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As flores mantenho n'água

As flores mantenho n'água

Dos que me foram caros
sumidos ou consumidos
tal os prazeres raros
perecíveis como as flores
não foram mais que amores
todos perdidos
depois de usados

foram amores frustrados
dilacerados rendidos
sutilmente escravos
da alcova de horrores
não foram mais que invasores
pretensiosos perigos
fatalmente enganados

seduzidos e fascinados
foram heróis e bandidos
no íntimo apenas atores
canastrões amadores
parasitas nocivos
patrocínio
das subvenções e agrados

As flores mantenho n'água
só para vê-las murchar
em seu vaso de mágoa
catando a luz pelo ar.

Wasil Sacharuk

imagem: 

O Artesão das Letras

O Artesão das Letras

o artesão
das letras
tem um diapasão
de mutretas

ontem
ele moveu o agá
que estava calado
para antes do a
e ainda assim
nenhum chiado

trouxe de cá
levou para lá
deixou antes do a
logo depois do cê

para quê?
ouvir a água chiar...

agá no início
é sempre mudo
e talvez seja surdo

não iria escutar!

O artesão
das letras
quando toma chá
usa o cê, agá e a

wasil sacharuk

images

Pense o que quiser

Pense o que quiser

Um metro quadrado
quatro lajotas no chão
quatro pés
ensapatados
dois para cada lado
às vezes
entrecruzados

Rodopiaram apressados
duas duplas de saltos
dois baixos
dois altos
e bicos encaixados
no vão
entre sapatos
e o chão

movimentos sonorizados
por música de motel
espirais
para o céu
ou qualquer promessa
que aqueça
a festa

Por fim,
será sempre assim
quatro mãos
entrelaçadas
duas bocas coladas
a minha e a sua
num baile entre duas

E se contar, então
a maldita aflição
e a vergonha que passo
de ter cedido espaço...

ah!, pense o que quiser
dormi a noite no braço
de uma outra mulher.

Wasil Sacharuk

Fatias de Línguas, ato V

Fatias de Línguas, ato V

"Quando Helmut encontrou o rei"

Detalhes tão pequenos do cidadão
que num passinho estilo coxo
era um tipo meio ciborgue
com uma esquisita cabeleira
concomitante longa e parca

E o quitandeiro de plantão
que sabemos, não é nenhum frouxo
perguntou-lhe o porquê
daquela cara de bruxa faceira
enquanto apontava-lhe a faca

"Explique sua situação
pois nasci com o saco-roxo
e não estou à sua mercê
minha mãe foi quitandeira
mas a tua é uma vaca"

"Amigo, é tanta a emoção"
disse o vivente em tom xoxo
"eu explico para você:
sou rei da arte brasileira
sou cantor de música sacra."

Wasil Sacharuk
jeneiro 2010

Fatias de Línguas, ato IV

Fatias de Línguas, ato IV

Helmut nasceu colono gaúcho
e abateu o boi da cara preta
depois serviu a fritada do bucho
e pra jantar convidou o capeta...

Helmut! Helmut!
Hoje tem língua?

Tem, mas só de vaca
tá meio à mingua
mas dá pra vender no varejo
e se for seu desejo
eu passo a faca!

Também tem língua de sapo
que é boa picada com queijo
parecida com língua de trapo
com palavra presa no papo
pregada com percevejo.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Fatias de Línguas, ato III

Fatias de Línguas, ato III

Tem de tudo no Helmut
tiranossauro extinto
galinha, galo e pinto
e marfim de mamute

Helmut tem projeto
que acaba com a indecência
que acaba com insetos
elimina a imprudência

Cura a impotência
durante todas as vidas
e elimina a violência
para assistir as olimpíadas

Helmut vende vida em pedaços
para pregar a tristeza
um lindo martelo
porém cometeu erro crasso
de não afiar o cutelo

Esse negócio de cautela
não tem aqui no Helmut
aqui é sem choro e sem vela
é no cutelo na unha e no chute.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Fatias de Línguas, ato II

