Seara

Tomando Veneno


Tomando Veneno

Moro em uma casa de ranhuras
de paredes ja escritas em teias
vivo conjugando conjecturas
de um verso mudo de linguas

Como no prato bordado de dó
a miséria de tanta riqueza
entre a polidez coberta de pó
e a lucidez que corta certeza

Falo uma lingua dissonante
que com meu som apedrejo
enquanto calo o instante
daquele beijo que não beijo

Sei que me encontro nas ruas
e deito e durmo nas tormentas
único argumento da lógica nua
é bebido em gotas peçonhentas.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk
setembro 2009

MUSICA - acróstico


MUSICA - acróstico

Magistrais
Urdiduras
Sonoras
Insistem
Clamando
Atenção.

Wasil Sacharuk

DELÍRIOS DE AMAR - acróstico


DELÍRIOS DE AMAR - acróstico

Duvide, minha amada...
Este amor delirante
Loucura ufanada
Investida rompante
Revira vida virada
Ilumina um instante
Ou derruba a escada
Serenando o semblante

Duvide, minha amada
Esse amor é cruel...

Alma estúpida essa minha
Morrerá largada no chão
A alma que não vive sozinha
Resta cair de paixão.

Wasil Sacharuk
setembro 2009

SUSSURROS - acróstico


SUSSURROS - acróstico

Secretos
Urros
São
Sussurros
Uivos
Repetidos
Retraindo
Ondas
Sonoras

Wasil Sacharuk
setembro 2009

SONHO DOURADO - acróstico


SONHO DOURADO - acróstico

Separado estive de mim
Ocultando da realidade
Notas dessa insanidade
Habitantes do início ao fim
Ou cascas da fatalidade

Dourei sobre a alma das cores
Ornamentei o fel dos sabores
Ungido no óleo dos pecados
Roubei do jardim essas flores
As rosas e cravos avermelhados
Decidi até pular dos telhados
Ousando encontrar meus amores.

Wasil Sacharuk
setembro 2009

Rumo a Pasárgada

Rumo a Pasárgada

Morre em mim todos os dias que amanhecem
Morre em mim a fala suave e o hálito doce
Morre em mim a manhã da primavera
Morre em mim a criação e a canção do luar

Não é mais tempo de plantar nem de colher
Não é mais tempo de ler velhos poemas empoeirados
Não é mais tempo de acreditar que poderá ser diferente
Não é mais tempo de vida que corre nos olhos e nas veias do entendimento

Acabou a festa do conhecimento
Acabou o dia, a tarde e a madrugada de sonhos
Acabou o canto da coruja no galho da manga-rosa
Acabou a letra desse alfabeto em cor

“Vou-me embora pra Pasárgada”
Vou vestido de nudez
Vou livre de amarras
Vou simples, presente e morto de todas as subjetividades do talvez

Morre em mim toda a grandeza que cresce
Morre em mim a inocência da beleza precoce
Morre em mim a destreza felina de uma fera
Morre em mim a atração pelas forças do mar

Não é mais tempo de parar ou de correr
Nâo é mais tempo de rever conceitos enterrados
Não é mais tempo de confiar na sanidade da gente
Não é mais tempo de sentir a ferida que escorre dos olhos num lamento

Acabou a resistência do cimento
Acabou a nostalgia das madrugadas de tons tristonhos
Acabou o poema que sobrepuja a frieza da prosa
Acabou a caneta dessa escritura de dor

"Vou-me embora pra Pasárgada”
Vou liberto das mercês
Vou solto de todas as garras
Vou assim mesmo, engajado em mim, sem certezas e nem porquês.

Diogo Dias Fernandes & Wasil Sacharuk

COMBINAÇÃO PERFEITA



COMBINAÇÃO PERFEITA

Pétalas vermelhas a perfumarem o leito
Lua prateada, na janela, pendurada
Um lençol de seda produzindo o efeito
Combinação perfeita à sua pele acetinada

O mundo parado para decorar seu jeito
Nua enfeitada, seduzida, enfeitiçada
Garras pontiagudas a arranhar meu peito
Combinação perfeita à sua fome alucinada

O quarto move-se; acompanha seu trejeito
Lua, casta e pura, deixa a janela, ruborizada
Pétalas, suor, cama ardente, lençol desfeito
Combinação perfeita à nossa fome saciada

De todos os sabores que eu provo, satisfeito
Sua boca linda, tão vermelha, tão molhada
O mergulho sedutor do seu olhar suspeito
Combinação perfeita à nossa sede embriagada.

