Quem dera


Quem dera*

A minha fome persevera
e tramo um novo cortejo
na ansiedade da espera
para bater à tua porta

Essa tua dor de menina
não te faz mulher morta
quando teu corpo inclina
converte mulher em fera

Quando devoras, desatinas
e quando mandas, obedeço
se sou de natureza torta
o teu castigo me ensina

E se tua boca exaspera
dentes, lábios e desejo
e tolo espero por um beijo
não me pertence, quem dera.

Wasil Sacharuk

*in "O Diário de Paula", de Madame M

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