Divagações e emaranhados

Divagações e emaranhados

Eu lancei uma palavra no ar
e descobri que quando ela escorrega
nas brincadeiras bobas das letras
e nas experiências do pensar
fica muito difícil controlar
e desemaranhar as letras pretas
nos versos da minha entrega.

Essas letras escondem a surpresa
de intensidade demais sorrateira
que rasga a boca muda dos segredos
e a voz sai bem na ponta dos dedos
e das insanidades a poesia é parteira
já que não tem nenhuma certeza
de metafísicas ou outra besteira

E me reconheço em quaisquer versos
como uma gênese do meu sacramento
de pensar emoção na idéia sentida
pois é só reunir fragmentos diversos
com outros monstros que enfrento
e coloco nas rimas a verdade mentida
para fazer frente aos meus inversos

E só o que sinto nesse momento
constitui o pensamento edificante
pois sempre espero por essa certeza
e questiono se sinto o que penso
Porém, disso eu não sou confiante
aquilo que penso não sei se sustento
eu vivo na busca dessa delicadeza

Se acaso um poema seja um instante
que emana de um contexto reflexivo
disso também eu não tenho certeza
mas sei que se faz reconfortante
quando mostra o intento discursivo
se faz travestido da impura beleza
para o meu gozo egocêntrico abusivo.

Wasil Sacharuk
outubro 2009