Fatias de Línguas, ato II

Helmut tem a letra orquidectomizada
para qualquer teclado maluco
Tudo se arruma e não falta nada
e faz funcionar hardware eunuco

Paga-se a Helmut
com moedas raras
O alemão quer o talento
prosa e verso são coisas caras
Não há prego para o papel
Fiado só no céu

Então, Filho da Lua
Eis a verdade mais crua:

Pague a Helmut à vista
ou vai encabeçar uma lista

Orquidectomia é um processo antigo
tão velho que já está caduco
de extirpar a genitália masculina

Cortavam os atributos do amigo
e faziam do homem um eunuco
invejoso da coisa equina

O cutelo de Helmut é um perigo
para ceifar o negócio do maluco
só para ver brincar de menina

Helmut entrega em domicílio
qualquer parte esquartejada
mas precisa de um auxílio
para levar sem perder nada.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Fatias de Línguas, ato I

Fatias de Línguas, ato I

Helmut, por favor, batatas...
para a salada
de mistérios
sorrateiros
como fantasmas
como crentes
arrastadores de correntes
e temperos
picantes, amargos

mas antes
quero uns tragos.

Wasil Sacharuk
maio 2009

O Grito da Ave Negra no Céu

O Grito da Ave Negra no Céu

Eu senti o tempo breve e inconstante
recolocar no dedo o anel de diamante
eu ouvi o grito da ave negra no céu
e um arrepio turvou o lago de mel

Eu vi o vento organizar nova vida
amanhecer mais cedo da noite perdida
eu bebi da fonte a cor da energia
e fui transportada ao colo da poesia

Eu fiz do agora a busca e a meta
pequei quando quis ter às avessas
Eu quis a cura e fui tola e incerta

Eu joguei na vida todas as promessas
tive o arco-íris quando estive quieta
eu achei amor no instante sem pressa.

Dhenova & Wasil Sacharuk
janeiro 2010

FÉRIAS DE VERÃO


FÉRIAS DE VERÃO - acróstico

Falo agora sobre umas férias de verão
Era em meados dos anos setenta
Rumamos para um distante acampamento.
Idéia maluca de gente sem noção
Alguns nem sonhavam o quão violentas
Seriam as cenas daquele intento.

Durante a primeira noite, na festa
Homens armados vieram da floresta

Voavam sobre nós como pássaros insanos
Escondiam-se na mata
Reinavam com ódio desumano
Alimentavam sua ira de vida ingrata
O grito dos mortos ecoou pelos anos.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

A Lei do Inconformismo

A Lei do Inconformismo

No verão,
o gelo chora
lágrimas quentes

traz a inundação
e aflora
ações mais urgentes

O sol queima
o vento
e conta o tempo
e teima...
teima
e faz a lei
do inconformismo

Só resta a oração
de última hora
dos sobreviventes

Quiçá uma explosão
de dentro para fora
salve toda essa gente

E cada qual existe
insiste
e compra o momento
o instrumento
o intento
como um rei
do consumismo.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Na entrada da quaresma

Na entrada da quaresma

Entregue às carnes fartas
antes da anual despedida
cumpre-se a regra quaresmal
da queda do amor material

Embriaguez em doses baratas
espirituosidade atrevida
após abertura papal
que libera a fome carnal

A quem se faz carne
carnaval
a festa aplaudida
a alma vendida

A quem se diz Baco
bacanal
a volúpia assistida
celebra o oco da vida

E Saturno
por seu turno
para variar
chegou atrasado
sambou no bloco errado
e logo
foi desmaiar
embriagado

E uma Vênus
sem mais nem menos
berrou um samba enredo
e para o deleite
sem culpa ou medo
as suas mamas sem leite
pularam do vestido
afinal, tudo é permitido

Na quarta-feira
há cinzas varridas
da grande fogueira
da redenção

Da folia faceira
de razões enrustidas
a orgia arteira
encontra o perdão.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Estanque

Estanque

Se o verbo proferido
impregnar o futuro
ganhará corpo fluídico
como vulto no escuro

