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Ego Encarcerado

Ego Encarcerado

Um homem passional
é submisso animal
escravo de causas exteriores
e, por elas, governado

e quando nasce, afinal
é desplugado
desvinculado
é biológico
ilógico

mas o nascimento
é condição explícita
daí vem o condicionamento
o sofrimento
a educação
a morte psíquica

e na aura
a vida de cão
a falta de razão
da religião
do abandono
de noites sem sono
de autorrepressão
e a sensação
da separação
do quê, afinal?

expressões se misturam
amor e ódio
contradições revelam
a cegueira do ópio
e os egos hesitantes

afetividade marcante
áspera dependência afetiva
de paixões
e frustrações

e a dinâmica existencial
pouco capaz
que não pensa
que não age
que não subsiste
somente insiste

e os vícios?
são bons e são maus
são morais
sociais
para um ego encarcerado
as identificações
ostentações
lembranças
status
coisas, outras coisas
em meio às esperanças
idéias
e atos

o medo de não ter
o medo de perder
o segredo de tentar ser
e, realmente, não ser

e a psicossomatose
tece a teia do sofrimento
com os fios da depressão
da dor
e da destruição

o rompimento do cárcere
é ameaça
que aciona as defesas
com armas
de falsas certezas
e projéteis de crítica
aversão
ira
inversão

talvez alguém sente
no banco da praça
e converse com Sócrates

confesse o pecado
da vida pungente
sem autoconhecimento
contemplação do lamento

talvez entenda o recado
se reinvente
com comprometimento
e passo desinteressado.

Wasil Sacharuk
fevereiro 2010