Asas na clausura


Asas na clausura

O melhor em mim
não é permitido
Abro asas na clausura
no gorgeio da censura

Emigrar é proibido
sei apenas meus confins
sem espaço e sem fins
só o trinado comovido

Sem lua a noite é escura
engaiolado na armadura
o meu horizonte sumido
fizeram meu voo refém

Há sementes de azevém
e ganho pão umedecido
não conheço as alturas
nem as outras criaturas

Meu universo reprimido
não existe para além
sou objeto de alguém
que também está ferido.

Wasil Sacharuk

Inspiraturas