Como o destino
já foi escrito
num rolo de papel

Não haverá hino
e nenhum rito
que sustente o céu

Se o devir circunscrito
for outro refluxo perdido
Não haverá novo espírito
mais humano e comprometido.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Quando fui pescar lambari

Quando fui pescar lambari

Andava absorto
desinspirado
meio morto
e deslocado

Daí resolvi
pescar lambari
assim
numa boa...
levei a maria
companhia pra mim
lambari daqui
é bicho à toa

Passei o dia
dando tapinhas
na água da lagoa
lambari tem mania
de curtir as ondinhas
e acham barulheira boa

Daí fiz barulho
e garanti a fritada
terminei meu bagulho
e peguei a estrada

Agora ando à revelia
de alma lavada
escrevi poesia
após comer a peixada.

Wasil Sacharuk



Quando acaba o desejo - acróstico

Quando acaba o desejo

Qual amor permanece desejo
Unificado nas sensações
A despeito dos sentimentos?
Ninguém sobrevive ao cortejo
Dinâmico das vãs emoções
Onde ambos se dizem isentos

Assim acaba a paixão
Concomitante com o engano
Alavanca a solidão
Busca motivos insanos
A causa da insatisfação

Ontem a noite era dos amantes

Dividiam confidências
Enquanto trocavam carinhos
Seus corpos de alma nua
Esgotavam carências
Juntos em torno do ninho
Ouvindo os sussurros da lua.

Wasil Sacharuk

Contracultura

Baixe aqui o e-book "Soneto Libertino"

Contracultura

O que esperar de um poeta
doce pai da eterna criação
um risco torto em linha reta
letra de vinho e verso de pão?

Um poeta oferta tão pouco
uma terra nascida de versos
o rabisco da pena de louco
o fiat lux de mil universos

E tudo o que um poeta faz
é rimar um tratado de paz
para sorver do poema a cura

E ninguém pode comer poesia
ou vender letras sem valia
onde lirismo é contracultura.

Wasil Sacharuk

Condomínio Celestial


Condomínio Celestial


Você está no fundo do poço?
Precisa saber a verdade?
Expulsar o maldito encosto?
E se apartar da maldade?

Quer ganhar muito dinheiro?
Talvez se tornar empresário?
Deixar de ser macumbeiro?
De ser tratado como otário?

Para se livrar do ai, ai, ai
Compre o fogo do monte sinai
e do tal Davi compre azeite

Para aumentar a sua paixão
adquira a rosa da purificação
e use-a em casa como enfeite.

Wasil Sacharuk

Musa Ausente - acróstico

Musa Ausente

Morreram meus versos mudos
Ultimatos desinspirados
Sucumbidos sem  escudo
As frouxuras dos nós desatados

A dialética sem companhia
Unica escuta, um único lado
Soprou as estrofes numa só via
Enquanto o sol nascia quadrado
Nenhuma verve gerou nova cria
Talvez o caderno seja rasgado
E eu não escreva mais poesia.

Wasil Sacharuk

Banquete

Banquete

Os córregos do destino
espargindo correntezas
boca aberta e desatino
confluindo a sua beleza

Lambendo gotas de vinho
e cobertura de sobremesa
os corpos em desalinho
na dança de língua acesa

os andrajos pelo caminho
uma repicada de espinho
quadril encaixado na mesa

Um perfume barato de pinho
desce nas pernas quentinho
no final é sempre surpresa.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Cumplicidade

Cumplicidade

Eu e o escuro
eu e a loucura
eu e o muro
eu e a cura
somos a rima

Eu e meu pé
eu e a sorte
eu e minha fé
eu e a morte
somos a sina

Eu e filosofia
eu e a canção
eu e poesia
eu e o refrão
somos arte

Eu e o segredo
eu e o mistério
eu e o medo
eu e o revertério
disparate

Eu sou
mim comigo mesmo
auto sou por si só
mas algumas manias
enriquecem meus dias
na bonança
e na dificuldade
e participam da dança
da cumplicidade.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Protagonista Distante

Protagonista Distante

Ergui meus sonhos
das tuas promessas
te fiz sentir meu veneno
minha atitude às avessas
me consumindo em paixão

Estive imersa na solidão
enquanto a vida passava
sem nenhuma pressa
queimada no fogo obsceno
assim eu estava...
e hoje esse fogo é ameno

Imprimi tua imagem
nas cenas dos romances
caçador de diamantes
protagonista distante
uma miragem...
nada além de um semblante

E jurei viver poesia
escrever um poema por dia
para ver se te esqueço
ou, senão, adormeço
e acordo na utopia.

