o dia
Cevei com carinho o amargo
Tomei o primeiro à revelia
O outro foi teu sem embargo

E te digo, amigo querido
o que disse ontem à prenda
Que ao poeta nomeou cunhado

Por aqui tu és reconhecido
Como primeiro poeta da senda
E pai do soneto libertado.

Wasil Sacharuk

Minha Clausura

Minha Clausura

Minha clausura é esse desentendimento.
Essa falta de vácuo entre o que sou
e aquilo que sou.

A existência é tão árida... e tão ácida.
Mas existem flores, fadas, passarinhos
e outros insetos borboleteando em volta.

Talvez as coisas simples sejam assim,
simples.

E o que fazer de mim
salvaguardado em compreensão?

Wasil Sacharuk

Cumplicidade

Cumplicidade

Quero compor contigo um soneto
Que fale de carinho e amizade
Em que nós dois formemos um dueto
Em que haja afinação e afinidade

Vou deixar no primeiro quarteto
Marcas de uma doce cumplicidade
Como harmonia de branco e preto
E o amor que eleva a comunidade

Quero escrever contigo um soneto
E que em cada quadra ou terceto
O que é dor então vire sorriso

Vamos mostrar o que não é secreto
O poema amigo que corre direto
Com amor pelas veias do improviso.

Venus Poça e Wasil Sacharuk

A liberdade perdeu a cabeça

A liberdade perdeu a cabeça

A liberdade
perdeu a cabeça
esqueceu a verdade
perdeu a vergonha
o sentido e o intento

fica lá, parada
aguardando o momento
em que algo aconteça
mas não acontece nada
permanece ultrajada

Descabeçada
está mais insana
mais norteamericana
embutida
fast foodida

Assim, descabida
perde a noção da vida
para viver na futilidade
sem consciência
e sem vontade.

Wasil Sacharuk

A VISITA DOMINICAL AO POETA AMIGO

A VISITA DOMINICAL AO POETA AMIGO

A poesia na rede andava meio capenga
Sobrou muita prosa e faltou algum verso
Essa vida cobra o preço da pendenga
E o poeta se obriga a mudar de universo

Pois é "índio véio", andei muito longe
Sequer pousei por aqui nesses dias
Tem vezes que o poeta vira monge
Nem sempre a vida é feita de poesias

No mundo das letras anulamos o mal
Na conversa rimada a harmonia da mente
Pois o resultado é mais que virtual

Que este sonetiálogo dominical perdure
Como as visitas das tias de antigamente
E que nosso sonetiálogo amistoso nos cure.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
Maio de 2010

Fada Borboleta


Fada Borboleta

Queria não ser diferente
de uma virgem vestal
que nos tempos quentes
voasse tal borboleta
quando o dia arrebenta

Decerto eu pousaria
no colo da tua mão
sonhando com poesia
como bela adormecida
tanto mais atrevida

Logo, terias em mim
o poder da tua mente
jugo da tua guarida
farias, então, coloridas
as asas resplandescentes.

Wasil Sacharuk

Inspiraturas