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk

BAGUNÇAR, um acróstico

Bagunçar

Brinquei com o sonho da realidade
Atei aos cadarços os sapatos
Gritei bem baixinho a real falsidade
Usei o motivo da ilusão dos fatos
Neguei aceitando o deus que não há
Çarei da çaúde cançei o cansasso
Andei paradinho daqui para lá
Rimar essa prosa eu não fiz e refaço.

Wasil Sacharuk

Imponência da Pedra

Imponência da Pedra

Natureza fez-me pedra,
exibe minha imponência
ante o sisudo tempo.
Sou mística,
sou solidão, alimento-me
de olhares, sou destaque
das montanhas,
âs vezes em solais!
sou indecifrável

Os tempos levam as gemas,
inibem minha opulência
oculta em sedimentos.
Não sou cristalina,
sou dura, inerte, insolúvel
polimórfica, sou barreira
das entranhas,
e não interpreto sinais
sou impenetrável..

Posso ser ouro
de diversos quilates,
quando crua, ignorada,
se lapidada...
sou gema cobiçada,
desperto olhares longínquos
sou riqueza nacional,
sou pedra preciosa
Sou ganância mundial!

Sou um tesouro
para esses mascates,
me sinto nua, roubada
quando explorada...
sou riqueza passada,
na mão de desejos oblíquos
tenho a certeza abissal,
da beleza generosa
Sou da vida natural.

Diná Fernandes & Wasil Sacharuk

Catarse Misteriosa


Catarse Misteriosa

Posso ver uma alva face
Sob um antiquíssimo disfarce
Tramando um obscuro enlace
Uma misteriosa e duvidosa catarse

No olhar indireto o abismo
para sabotar as defesas
A beleza forjada pelo cinismo
para duvidar das certezas

No ar paira a repulsa
Por percebê-la tão avulsa
Tão inverossímil e cruel
Distante de um ilusório céu

E a ira contra a insistência
que serve ao propósito insano
me mostra detrás da inocência
o prenúncio de um mero engano.

Alexandre de Paula & Wasil Sacharuk
setembro 2009

POETA CRUZALTINO


POETA CRUZALTINO

Pampeano é meu canto
O ocaso dos reversos
Ensinei rima a amar
Traduzi encanto em versos
Ao subir morro eu Decimar

Cruzei a fronteira da cruz
Reuni em quatro estrofes
Um poema livre de amor
Zombei da razão com jus
A partir de um soneto
Libertei o aroma da flor
Trabalhei os dois quartetos
Insisti que não iria contar
No entanto, foi nos tercetos
Ouvi o chamado e Decimar.

Wasil Sacharuk

Quem dera


Quem dera*

A minha fome persevera
e tramo um novo cortejo
na ansiedade da espera
para bater à tua porta

Essa tua dor de menina
não te faz mulher morta
quando teu corpo inclina
converte mulher em fera

Quando devoras, desatinas
e quando mandas, obedeço
se sou de natureza torta
o teu castigo me ensina

E se tua boca exaspera
dentes, lábios e desejo
e tolo espero por um beijo
não me pertence, quem dera.

Wasil Sacharuk

*in "O Diário de Paula", de Madame M

Alienação


Alienação

Alienação
é a relação
comercial
um sorridente cinismo
entre o credo cristão
loteamento do céu
e capitalismo

Alienação
vem da dimensão
abissal
como um cataclismo
que sacode o chão
entre céu e o bordel
puro eufemismo

Alienação
vem da informação
irreal
evidente sofismo
que engana o bobão
cabeça de papel
com idiotismo.

Wasil Sacharuk

Limerick express V

Limerick express V

Aquela estrela brilhante
Vagabundeante do céu
Cintila como um diamante
E risca versos no papel
Como uma poetisa boba.

Wasil Sacharuk

Limerick express IV

Limerick express IV

Os mais singulares espelhos
do tal mundo das ilusões
refletem os olhos vermelhos
entre os brilhos e os botões
é melhor trocar o monitor.

Wasil Sacharuk

Limerick express III

Limerick express III

Meu olho vidrado no espelho
de temível brilho
fitando minha consciência
sugando a coerência
esse meu olho cego tudo vê.


Wasil Sacharuk

Limerick express II

Limerick express II

Pobre hombre del mate
frío y lavado
derramado en mi pala
se derrumbó en la cara
mate criollo es muy bueno.