Wasil Sacharuk


Gaita de boca

Gaita de boca

Quando eu era piazito
ganhei uma gaita de boca
do meu querido avô Wasil
na sua volta ao Brasil

Minha véia ficou louca
pois mais parecia um apito
oitava acima era um grito
oitava abaixo saia rouca

O meu cambicho cromático
num estojinho de plástico
ensinou-me o segredo da harmonia

E cada nota tocada
como saudade suspirada
hoje é rima na minha poesia.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Sonetiálogo

Sonetiálogo

Sonetiálogo é uma nova mania
então batizada pelo poeta Valle
soneto corre livre como poesia
falando da vida, rindo dos males

Iniciou com o sonetista Decimar
e este que vos fala num diálogo
a isto que o amigo veio a batizar
com o lindo nome de sonetiálogo

catorze versos falantes da vida
de poetas etílicos e musa atrevida
e cada rima é um abraço apertado

Regando a semente da amizade
rasgando as sedas da cordialidade
num improviso em tom inspirado.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

O NÚMERO - acróstico

O Número

O número é... 666

Na roda da sorte
Um número marca a sina
Misterioso signo do corte
Estratégia assassina
Recado oculto da morte
0u só matemática divina.

Wasil Sacharuk

ENTRE NUVEM E CHÃO

ENTRE NUVEM E CHÃO

Amar é só uma crença
uma busca de motivo
é remédio e esperança
que não seja paliativo

Suportar a desavença
Nem mostrar o instintivo
É intermédio é a crença
É a emoção e o motivo

Canto o amor no refrão
na letra de uma canção
palavras gritam saudade

Lembrança que mora perto
Reinvenção da realidade
Completude no deserto

Wasil Sacharuk e Decimar Biagini
janeiro 2010

DILEMA DE BAILE DE GALPÃO

DILEMA DE BAILE DE GALPÃO

Eu vivo apertando a alegria
Na guaiaca do meu sorriso
E passo dançando com a guria
Até fazer um buraco no piso

Fico com um olho sobre-aviso
E outro olho na preocupada tia
Vejo ela balançando o guiso
Enquanto com prenda me divertia

Ensaio o compasso de boa vaneira
Vejo candeeiro no olho da prenda
e caso com ela na segunda-feira

Ainda tem a gaita de botão do Adão
Quero ver se vendo para pagar o dote
Mas daí na festa não terá vaneirão nem xote

Wasil Sacharuk e Decimar Biagini
janeiro 2010

DIVINA BUSCA DE UM SONETO À DOIS



DIVINA BUSCA DE UM SONETO À DOIS

No ermo cipreste da noite
Que cria raízes misteriosas
Procurava companhia afoito
Lembrava de parcerias gloriosas

O verbo reclama o açoite
No afã de palavras carinhosas
Nos quartetos dividimos o oito
nos tercetos fechamos a prosa

Não sou humilde, tampouco mediano
Sei que dentre os reis, tu és soberano
Tua amizade sobre mim é a recompensa

Não sou modesto, só mais um insano
E reconheço o valor de um hermano
Quando escreve tanto quanto pensa.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Entre os anéis e as águas

Entre os anéis e as águas

O que faria um homem vir a morrer
No leito da poesia imerso em zelos
Em cada eu-lírico ser ou não ser
Jogado nas tramas dos seus desvelos

O que levaria um homem a percorrer
Caminhos que insiste em refazê-los
Esmerando palavras sem poder colher
Versos que dificilmente pode entendê-los

O copo, o vinho, e o pensamento soturno
A poesia insiste em fazê-lo ébrio
Imerso nas águas de qualquer Netuno

