patrocinador

Rico joga damas...

Rico joga damas...

Rico joga damas
é grande estragegista
sabe todas as tramas
joga como um magista

Come peça a peça
do lado do inimigo
e infla até a beça
de vaidade seu umbigo

Mas Rico não é tonto
nunca dorme no ponto
contrataca o adversário
não é jogo para otário

Rico lança a sorte
no desafio intelectual
num movimento diagonal
no rumo de algum norte

Rico é um cara esperto
que sabe gozar a vida
sabe o caminho certo
para ganhar a partida

O segredo da vitória
é respeito e cortesia
escrever uma boa história
em forma de poesia.

Wasil Sacharuk

Acerca do ácido

Acerca do ácido

A acidez dos meus versos
resulta de química reação
contracultura de inversos
deus interior e fé na razão

Silhuetas e reflexos
no ritmo do coração
paradigmas e nexos
o inimigo e o irmão

A acidez dos meus versos
vem do sórdido inconformismo
atira em alvos esparsos
dardos de sincero cinismo

Dos gametas sem sexo
algoritmo e afinação
entre nadis e plexos
longe do sim e do não.

Wasil Sacharuk

Soneto da Insurreição

Soneto da Insurreição

Armado o complô da poesia
institui beleza profanada
e faz a certeza adulterada
estendido até nascer o dia

Tramado o complô da utopia
destitui a mesa consagrada
gira tonto na encruzilhada
possuído de encanto e magia

Faz-se a luz na conspiração
musa que sabota na redenção
enredada na trama dialética

Une os versos na conjuração
sobre as asas da inspiração
numa interpretação hermética.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Vontades Comprimidas


VONTADES COMPRIMIDAS

Nas reentranças
das tranças
da vida...
espremi a vontade
comprida.
Esticada,
não cabe na mala...
mesmo encolhida,
entala

Nos entretantos
nos cantos
na lida...
a oculta necessidade
sentida.
Sonegada,
enterrada na vala...
mesmo reprimida,
não cala.

Juleni Andrade & Wasil Sacharuk
outubro 2009

Quando o poeta tem um fã



Quando o poeta tem um fã

Manipular a beleza das letras
me arremessa contra o céu
e eu atravesso os planetas
de um móbile de papel

Poeta vive de cortesia
poeta vive dessa emoção
pensa a vida em poesia
busca nas letras a lição

E quando o poeta tem um fã
mergulha no mar de incertezas:
será que o fã tem mente sã?
onde foi que ele viu a beleza?

wasil sacharuk

O vermelho aflorou meus desejos

O vermelho aflorou meus desejos

Acordei cedo
não estavas
do lado direito
senti um medo
um aperto no peito
e fui ao banheiro
olhei no espelho
nenhum recado
procurei pelos beijos
encontrei o vermelho
e o vermelho
aflorou meus desejos.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Divagações e emaranhados

Divagações e emaranhados

Eu lancei uma palavra no ar
e descobri que quando ela escorrega
nas brincadeiras bobas das letras
e nas experiências do pensar
fica muito difícil controlar
e desemaranhar as letras pretas
nos versos da minha entrega.

Essas letras escondem a surpresa
de intensidade demais sorrateira
que rasga a boca muda dos segredos
e a voz sai bem na ponta dos dedos
e das insanidades a poesia é parteira
já que não tem nenhuma certeza
de metafísicas ou outra besteira

E me reconheço em quaisquer versos
como uma gênese do meu sacramento
de pensar emoção na idéia sentida
pois é só reunir fragmentos diversos
com outros monstros que enfrento
e coloco nas rimas a verdade mentida
para fazer frente aos meus inversos

E só o que sinto nesse momento
constitui o pensamento edificante
pois sempre espero por essa certeza
e questiono se sinto o que penso
Porém, disso eu não sou confiante
aquilo que penso não sei se sustento
eu vivo na busca dessa delicadeza

Se acaso um poema seja um instante
que emana de um contexto reflexivo
disso também eu não tenho certeza
mas sei que se faz reconfortante
quando mostra o intento discursivo
se faz travestido da impura beleza
para o meu gozo egocêntrico abusivo.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Quando eu respirei poesia

Quando eu respirei poesia

Eu encontrei a chave
que abre o sol do novo dia
esqueci de todo o entrave
quando eu respirei poesia

Eu estive no cais
que quebra a onda insana
com dois poemas ou mais
a mente que cria engana

Precisei reverter a maré
dialogando com as letras
conheci o segredo da fé
azul claro e letras pretas

