Versos e Rimas - acróstico

Versos e Rimas

Valei-me o verso
Esquartejando a rima
Revelador intenso
Sonoridade e clima
O poema é pretenso
Sombra de obra-prima

Enquanto a musa passeia...

Rimei dor com amor
Imaginei a sofreguidão
Mas não encontrei a cor
A maldita desinspiração...
Sei, não sou escritor.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Limerick express X

Limerick express X

O bigodão nepotista
da academia de letras
é só mais um vigarista
um campeão das mutretas
Que sujeito mais besta!

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

O Grito da Creusa

O Grito da Creusa

Pergunta ao delegado:
bofe, qual foi o babado?

Sabe, guria
o bofe deu maior bafão
o bofe deu a Elza
e deu no que deu
só se ouvia o grito da creusa

Era uma barbie de academia
loura de farmácia
e vivia na muvuca das bolachas

Quando abordei o elemento
já fui dizendo:
tô afim de aquendar o ocó...

Cadê a taba?
Cadê o Paulo Otávio?

E sabes que o bofe deu carão?
Se deu carão
na minha presença
só me resta
enquadrar o indivíduo

Taquei as algemas nele
e disse que o colocaria numa cela
junto com aquele tavlon carimbado

ele vai se foder...

Ai, ai, ai, delegado
arrasou!!! não, não...
abalou!!!


É isso, guria
Se não quer
tem quem queira
então fico com meu demônio
que mais parece um ebó...

ao menos o bofe dá no couro

Ai, tô loka...
essa vida tá um uzê
e muito me admira que
enquanto conto
tu ficas aí... zalene.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Sentimento Improvisado

Sentimento Improvisado

Só nos resta a rendição
ao sentimento relatado
o poeta grita com a mão
nas batidas do teclado

Soneto que porta emoção
poema de encanto rimado
a vida é uma contradição
não há o que ser explicado

A arte explode quartetos
rasga o verso em tercetos
a cria é soneto iluminado

O verbo expande o soneto
não é diagrama de Pareto
é só sentimento improvisado.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Dança e duelo tal a esgrima


Dança e duelo tal a esgrima

Vinguei demônios do conhecimento
em silogismo traduzido em poesia
vendi minha alma de graça à mania
rimas obscuras sobre um argumento

Diluí meus hormônios em lamento
em um verbo firmado na feitiçaria
acusado de líder antidemocracia
com falácias, fofocas e excremento

Um poeta precisa fazer sua parte
dizer o que quer em forma de arte
em dança e duelo tal a esgrima

Um poeta precisa esculpir a beleza
no trato amável à Língua Portuguesa
e trazer mais do que verbos na rima.

Wasil Sacharuk

AO SOM DO TANGO

AO SOM DE UM TANGO

Afastadas todas as mesas
O lugar se encheu de certezas...

Saíram todos os parceiros
O barman cochilou no banheiro
Mas dança ganhou a leveza

Dançamos entre cadeiras
"El día que me quieras"

Um disparo fez eco no salão
Morta, estavas caída ao chão

Belo estava o teu semblante
O olhar de quem parte feliz
Lindo brilho de diamante
E o contorno de giz
Resolvi viver bem distante
Onde ninguém me torce o nariz.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Soneto da Saudade Hermana

Soneto da Saudade Hermana

Querido poeta de Cruz Alta
como resposta eu te ofereço
a confissão de que fazes falta
nossa amizade não tem preço

O nosso baile sem tua presença
é como guasca solito na vaneira
a minha arte sente a diferença
falta o gosto de poesia caseira

Todo santo dia escrevo um poema
e publico enquadrado no esquema
encontro no amigo a leitura ideal

Enquanto o amigo revia conceitos
senti a saudade roncando no peito
o churrasco na brasa assava sem sal.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Ainda balança mas não cai

Ainda balança mas não cai

E nesse tempo tão cristão
mais um ano que se vai
então recomeça o calendário

A cueca amarela no armário
ainda balança mas não cai
num lindo saquinho de algodão

Não se fez nem se faz revolução
só ficamos naquele ai, ai, ai
e eu não vou ser retardatário

Sou bom consumista e usuário
no ano que entra ano que sai
vou fazer dupla comemoração.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

EU NÃO QUERO SABER - acróstico

Eu não quero saber

Encontro no caminho
Um galho repleto de espinhos

Não! Só quero a rosa!
Assim não vivo sozinho
Oscilante entre o verso e a prosa...