O corpo, o sangue, o silêncio noturno
A dose que insiste em mantê-lo sóbrio
O soneto, última esmola, anel de saturno

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Obelisco

Obelisco

Eu vi dissipar a agonia
o tempo engoliu a ansiedade
trouxe nos ventos a sobriedade
em reversos nus de poesia

Um encontro de rimas
o novo horizonte
a brisa amena
o sopro na fronte
artíficie de sinas
de outro reponte

Eu vi alterar a maresia
salvaguardada em outra colina
de alma lavada refiz-me menina
mergulho nas águas do novo dia

Restaurado o obelisco
reerguido da poeira
projetado num risco
de esperança faceira
começou num corisco
para a vida inteira.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

AS RAZÕES DO COOL

AS RAZÕES DO COOL

Decimar é sonetista nota mil
gaúcho de grande envergadura
Diga as razões a este poeta senil
Do cool entendido na tradução pura

Que isso meu amigo Wasil
Deixa de levar para frescura
Essa gíria americana no Brasil
Não é bem traduzida na literatura

Pelotas é famosa pela luta de espada
Não há mosqueteiro que me encante
Veja a quantidade da minha piazada

Por certo que tua cidade é afamada
Mas tu és homem que te garante
Pergunte isso à tua poetisa amada.

Wasil Sacharuk & Decimar Biagini
janeiro 2010

Soneto apontado para o cool

Soneto apontado para o cool

Aqui em Cruz Alta está chovendo canivete
Em breve chega o carnaval e ouvirei ivete
Ali na Princesa do sul, está um grande amigo
Uma pessoa muito "cool", a sonetar comigo

Mas essa história de "cool" tem ambiguidade
Fui olhar no dicionário e significa frescura
Como se não bastasse a fama da minha cidade
E quero ver quem escapa se a coisa fica dura

Quando nos leio, faço da amizade um abrigo
Sábado, soneto vespertino, muita coisa a partilhar
Um mate, soneto em desatino, a arte do versejar

A vida tem mais sentido frente a um soneto amigo
Numa conversa de poetas por um satélite no ar
Com um trago, um desafio e parceria para rimar.

Decimar Biagini & Wasil Sacharuk
janeiro 2010

ACABOU O TURFE O NEGÓCIO É SONETO

ACABOU O TURFE O NEGÓCIO É SONETO

Conversar com Wasil Sacharuk
É versejar em forma de completude
Obrigado pela tua improvisação
Pois o mais importante é a atitude

Decimar Biagini enseja o soneto
Rimar coisas da vida, amor e saúde
Um grande poeta aproveita o intento
Conversa de poeta atenua a vida rude

Já vi trovas poéticas e repentistas
Já ouvi doutores e declamadores
Mas ninguém é melhor que esse artista

Já li palavras proféticas e magistas
Desde escritores até comentadores
Nenhum supera meu amigo sonetista.

Decimar Biagini & Wasil Sacharuk
janeiro 2010

QUANDO O POETA CHEGA NAS CASAS

QUANDO O POETA CHEGA NAS CASAS

O soneto sempre faz algum barulho
Seja irônico, engraçado ou de amor
Nossa arte é expressão e não entulho
E o poeta é um parceiro inspirador

Nossa cria trouxe-me orgulho
Já vejo o olhar atento do leitor
Cada soneto é um novo mergulho
Tu és artista, poeta, pai e professor

Já perdi o momento de ser pop
Mas fico feliz se a vaidade entope
Por isso vou na carona do amigo doutor

És também propagandista da NOP
E tua maturidade não requer ibope
Mas é algo que merece todo clamor


Wasil Sacharuk & Decimar Biagini
janeiro 2010

SONETO LIVRE AO GLADIADOR ESCRAVO

SONETO LIVRE AO GLADIADOR ESCRAVO

Numa guerra comprada, o dedo positivo
Havia no coliseu a morte orquestrada
Teatro funéreo, luta sem qualquer motivo
A alma ridente, o sangue não era nada