Wasil Sacharuk

Limerick express I

Limerick express I

Aquele lindo coelhinho branco
maldito e sanguinário
odiava todas as cenouras
e amava carne humana
o tal coelho sabia das coisas.

Wasil Sacharuk

O Grilo e o Besouro

O GRILO E O BESOURO

Sou grilo
não besouro
sou do signo
de touro
e sou um bicho bacana
conheço outro bicho sacana
querendo o ouro
do qual não sou digno

Há grilos na sua cabeça?
Não entristeça
faça um eletroencéfalograma
e aconteça o que aconteça
não saia da cama

Sou besouro
não sou grilo
sou bicho ingrato
zunir é meu artifício
Conheço o grilo safado
barulhento no ato
gosto do ouro do tolo
mas não sou touro malhado

Há um besouro na sua cama?
Não se acanhe
Faça-lhe um carinho tímido
e se deixe levar pela grama
até o amanhecer digno

Wasil Sacharuk & Dhenova

Seis segundos... sete segundos


Tela: 'Amantes', João Werner


Seis segundos... sete segundos

Sentiu-se seduzida...

Subitamente
seus segredos
sucumbiram

Sua segurança
solenemente sabotada

Sua sobriedade
simplesmente sumiu
Seu sofrimento... sarou

Sobrou sensualidade...
Sentiu seus seios
sacrificados sob soutien
saírem sólidos...

Suplicava sexo...
sensualmente selvagem
selvagemente sensível

Sentiu safadeza
sacramentada
sequestrando sua santidade
saturando sua sensibilidade

Serviu-se sobre sua serpente
sentiu segredos seminais
sufocarem seu semblante
sensivelmente sádico

Supostamente satisfeita
sorriu solta
sobretudo...
seis segundos
sete segundos
superou solidão
saciando sua sede
sentiu-se serena.

Wasil Sacharuk

Seixos segmentados


Seixos segmentados

Solte sua sábia semente seca
sob sol sentinela sutil
soterrando símbolos sagrados
sob solo sarado servil

Seu sacerdócio
sua súplica
seguirão sonhos singulares
sequestrando sistemas solares

Se sentires seus segredos
serem sabiamente selados
sua serenidade será sangrada
Sobrarão seixos segmentados

Wasil Sacharuk

Sobre solo sagrado


Sobre solo sagrado

Sentirias sede
se sol secasse
seus soberanos sentidos

Se sua solidão simplesmente sumisse
sentaria sobre sagrado solo
se sagrado solo sentisse

Somos somente seres sedentos
satisfazendo sentido senil
simbolicamente sanado.

Wasil Sacharuk

Soneto Sete Sinas


Soneto Sete Sinas

Sobras são separadas
Semeando sua solidão
Se sobra sangue são
Será sua saúde sarada

Seus sonhos são salvos
Sobrevivem solitariamente
Seus segredos suportados
Sete sinas, secularmente

Seus sentidos sustados
Serão seriamente serenados
Salvo suas solicitudes

Seus saberes sabatinados
Sutilmente solidificados
Serão segregados sem saúde.

Wasil Sacharuk

Sinfônicos sinos


Sinfônicos sinos

Se santa sorte sobejou
Sua secular sabedoria
Sabiá sensato separou
Somente semente sombria

Saiba, segredos somem
Sonhos são serenados
Solitários sempre sentem
Seu silêncio sendo sustado

Se sinos soarem suavemente
Sintonizando seus sentidos
Sincrônicos sinfonicamente
Singulares sons são sorvidos.

Wasil Sacharuk

Sem sentença, sem sinais


Sem sentença, sem sinais

Seria silêncio somente
Sob sombra sentado
Salvando sua semente
Simplificando sua sorte?

Seria selva separada
Sobrevoada sem sabiás
Sem sentinela safada
Sem sentença sem sinais?

Seria seu sexto sentido
Sólido sentimento senil
Se sensações saíram sumiram
Seu sétimo sentido serviu?

Wasil Sacharuk

Simples seara sem semente



Simples seara sem semente

Sônia simplesmente semeia
Silenciando sofrimento
Seu sólido solo saqueia
Singelos sonhos semeados

Sorrir sem sentir só seria
Sensação suave, somente
Sem serventia sem soberania
Simples seara sem semente

Sacrifica sério semblante
Sela santo solo servil
Supera sol solapante
Sucumbe sentido sombrio

Seria só sentir sem sorrir
Somente suave sensação
Sem sobrepor sem servir
Simples seara sem semente.

