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O Movimento

O Movimento

Eu suspiro
e olho por cima da gola
a esse movimento inaudito

As surdas passadas são célebres
ao esmagar as formigas do parque

E as pessoas olham, para mim
para cada animal

O movimento é infame
Eu busco resíduos
Revisito outras histórias
de assombração

Só vejo memórias diluídas
em símbolos incompreensíveis

Ainda não encontro o que procuro

E penso que não sou daqui
Nem dali
Nâo sou

Enquanto não sou eu vejo
Os postes e as grades
como molduras e telas

As pessoas olham e eu não sou paisagem

Até os animais

Pisar nas formigas é heresia
e, por isso, sigo.

O movimento leva.
Para onde eu já não sei, mas leva.

Tudo o que as pessoas fazem
entre roupas e alimentos
é olhar.


Wasil Sacharuk