Nada além de um parco caminho aflitivo
Como qualquer judeu com a vida abreviada
Um soberano prestava ao algoz o incentivo
Num novo ato mais uma morte era anunciada

A carne, o mártir, o herói desconhecido
Morre na vitória e liberta-se na derrota
Veneno lenitivo do espírito aguerrido

A dor é a arma contra um rei empedernido
De uma escória e seus prazeres idiotas
E a certeza de mais um certame concluído.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Remição dos Pecados

REMIÇÃO DOS PECADOS

Há rumores de nova era...
Será nova por inteiro?
Uma nova visão, quisera!
Ampliação da capacidade do celeiro!

Um fio tênue prende a esfera
Incertezas de novo janeiro
Uma nova dimensão, quem dera?!
Um paradigma verossímel e inteiro

Há profecias de fim dos tempos...
De tempo em tempo, surgem messias.
Uma catástrofe final, veremos?
Num basta, uma besta chegaria

Penitências são mais que lamentos,
nenhum desespero estorna os dias.
Na angústia do sopro dos ventos
arrependimento e nenhuma poesia.

Os espíritos mais decadentes
nos campos da vida largam sementes.

Eis, que o homem virou fera...
a salvação é sua quimera!

Juleni Andrade & Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Cataclismo

Cataclismo - acróstico

Caiu como silêncio, pesado
A cadência truncada em refrão
Tragédia num grito calado
As nuanças de fogo da inundação
Catástofre de magma lançado
Lavas colhidas de um vulcão
Incêndio do núcleo irado
Sinal de que perdeu a razão
Mundo que suplica desesperado
O início de uma reconstrução.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Soneto para ninar solitude

Soneto para ninar solitude

Rebenta o copo e no chão eu me deito
A alma da noite faz ninar a solitude
Cada soneto ébrio, sai de um jeito
Escriba sem rótulo em parceria rude

Apoiado na maravilha das tecnologias
O olho esquerdo pisca e o direito amiúde
Mais um traguinho em homenagem às gurias
Comprei doze latas lá no feste fúde

Às vezes, tristes e sós, atirados pela chinoca
Os viventes andam solitos, cheios de saúde
E cada esquina da internet, é uma nova biboca

Outras vezes penso que uma só vida é pouca
Precisaria mais vinte para chegar à completude
E a única certeza que essa vida é mesmo louca.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
janeiro 2010

TEU ROSTO NO ESPELHO

TEU ROSTO NO ESPELHO - acróstico

Tua taciturna imagem, pai
Emerge do espelho da minha alma
Uma mescla de vigor e de calma

Refração única de nossas faces
O reflexo confunde os sinais
Soma de traços tão ancestrais
Tradução sucessiva de enlaces
O vínculo entre filhos e pais

No teu doce abraço, meu amigo
O carinho tácito, nosso abrigo

Eis que hoje somos refletidos
Sou tua sombra e tua herança
Percebidas além dos sentidos
Entre a espera e a esperança
Logo, talvez sejamos um, pai
Holograma de elos perdidos
O espelho remete à lembrança.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010


O SONO E O SONETO EM DUETO

O SONO E O SONETO EM DUETO

Eu já estava, assim, tão cansado
Que até pensei em morrer amanhã
No calor tomei um trago gelado
Que me deixou com a mente sã

A mão sobe em que apoia o rosto
Enquanto uma vigia o copo solito
Lá pela nona bebida, nada tem gosto
Mas o soneto, este continua bonito

Eu só ouvia o ronco dos piazitos
E risos da minha prenda haragana
Tentando no xote dar uns passitos

Já eu aqui, fico em anseios e poesia
Arte pura e inimiga dos artifícios
Que o último terceto me alforria

Wasil Sacharuk e Decimar Biagini

A marcharré do sistema

A marcharré do sistema

Nas engrenagens
do nosso sistema
ela botou o pé
e qualquer vivente
ouviu seu grito

Foi um berro louco
mas não parecia aflito
como eco no oco
ou um simples apito
durou só um pouco
pretendeu o infinito