Wasil Sacharuk

Antropofagia - acróstico

Antropofagia

Amarro a mim teu desejo
Nego uma trégua qualquer
Tente escapar do meu festejo
Ritual de comer como quiser
O  vermelho circunda tua boca
Pele ao sabor do meu prazer
Oferta prazer na dança louca
Faz implorar para comer;
Apetite safado que vicia
Gula que emana saliva quente
Instinto animal não é anomalia
Amor insano não é indecente.

Wasil Sacharuk

Simplesmente...

Simplesmente...

A musa alada
recebeu de um amigo
uma comunidade encantada

Construiu no portal
poético
uma nau
para navegar harmonia

E acolheu com prazer
os parceiros das letras
num farto querer

Reuniu os artistas
dos versos
malabaristas
de sonhos e utopias

E permitiu que a poesia
se fizesse toda hora
com sentimento e alegria.

Dhenova & Wasil Sacharuk

Não e sim

Não e sim

Foi a carne macia
toda a sina
Foi o perfume barato
todo o cuidado
Foi o hálito fresco
todo o veneno

Foi nesse universo
que aprendi a voar
em versos

Disse sim, disse não
fiquei louco
puro tesão

Foi como uma poesia
toda em rima
Foi o gesto abstrato
todo o embaraço
Foi no sentido sexto
todo o mistério

Foi no doce segredo
que tentei naufragar
sem medos

Disse não, disse sim
fiquei triste
lá é o fim.

Dhenova & Wasil Sacharuk

E se for pecado?



E se for pecado?

Dos pecados não me arrependo
sou desobediente
ovelha infiel
o avesso do crente

Me faço purificado
não sou o criador
nem manipulador
do motor imóvel
adulterado

Nenhum pecado confesso
não sou penitente
minha água benta é ardente
mantenho meus vícios
meus ofícios
meus artifícios
a reza de trás para frente
no rosário de uma serpente

E gosto de dinheiro, muito
de boa comida
da vida bebida
algum excesso...
algum descontrole...

E continuo irado
depravado
odiado
rancoroso
raivoso
luxurioso
preguiçoso
nada caprichoso
soberbo...
implacavelmente soberbo

Qual beato abençoado
me fará dizimado
por uma ameaça ridícula
de um medo infundado?

E se for pecado?
Não é problema meu...
me sinto agraciado
por tudo que a vida me deu.

Wasil Sacharuk

Semeadura


Semeadura

Se sarasse sua saúde
seca semente
Sobrariam sombras
sobre sertões
Serenaria sol solapante

Seria sábio
seca semente
salvar seus sonhos
semeando solo
servindo sociedade

Sabes
seca semente
sol sempre seca
sempre...

Savanas são serradas
selva silenciada
suplicando socorro

Salve-se
seca semente
sonegaremos sua secura
sob sol sequestrado
serviremos sua semeadura.

Wasil Sacharuk

Reincidente


Reincidente

No toque reincidente
No olhar penetrante
a malícia presente
a poesia convincente
de sentidos
nos ritos
dengosamente
carinhosamente
doloridos
entorpecidos
e pecado consciente
e o instante ardente
novamente
ardorosamente
incontido
acometido

Lavas desprendidas 
labaredas avermelhadas
dos teus vulcões
da tua fogueira
cativas nas repetidas
pulsam nas retorcidas
erupções
chamas vivas

Dhenova & Wasil Sacharuk

Era uma vez três poetas...

Era uma vez três poetas...

Um poeta olhava para o céu
esperava o milagre
do acontecimento
do passado escalpelado
por um índio norteamericano
sioux ou, talvez, mexicano

Deixou duendes e as fadas
contorcidos em gargalhadas
...

o outro falava sobre a vida
sobre o movimento
sobre o tempo
com os pés do amor
pousados no firmamento
e jogou fora a dor
em lufadas de vento

Deixou todas as marcas
de corações, corpos e estacas
...

e o terceiro
olhava para o horizonte
e escrevia
no papel do destino
a ata da noite
célebre e contundente,
o poema sublime

Deixou a poesia
de bochechinhas vermelhas
Pretensioso... sim
porém, divino.

Dhenova e Wasil Sacharuk

Gris de payne para o teu silêncio


Gris de payne para o teu silêncio

Gris de payne
para o teu silêncio
e o escuro do mar
marinho
para teu clarear
quando nasce ao leste
celeste
na palidez diferente
amarelo permanente

e quando a noite
se faz presente
a lua é um orifício
e gris de payne
para o teu silêncio.

