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Nenhuma crendice é meu desatino

do livro "Uma Outra Gnose"

Nenhuma crendice é meu desatino

Quero o melhor ceticismo
para reverter toda crença
que não seja só cinismo
que não traga desavença

Quero o caminho alargado
da existência excomungada
planar sob céus de pecado
tal guia pagão na estrada

O seu preconceito
é sua contradição
revelada num hino
na cruz em seu peito
no rosário na mão...

Sou eu mesmo o artíficie
do meu próprio destino

Quero viver o ateísmo
sem ouvir palavras pretensas
contradizer o determinismo
daquele que crê e não pensa

E não preciso ser julgado
por qualquer lei forjada
e só quero ter respeitado
o solo das minhas pegadas

Eu tenho pleno direito
a não ter religião
 e pago caro desde menino
não representa um defeito
ser ateu ou pagão...

E nenhuma crendice
é meu desatino.

Wasil Sacharuk