De picaretagens
armou o esquema
engatou marcharré
e com ar deprimente
tentou ser um mito

Ela levou o troco
perdida no delito
como olho no soco
cara cheia de pito
um poema bem choco
tentou fazer frito

De tolas personagens
nem lembravam Helena
só hipocrisia e fé
com ladainha carente
sem nenhum gabarito

Nem com muito reboco
fez o mundo bonito
seu olhar bocomoco
e seu mundo esquisito
o discurso mais tosco
sem enfoque erudito

wasil sacharuk

Terra de Ninguém




TERRA DE NINGUÉM

Paralelepípedos nas ladeiras
Os ratos a cochichar nos cantos
As moças coloridas e faceiras
Malandros, lá tem o seu encanto

Onde a cultura se faz baboseira
A indiferença entre riso e pranto
Toda a desgraça é só brincadeira
Miséria, doença e vela pro santo

O morro, subterfúgio de tudo
Crianças a brincar na lama
Estampidos a deixar-te surdo
Traficantes, ladrões e uma dama

Polícia é cega e o direito é mudo
Mulheres vendem a alma na cama
A sanidade é um mero absurdo
E a segurança faz parte da trama

Mais abaixo, vem a bela paisagem
Os carros na avenida principal
Motoristas se despistam da miragem
Celulares e buzinas num tom boçal

Jóias falsas, modelitos e maquiagem
Silicone, botox e o sorriso formal
Os assaltantes bloqueiam a passagem
No luxo e no medo o estado normal

As luzes se acendem no anoitecer
Fica 'inda mais difícil enxergar
O que não é belo finge-se não ver
Na terra de ninguém vais democratizar?

A trégua não vem junto ao amanhecer
O céu é incerteza e o inferno é o lar
Não é bom negócio subir ou descer
Em terra de ninguém o que queres mudar?

Dani Maiolo & Wasil Sacharuk

A Musa e o Portal

A Musa e o Portal

De fogo que cria a magia
das terras de ouro e jade
vestes que dançam ao vento
vão entre verbo e momento

Os versos elegem a divindade
relegada aos nós da poesia
nos grimórios e na alquimia
guarda segredos de criatividade

Nascida da terra e do tempo
com o sol encoberto no intento
benta no vinho da festividade
no hiato entre a noite e o dia

Cobriu de sementes a utopia
vingou solo seco da maldade
da dor a catarse em lamento
morte diluída em novo rebento

Ergueu colunas de insanidade
papoulas, narcisos e feitiçaria
portal esculpido na pedra fria
sustenta estrofes da sua verdade.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Por aí...

Por aí...

São tantos caminhos
São tantas estradas
são tantos espinhos
promessas cortadas

A busca
é alucinação
parceria
paixão
poesia
refrão
todavia
ou senão

São vitais
os cafunés da noite
a fé nos sinais
coragem ao açoite.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

SONETO INTERNAUTA - PELOTAS E CRUZ ALTA

SONETO INTERNAUTA - PELOTAS E CRUZ ALTA

Poeta, na Princesa do Sul estou felicíssimo
Acolherando poemas o verbo cumpre seu ofício
Degradê de belezas entre o mínimo e o máximo
Algo entre céu e inferno, alcova ou hospício

Daqui de Cruz Alta, comuna de Érico veríssimo
Inspiração não falta, imunda o léxico soneto vício
O poeta internauta, ganha novo mérito, é ilustríssimo
A improvisação incauta, recebe crédito, é artifício

Solta na rede, a poesia tem novos brados retumbantes
E firmo o facão na amizade com o amigo sonetista
Viajo faceiro no encanto desses poemas elegantes

Nessa arte de juntar Poetas de comunas distantes
Nasce a amizade que rompe a tradição bairrista
Em toda parte, abraçar de artistas, lapidar de diamantes.