Desbravei uma nova fronteira
para ser o par da parceria
e cravei por aí a bandeira
do convívio em harmonia

Descobri, então, perplexo
que a poesia é grande amiga
dela não sou desconexo
e chamamos a vida pra briga.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Encanto e jogos de sedução

Encanto e jogos de sedução

Me disseram
que uma tal mãe-de-santo
sabe incendiar
qualquer relação

com fogo
mel e encanto
e alguns jogos de sedução

Souberam
sem talvez ou entretanto
a mula vai enganar
quase toda nação

com discurso
promessa e encanto
e alguns jogos de sedução

Contaram
que um padre quase santo
queria muito abençoar
a criança que fazia oração

com penitência
perdão e encanto
e alguns jogos de sedução.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Enquanto a sereia dormia...

Enquanto a sereia dormia...

Nos seixos imersos na água
o augúrio
estava lá
com signos da maré cheia
e inscrito nas pedras

O trovão de lava e mágoa
a injúria
cuspia fogo
contra a vã feitiçaria
de pretensas musas belas

Sob a lua sentinela da praia
sem lamúria
e com dignidade
esperei sentado na areia
o mar acordar a sereia.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Espaço sem fundo

Espaço sem fundo

Espaço sem fundo
enche o vazio
devolve do abismo
outro fim do mundo
preso sem fio
em suave cataclismo
pela seca inundação
a doçura de um choque
entre a cabeça e a pedra
entre o sim e o não
o chão e o paraqueda
o declive e a suspensão.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

O silêncio do breu

O silêncio do breu

Luz ausente na escuridão
é ignição de mente obtusa
é o amor perdido de musa
aquela falta de inspiração

Distante das letras
por sob o véu
sem as canetas
nenhum papel

Breu que mora na escuridão
garantia de frio no inverno
é azul das nuvens do inferno
é o fogo de toda a criação

Distante dos cometas
por sob o céu
sem os gametas
nenhum menestrel.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Turbilhão

Turbilhão


Turbilhonava tornado
tramando torvelinho
tachando Terra tal tola
traçando torta trajetória

Tivesse tragédia testado
todas tradições
todos temerosos
tantos tabefes tomados
tantos tropeços
tanta teimosia

Todavia
terráqueos trataram
temido tsunami
tal troço tosco
tocando tensão toda Terra
transbordando tudo...

Trouxe tempestades tropicais
terríveis terremotos
transfigurações
tufões
tumultos

Tudo tolerado
tão tácito...
Tão taciturno
trouxe tanta tristeza

Talvez Terra
tentasse triunfar
traduzindo teor tristezas
trabalhando... trabalhando

Todos tecemos
Terra terminar...
Tampouco
Terra treme

Tão tocante...
todo território tomado
tórrida tortuosidade

Traidores
tacanhos tiranos
tramam tragédias
transgredindo tendências
trapaceando

Terra tonta tombando
tempo terminando
tic-tac tic-tac!

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Bolhas de Abstração


Bolhas de Abstração

Bolhas de sabão
Com risos infladas
De todas as cores

Bolhas da paixão
Com risos deixadas
De todos amores

Bolhas da razão
Com risos pensadas
De todos clamores

Bolhas da religião
Com risos comungadas
De todos pudores

Bolhas do perdão
Com risos vingadas
De todos horrores

Bolhas do corpo são
Com risos curadas
De todas as dores

Bolhas do tesão
Com risos transadas
De todos ardores

Bolhas na imensidão
Com risos estouradas
De todos temores.

Wasil Sacharuk

Tolo Homem

Tolo Homem

Sobre os ombros o estigma
da eterna insatisfação
evitou conhecer o espelho
viveu a suplicar de joelhos
por uma oferta de pão

Apenas mais um tolo homem
nem notou que viveu no inferno
jurou odiar o demônio
e após contraiu matrimônio
a procriação e o respeito terno

Condenado à vida comum
como um medíocre enfadonho
por covardia evitou o temor
por pecado sonegou o amor
abraçado a um preceito medonho

Nem no Hades e nem no céu
disputaram sua triste presença...
tomou o seu rumo a pé
trilhou o caminho da fé
e morreu na indiferença.