Wasil Sacharuk


Elemento de coesão


Elemento de coesão

Pensei em esquecer o teu jeito
com meu desprezo
pensei em trocar o que tinha
as tuas manias...

Desafiei toda a rebeldia
com minha certeza
e rabisquei uma nova poesia
de pura aspereza

entretanto...

Decidi aquecer meu leito
com teu desejo
Decidi encontrar minha linha
com tua alquimia

Acreditei em toda ousadia
da tua beleza
Acreditei em nova poesia
de pura riqueza.

Dhenova & Wasil Sacharuk

Reflorescer



Reflorescer

O reflorescer
da energia
da poesia
no amanhecer
da magia
fantasia
no renascer
da flor em botão
o ciclo completo
repleto
de nova emoção.

Wasil Sacharuk

O vazio de você



O vazio de você

Eu senti, assim
uma sensação
de vazio
entre a costela
e o diafragma
que me lembra você

Pressenti, por fim
uma erupção
vulcão
o coração
por um fio
o pavio de uma vela
fervendo o magma
para preencher
o vazio de você.

Wasil Sacharuk

Sussurros

Sussurros

Sinta...
Sigo
somente
sussurando
singularidades
seduzindo
seus
sentidos

Sinta...
somente
sussurros
sem
sentido
sem
semântica
sem
seriedade

Separe
sussurros
silogísticos
sinistros

Sussurros
sugerem
sensualidade
solicitações
sabotagens

Sua
sina
será
sucumbir
sob
sussurros
sacanas.

Wasil Sacharuk

Reflorestar


Reflorestar

Plante outra árvore
no campo fértil
da consciência

No solo estéril
apesar da ciência
tudo o que resta
é a parca floresta
de cara funesta
pedindo socorro

E quando grita
"não me mate"
"não morro"
se agita
e evita
a má sorte
da morte
no corte

E vira madeira
mesa
cadeira
e a certeza
derradeira
envergada
em verdade
na maldade
que a tudo encerra

É quando da terra
se ouve a proposta
a resposta
ao lamento
pelo desmatamento

Mas não desiste
por natureza
e insiste
e resiste
faz guerra
contra a moto-serra

suplica
replica
e conspira
sementes no ar
para reflorestar.

Wasil Sacharuk

Ao poeta do norte



Ao poeta do norte

Versos oriundos do norte
sopraram os ventos
na cara da vida
essências da cor

Como mistérios da sorte
a eternizar um momento
da palavra sentida
um desabafo de amor

Inspiração brota forte
para gritar argumento
nas estrofes dividida
tal  pétalas de flor.

para André Fernandes

Wasil Sacharuk

Vida é verbo


Vida é verbo

Aquela pessoa primeira
de um discurso no presente
flexiona o verbo da vida
de um modo subjuntivo
anima em verbo o motivo
a linha do tempo é lida
ponta cabeça e trás pra frente
e desobedece o imperativo
na conjugação desconhecida
de um verbo diferente.

Wasil Sacharuk

Bouquet de poesia


Bouquet de poesia

A mesa do jantar
o nosso vinho
a caixinha do anel
os versos no papel
o desalinho...

Idéias para rimar
coisas da vida
até a aurora
uma história
tão divertida

Junto ao bar
as lembranças do dia
um cravo e uma rosa
os versos e a prosa
e um bouquet de poesia.

Wasil Sacharuk

CONFLITO

poetisa Lena Ferreira


CONFLITO

Ser essa ou aquela
Tinta fosca ou aquarela
Ser recato ou ser musa
Ser coerente ou confusa
Ser trave ou ser trilho
Ser opaca ou ser brilho
Ser reticência ou ponto
Ser passiva ou confronto

Ser a feia ou a bela
Parafuso ou arruela
Ser aguda ou obtusa
Ser convidada ou intrusa
Ser a bala ou gatilho
Ser do pai ou do filho
Ser distância ou encontro
Ser poema ou ser conto.

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk

Sem Comentários

Sem Comentários

Lancei minha poesia
No balcão de poemas
mas ninguém comentou
com que razão esfriou?

Dos Andrés nenhum palmo
mas encontrei o Decimar
e a Márcia a se derramar
pois bloquearam o Dalmo

Mas eu upei lá pra cima
e revisei cada rima
no fim perguntei à Lena:
o que há com meu poema?

Tive a serena confirmação
do que a Célia insinuou
que o meu poema afundou
porque não tem coesão.

Wasil Sacharuk