Wasil Sacharuk & Decimar Biagini
janeiro 2010

De tão livre

De tão livre

Um sopro de vida
de tão livre
envergou os caules
dobrou as esquinas
perpetuou os males
pactuando com a sina

A vida é um estopim
tão rente
quando chega ao fim
é nova semente

De desastroso que é
e vontade atrevida
invadiu os quintais
frequentou os planetas
derrubou os cristais
concorreu com cometas

A vida vivida assim
tão somente
entre o não e o sim
livremente.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Reinventada da Saudade

Reinventada da Saudade

Poesia nostálgica e doce
suspiro de lenta cadência
tal um pêndulo ritmado
e dor no peito rasgado

Em angústia e carência
fosse o que fosse
saudade efervescência
de tudo o que fora lembrado

Da memória nada é riscado
o que dói é a urgência
como um compasso marcado
uma aquiescência

Nada é posto de lado
nenhum arquivo é calado
por mais que se esforce
pela sua solvência

Que se recrie em outra vivência
que se cultive um riso estampado
que se busque outra vez a essência
que se reinvente do passado.

Wasil Sacharuk
janeiro 2010

Quem peca não colabora

poetisa Dhenova
www.dhenova.com

Quem peca não colabora

A menina saiu apressada
fez do sabor a madrugada
esqueceu o horário, a saia
vai chegar em casa, com vaia

Ontem era miudinha
agora é mulherão
pulava amarelinha
e rolava no chão
hoje empina a bundinha
e exibe o peitão

A menina sente o frio no traseiro
tem as finas pernas bambas
esqueceu o anel no banheiro
vai levar a grande bronca...

Foi um lance divertido
valeu pagar a pena
seu amigo possuído
salivando toda a cena
e viu um outro despido
depois de uma centena

A mulher espera aflita
olha a rua e beija a medalha
sabe que vai chamá-la de puta
e a ele, velho infeliz, de canalha

"Virgem, Nossa Senhora"
ela diz, "onde foi que errei?"
prefiro que vá embora
do que ferir nossa lei
quem peca não colabora
com a vontade do Cristo-rei.

Dhenova & Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Busquei o centro - acróstico

Busquei o centro

Bebi o veneno do tempo
Ultrajei as regras
Sacrifiquei o sentimento
Que se libertou da entrega
Ungi a vida em lamento
Evoquei a quem se nega
Inverti o sentido do vento...

Outra versão da mesma história:

Comi as cores da terra
Emergi vivo da guerra
Na minha paz de bandeira
Toquei a sina estradeira
Reencontro rumo ao centro
Onde oscilam meus ventos.

Wasil Sacharuk

Soneto ao Amigo Sonetista

Soneto ao Amigo Sonetista

Meu querido amigo poeta sonetista
meu pago não goza de opulência
mas para matear com tal artista
escancaro a porteira da querência

De certo escreveríamos um livro
para registrar as nossas parcerias
e nem precisa passar pelo crivo
o improviso das nossas poesias

Falaremos das coisas do mundo
desse sistema sórdido imundo
não deixaremos de lado a emoção

Ao calor da costela na brasa
com o guaipeca na volta da casa
tomaremos caña e chimarrão.


Wasil Sacharuk
dezembro 2009

À Poetisa Andrea Lucia

À Poetisa Andrea Lucia

É certo que senti tua ausência
mas meu sumiço não é retaliação
pois ando envolvido na ciência
para garantir o leite e o pão

Fico vaidoso com o seu elogio
a viagem dos versos é um prazer
escrevo poesia noites a fio
imagino a reação de quem vai ler

De certo não falta inspiração
se escrevo bem não há certeza
a musa é foco da minha atenção
os pequenos garantem cor e beleza

Então se gostas da minha poesia
eu te confesso, querida amiga
a tua poesia possui aquela magia
que me encanta, inspira e instiga.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

MÁGICA POESIA - acróstico

Mágica Poesia

Mostre, poeta, a alquimia
A receita do doce encanto
Grimórios, rezas, revelações,
Irradiações de feitiçaria...
Coloque sobre seu manto
As suas cruzes e orações

Plasme, poeta, a energia
Ouse adentrar os recantos
Entre enredos e abstrações
Seus sonhos e bruxarias
Ilusões, utopias e prantos
Amalgamados na criação.

Wasil Sacharuk