Wasil Sacharuk

ERA UMA ESTRELA - acróstico



ERA UMA ESTRELA

Era estrela ardente
Rara e tão distante
A deusa da constelação

Um dia se fez cadente
Morreu após o horizonte
Abriu a porta da imensidão

E surgiu tão soberanamente
Soerguida sobre o monte
Tomando o campo da visão
Reinou só mais um instante
Ergueu perfazendo uma ponte
Lançada contra a vastidão
Alçou a alma diferente.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

A Parceriar Um Soneto

A Parceriar Um Soneto

Caminhar ao lado, partilhar o fardo
Versejar amparado, brindar o legado
Escrever alegrado, deixar um recado
Amenizar o fado, num mate amargo

Sonetar inspirado, o amigo ao lado
E rimar encaixado o verso cadenciado
Com o dedo esticado bolinando teclado
O desejo estimulado de tomar um trago

A vida é vadia e a idéia é ousadia
O poeta escandia e o leitor alivia
O canto é harmonia, o soneto maestria

A morte espia, o verso livre judia
O poeta assovia, o leitor o aprecia
O canto é poesia, o soneto é sintonia.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
outubro 2009

Nova Ordem da Poesia - acróstico

Nova Ordem da Poesia

N ão é o novo
O velho refeito
V álvula do povo
A modificar o perfeito

O mundo precisa
R efazer a organização
D a frase concisa
E m renovação
M otriz da vida

D a nova ordem
A nova sina dos versos

P oetas da nova era
O rganizam o movimento
E spalham pela atmosfera
S uas razões e sentimentos
I nvertem o giro da Terra
A rabiscar o encantamento.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk

A LUA BRILHA NO ALTO - acróstico

A LUA BRILHA NO ALTO

Assim se fez a noite:

Lua escondida dos lobos
Uivantes à espreita na rua
A noite, então. se insinua

Brilha um risco no mar
Reluz até o horizonte
Ilumina o teto estelar
Lume no alto do monte
Horas a fio ao reponte
Assume o risco de amar

Norte, sul, leste ou oeste
O luar da vida e da peste

Alta no astral firmamento
Liberta a noite à revelia
Traduz em verso o momento
O motivo de escrever poesia.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Ilha virtual



Ilha virtual

Na cibernética ilha
há um mundo confinado
e fotos da minha filha
Abraçando o namorado

Tenho música e poesia
Ao alcance dos sentidos
Mas também tem porcaria
de autores enrustidos

Na minha ilha cabe tudo
face a face com o abecê
se diz muito em som mudo
Control A e control vê

E nesse mundo virtual
nosso convívio repercute
me faço poeta nacional
no youtube e no orkute.

Wasil Sacharuk
dezembro 2008

Outra Noite na Viva Cidade

Outra Noite na Viva Cidade

A noite e o segredo
rompem vielas escuras
sob a luz do mercúrio
sob a égide do medo
no caminho das agruras
o rascunho do augúrio

Nas tramas da viva cidade
passos da ansiedade
nos corredores noturnos
desvios da fatalidade
marcam semblantes soturnos

O corte da lâmina brilhante
corta um passo aflito
e encontra o eco do grito
num rápido instante.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Limerick express VII

Limerick express VII

O jardim do pecado era o Éden
coberto de flores e macieiras
repleto de bichos que fedem
e tem peçonha sobremaneira
E Adão, só no cinco contra um.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Pétalas perfumadas

Pétalas perfumadas

Se tua poesia
é tal uma flor
teus versos livres
são pétalas perfumadas
unidos no invisível elo
de rosa selvagem
e de botão amarelo

Se tuas rimas
conjugam o amor
irrompe tua verve
nas noites alucinadas
e exala doce perfume
de eterna primavera
e cheiro, cor e lume.

Wasil Sacharuk

Dois lados


Dois lados

O meu esquerdo
é o direito
e o meu acerto
é um defeito

sou um pagão
que tem fé
sou um pão
com café

Sou a clareza
da escuridão
sou a fraqueza
de um corpo são

Sou a beleza
desta feiura
sou a sobremesa
de amargura

Sou tão perto
e tão distante
sou tão esperto
e tão vacilante

Sou o silogismo
da contradição
sou o dualismo
dessa vastidão.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Uirapuru


Uirapuru

Uirapuru
canta para mim:

quem és tu?

Já cometi grave falta
ao pensar que eras flauta

mas uirapuru é musical
mas uirapuru é cântico
o fenômeno é igual
no Pacífico ou Atlântico

canto de uirapuru é encanto
casa de uirapuru é recanto
sorte é uirapuru empalhado
e azar é o uirapuru ameaçado

Ah, maldita extinção...
o único pássaro livre
é o tal de avião.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Falácias de vento


Falácias de vento

um voo sobre os ditames
da tola razão
apenas sobrou o argumento
seguro tal avião
em queda livre

as asas da proposição
batem falácias de vento
ora sopram
ora não
nunca tão cheio
nunca tão vão

e da lógica do tempo
decolou a conclusão.

