Entre os anéis e as águas

Entre os anéis e as águas

O que faria um homem vir a morrer
No leito da poesia imerso em zelos
Em cada eu-lírico ser ou não ser
Jogado nas tramas dos seus desvelos

O que levaria um homem a percorrer
Caminhos que insiste em refazê-los
Esmerando palavras sem poder colher
Versos que dificilmente pode entendê-los

O copo, o vinho, e o pensamento soturno
A poesia insiste em fazê-lo ébrio
Imerso nas águas de qualquer Netuno

O corpo, o sangue, o silêncio noturno
A dose que insiste em mantê-lo sóbrio
O soneto, última esmola, anel de saturno

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
janeiro 2010

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