Quero uma paisagem
Um vislumbre da minha janela
Empreender a viagem
Rosa, quem cuidará dela?
Outro rei, príncipe ou pagem?

Somos da mesma engrenagem
As molas tensionadas por ela
Bilhetes da mesma passagem
Então, que saibas minha bela:
Rosa, és a minha ancoragem.

Wasil Sacharuk

Maltrapilho

Maltrapilho

Transmutei sina em trocadilho
com certo poder de abstração
estive poeta estive andarilho
tomei rumos dispersos sem reunião

escrevi um poema maltrapilho
equivoquei o juízo da razão
já não sei se sou pai
e se ele é meu filho
não sei se sou cria
ou ele é criação

de algum sentido esfarrapado
risquei alguns versos desmetrificados
nasceram diversos
nenhuma emoção

dos meus argumentos equivocados
juntei as falácias
fiquei enrolado
apenas premissas
sem conclusão

wasil sacharuk
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Música dos Anjos

Música dos anjos

Notas doces
Harmonia no arranjo
Perfeição e delicadeza
Alegria com certeza

Belas vozes
Maestria do arcanjo
Sensação e beleza
Sinfonia da destreza

É a música que não cala
É a canção dos anjos que exala
É a viva dança dos planetas
Anunciada no som das trombetas

Suave melodia
Noite e noite dia e dia
Afeição na parceria
Emoção pura e tranquila

Adorável parceria
Quente e quente fria e fria
Com música e poesia
Criação da arte efusiva

É a música que se aprende
É a canção dos anjos
E o coração na mão

É a música que surpreende
É a emoção dos anjos
E a alma na audição.

Dhenova & Wasil Sacharuk
abril 2009

Eu errei...

Eu errei...

Ah! Meu amado
em respeito à comunhão
para não ver-te ferido
prefiro manter-te marido

Fugi dos ditames da religião
quando ocultei o meu pecado
um simples deslize alucinado
sucumbi ao convite da paixão

Depois de ter refletido
em busca de algum sentido
fiz-me passiva da submissão
quando conheci meu namorado

Um menino sério e centrado
com grande poder de sedução
um tanto incompreendido
mais um garoto perdido

Ele teve o controle na mão
deixei meu recato de lado
gostei do seu jeito abusado
e fui tomada pela sensação

Ontem ele foi preferido
adorei seu toque atrevido
incendiou-me de tesão
tive meu corpo devorado

Que não fiques zangado
com essa minha confissão
espero que seja absolvido
o meu adultério incontido

O matrimônio é instituição
união em um laço sagrado
e deus deve ter perdoado
agora falta o teu perdão.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Da Solitude


Da Solitude

Da solitude sou voluntário
não considero tudo que vejo
munido da plena consciência
dissolvida em obsolescência

Fui um escravo do desejo
fui prior e fui templário
fui de um mundo imaginário
fui pregador do desapego

Nas conclaves da indecência
forjei união de fé e ciência
das maldades sei o segredo
meu olhar se fez visionário

Fui mais outra vítima do medo
fui guardião do meu relicário
fui mancebo do rei ordinário
fui a imagem de um arremedo

Da vida aprendi a urgência
que a busca não finda cedo
e que sou o rebento diário
recriado da própria essência.

Wasil Sacharuk

Um Domingo Diferente

Um Domingo Diferente

Perdoem-me os infelizes, mas estou feliz.
Perdoem-me os surdos, mas tenho ouvido canções de amor.

Quanto aos invejosos, inveja não tem perdão...

Perdi a direção, mas escapei por um triz,
Perdi o meu escudo, mas eu fugi dos rincões da dor,

Quanto aos chorosos, choro não é mais do que emoção...

Perdoe-me o Mago, mas sou seu gnomo aprendiz,
Esse poema que lhe trago, ganha corpo e professor,

Quanto aos desgostosos, só perdoa quem tem coração...

Abri meu coração, foi o melhor que fiz,
Lancei a voz no mundo, encontrei o amigo escritor,

Quanto aos escabrosos, são uns velhacos sem noção.

Decimar Biagini & Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Se eu fosse o luar

Se eu fosse o luar

Se eu fosse o luar
as tuas longas noites
não seriam assim, tão azuis

Meu poder sobre as marés
iluminaria alguns requintes
somente para te embriagar

Te convidaria a naufragar
deslizar como peixes
muito distantes do cais

Enviaria os sinais
acendendo meus feixes
tentando te provocar

Assim poderia mergulhar
nos teus olhos de açoite
carrascos da minha fé

Mas sei que a lua não é
dona de luz suficiente
para te conquistar.