Wasil Sacharuk

O QUE QUER DE MIM? - acróstico


O que quer de mim?

O que você pretende?

Qualquer olhar de soslaio?
Um longo beijo? Abraço?
Ensaios... apenas ensaios

Quantas e quantas vezes
Ufanei-o em meu coração?
Era a sua pretensão
Rir de mim todos esses meses

Desisto de você agora
E vou sair porta afora

Minha busca será a liberdade
Ideologias e identidades
Meu amigo, chegou minha hora!

Wasil Sacharuk

Auspicioso Precipício


Auspicioso Precipício

Peregrino na trilha do louco
banhado de chuva na estrada
rumo que leva ao nada
talvez um talvez ou tampouco

indigente
ou eremita
sigo o brilho da luz
longe das trevas
longe de cruz

peço perdão de joelhos
sobre auspicioso precipício
dos pecados perco o indício
ao som do estalido dos relhos

intransigência
ou heresia
vendi minha alma ao destino
longe de abutres
longe dos sinos.

Wasil Sacharuk

Memórias


Memórias

Já fui caça
e pássaro
devassa
e bálsamo
já fui benta
e instável
peçonhenta
tão amável

Já fui Jocasta
e Morgana
muito casta
pouco sana
embaixatriz
e sensata
fui meretriz
e beata

Assassina
e obcena
Messalina
Madalena
Fui a vadia
da realeza
e fui Maria
sem certeza.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Limerick express VI

Limerick express VI

Uma outra estrela do céu
bem próxima à anterior
Não risca versos no papel
e vive só porque quer amor
Que estrela estúpida!

Wasil Sacharuk

ROSA-DOS-VENTOS


ROSA-DOS-VENTOS

Se matas, como eu, tua sede
Imitarei, como tu, o que crer
Se mostras, como eu, como se faz
Eu cairei, como tu, nessa rede
Se sucumbes, como eu, ao morrer
Evocarei, como tu, minha paz

Se plantas em mim a semente
Mi’a mente será fertilidade e cais
Se espargis em mim tuas cores
Mi’a tela terá a trama dos ais
Se espelhas em mim teu reflexo
Serei reverso convexo, concavo verso

Beberei doce veneno da tua fonte
Serei um fanático na tua certeza
Para poder seguir os teus passos...
Então busco um ponto do horizonte
De onde eu flutue com a tua leveza
E também possa sentir teu abraço

Que nessa fonte ortótropa
Te embriagues da minha certeza insensata
De te ver em laço... Presos passos...
No meu ponto cardeal tecido ponto a ponto...
Rosa-dos-ventos... Teu porto... Meus braços.

Wasil Sacharuk & Aglaure Corrêa Martins

COMO UM RIO...

COMO UM RIO...

Eu ouvi teu riso
e senti no peito
o mesmo amor sem jeito
e quis o momento
sem fazer efeito
ter no coração vadio
preenchido o frio

Atendi teu aviso
movimento suspeito
disfarçado e rarefeito
o meu beijo sedento
prontamente aceito
fez esquecer o vazio
transbordando um rio.

Dhenova & Wasil Sacharuk
setembro 2009

BAILE DE MÁSCARAS - acróstico


BAILE DE MÁSCARAS

Beijei uma estrela prateada
Atada a um rabo de cometa
Inusitada beleza encantada
Louca fantasia realizada
E não era desse planeta

Dançamos a noite inteira
Enquanto a viagem durou

Movimentos sutis espiralados
Atrevida, tão linda e fatal
Servindo olhos embasbacados
Como uma deusa do carnaval
Antes da noite chegar ao final
Risos e sussurros suplicantes
Alimentaram desejos da deusa
Satisfeitos fetiches delirantes.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Cicuta


Cicuta

Penitência carrasca é ofício
se cumprida com envergadura
benevolência da fé é um vício
ao vivente de conduta impura

encrava os desejos
na pedra bruta
doses de vidas embriagadas
em poemas de rimas marcadas
nos cacos do cálice
de cicuta

a catedral coberta de ouro
a oferta de mais um tesouro
dez por cento de cada vez

a expiação e o açoite de couro
uma coroa adornada de louros
para pedir o perdão das mercês.

wasil sacharuk