Wasil Sacharuk

Flanando - acróstico

Flanando

Flutuo mil pés sobre a rua
Lancei minhas asas vadias
Asas abertas e alma nua
No colo da lua e no brilho dos dias...
Adormeci sobre o solo fecundo
Naveguei numa tábula vazia
Descansei sobre o mundo
Onde eu vi a sublime poesia.

Wasil Sacharuk

Haragana


Haragana

Ah!, paisana
compreendo tua idolatria
e te perfaz o pensamento
riscar em prosa o rebento
disfarçado em poesia

Tão insana
pagas noites com dias
guacha de discernimento
costuras rimas com tento
e enfeitiças a utopia

Não te enganas
no rumo das cercanias
trocas o chão por cimento
da milonga fazes lamento
com letra xucra arredia

Como prenda haragana
no esteio das regalias
engarupada no vento
num trotezito mui lento
foste encontrar alegria.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

ODISSÉIA DAS LETRAS - acróstico

Odisseia das Letras

O nome, o adjetivo
Discurso, prosa e poesia
Indicativo e subjuntivo
Santíssima glossolalia
Sem intenção ou motivo
Envolvem um mundo de ideias
Interpretação e improviso
As letras em plena odisseia

Dentro do livre combate
A fogueira da musa arde
Seu coração bate e bate...

Letras derrubam o muro
Em volta da realidade
Tramando um novo sistema...
Reinventando tudo
A mente que a verve invade
Seara onde nascem poemas.

Wasil Sacharuk

VERSOS DE AMOR - acróstico

VERSOS DE AMOR - acróstico

Vozes hipnóticas no recital
Entoavam versos de amor
Rimas belas ao natural
Sons ricos de clima e cor
Ondas poéticas no madrigal
Secaram as lágrimas de dor

Durante as noites mágicas
Ecoam letras cômicas e trágicas

Assim nasceu a eterna poesia
Moveu as asas da inspiração
Ora era triste, ora alegria
Rima e contraponto ao coração.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Esculpidas nas sinas

Esculpidas nas sinas

Escrevi meu rumo em tautograma
acrostiquei com mil demônios
risquei um poema deitado na cama
imprimi com hormônios

Esgotei a rotina
da velha rima
da dor e amor
com amor
e com dor

Brinquei com as letras
construí mutretas
e compus parcerias
com mestres da poesia

Dilatei a pupila
simulei na retina
estrofes esculpidas
sucumbidas
na sina
das vidas.

Wasil Sacharuk

A cor dos sonhos

A cor dos sonhos

Dos sonhos guardei as cores
Sonhei debruçado na janela
Pintei as cenas de aquarela
Nas cores vivas dos amores

Senti o meu mundo mais belo
E vi imagens de pura alegria
Vivi um amor de linda poesia
Lembro que era o sonho amarelo

E no sonho que vi esverdeado
Um equilíbrio para a vida dura
No amor encontrei a cura
Que colou meus cacos quebrados

E tive um sonho de insanidade
Eu via meu rosto no espelho
Sob um filtro espesso vermelho
Que escondia a sensualidade

Também tive um sonho azul
Eu passei minha vida atrás
Encontrei nas terras do sul
O amor que me trouxe a paz.

Wasil Sacharuk
abril 2009

Churrasco

Churrasco

O chamado para a indiada
Um convite para os hermanos
O calor desprendido da brasa
E os guaipecas na volta da casa

Têm alemão e italianos serranos
E os índios da nossa invernada
E enquanto a carne é assada
Milongueamos com os castelhanos

E na amizade que não se defasa
Nem carancho se esconde na asa
O peão se distrai haragano
E acolhera a toda a tropeirada

E vai a trote na nossa cavalgada
Liberdade de qualquer orelhano
A costela que sempre repassa
Enquanto a paleta ainda assa

Misturada ao calor humano
A fumaça da lenha queimada
Afugenta qualquer desengano
E enaltece essa terra amada.

Wasil Sacharuk
abril 2009

Meus Tons

Meus Tons
 
Algo em mim tem tom lúgubre
Caverna escura insalubre
Para guardar os meus eus

Também cintilo um tom vivo
Um certo calor radioativo
Retido sob os meus véus

Minha face é tão pálida
De melanina inválida
A clarear os meus céus

Meu sentimento é tão blue
Rústico, ríspido e cru
Matizes frios dos meus breus

Eu me dissolvo nas cores
Máscaras das minhas dores
Em tons que não são meus.

Wasil Sacharuk
abril 2009

Inspiraturas