Seara

O que rói um homem


O que rói um homem

O homem e a vida
franco compromisso
que arranha a ferida
Infiel submisso

O homem roído
mastigado
mitigado
na raiz da aflição

dolorido
idolatrado
filho de uma nação

O homem roído
é o levante
brado retumbante
cidadão

O que rói um homem
é seu coração
é o estatuto
é estar puto
eis a questão

Atrevido
destemido
caminhante distante

O que rói um homem
é a razão de não ser

A dimensão do fazer
acontecer
e viver emoção

Sem metafísica
só física
remete à questão

Qual criação?
argumentação?
silogismo ou achismo
qual a lógica?
cristã diabólica

O que rói um homem
é o sofismo
o abismo
o ismo
e outro ismo

E mais que tudo
é o determinismo.

Wasil Sacharuk

Trapo



Trapo

Fazes de mim um trapo
desse ofício os cavacos
e me tens rendida
perturbada possuída

E refazes meus traços
no desafio do recato
na destreza do trato
no contorno do espaço

Tomas a posse da vida
invades a via dolorida
e me prendes num laço
escrava do teu desacato

E acolhes em teu braço
na diluição do meu tato
na promessa de um pacto
na força do nosso abraço.

Wasil Sacharuk

REPRESADA


REPRESADA

Raiva
Enclausurada
Pavimentada
R |eprimida|
E[spremida]
Soterrada~~~
A raiva represada
Divide as águas
As insanas das paradas.

Wasil Sacharuk

MEUS SONHOS


MEUS SONHOS

Meus
Enfadonhos
Ultimos
Sonhos

Sobrevoaram
Orientes
Navegaram
Horas
Ofertaram
Sementes.

Wasil Sacharuk

SERENA FLOR


SERENA FLOR

Sereníssima flor
Estação morena
Retrato de amor
Expresso em poema
Negação da dor
Alma serena

Folia de versos
Lapidando a cena
Ocultando dispersos
Relíquias de Lena.

Wasil Sacharuk

Vigília


Vigília

No inverno
prevalece o silêncio
nessas noites abandonadas
de bocas mantidas caladas

Acendo o incenso
e sinto o aroma queimado
que toma o escuro imenso
enquanto penso
repenso
e executo a vigília

Encho de vida a ilha
no momento
de escrever a poesia
nas sombras da noite vazia

Na vigília o movimento
o intento
um olho fechado na utopia
e o outro atento
vigia...

Wasil Sacharuk




Viagem, acrostical movimento

Viagem?



Voa


Investindo


Alturas


Ganha


Eterno

Movimento...

Vagando


Instantes


Afins


Gerando


Esse

[b]Momento...

Viração


Instintiva


Animal


Grunhindo


Energia

Mundana...


Viaja


Inventando


Amando


Gamando


Enrolando?

Morrendo...

Viagem?


Wasil Sacharuk - maio/2009

Rita


Rita

Vou te mandar um buddypoke
minha amiga Rita Cadilac
com aquele beijo de esquimó

Desejei te dar um toque
todo dia é um novo atraque
e no fim tudo vira pó

Mas quem vai do samba ao rock
como rainha do balacubaco
não fica antiga nem vive só.

Wasil Sacharuk

Ao amigo poeta


Ao amigo poeta

Sabes, querido irmão
raça da minha raça
o que quero te dizer é
que aqui deve ser o paraíso
e se não é, a culpa é nossa
uso dez por cento da capacidade
e me sinto um otário
explodindo meus raios
várias vezes no mesmo lugar
então caio na cama, doente
dor nervosa, dor de dente
várias vezes no mesmo lugar
explodindo meus raios
e me sinto um otário
uso dez por cento da capacidade
e se não é, a culpa é nossa
que aqui deve ser o paraíso
o que quero te dizer é
sabes, querido irmão
raça da minha raça...

e com toda nuvem que passa
aumenta a dor no meu coração
amigo, como perdemos tempo
escrevendo poesia.

Wasil Sacharuk

Amor platônico


Amor platônico

Te resgato do mundo das idéias
da perfeição do espaço
da beleza em luz esculpida
fogo fátuo da vida

Te faço envolvida num laço
protagonista de uma odisséia
transfundida nas minhas veias
tatuada em meu braço

Te jogo na idéia atrevida
em fabulosa acolhida
no vale onde a vida semeia
seu eterno abraço.

para Dhenova

Wasil Sacharuk

Uma vez na vida



Uma vez na vida

Em toda essa tua vida
Me verás uma única vez
Sou como Halley, o cometa
porém visto uma roupa preta
e vou te visitar esse mês
para cumprir a tua despedida.

Wasil Sacharuk

Cavaleiro do céu


Cavaleiro do céu

Se você, atentamente
observar o azul do céu
verá um poeta guardião
junto a um cavalo alado

E se o céu ficar nublado
risca poesia na imensidão
pois lá não existe papel
é inspiração, somente

Quando a luz é ausente
contempla a musa sem véu
rabisca versos de paixão
e faz o mundo iluminado.

Wasil Sacharuk

Fio da meada



Fio da meada

Não sei se era noite ou dia
sofri um blecaute do pensamento
mas sei que perdi o fio da meada

E já não tenho certeza de nada
Não sei bem ao certo o momento
quando fiquei com a mente vazia

Mas lembro de algumas poesias
nas folhas do caderninho sebento
quando dormi no chão da sacada

E acordei com a memória falhada
vai ver bati a cabeça no cimento
perseguindo as minhas utopias

Entretanto eu curei da rebeldia
e isso deve ser algum incremento
pra viver com uma mente lesada.

Wasil Sacharuk

Nosso corpo



Nosso corpo

Nosso corpo
é real ficção
verde amarela
verde azul
Nosso corpo
é um, sim, um
que quando une
dá um baita zoom
e explode, cabrum!
é aquela confusão
de mão com mão
de pé com boca
de boca com coisa
de boca com boca
praticando magia
tentação em poesia
caldeirão de delícia
de eloquência e carícia
Nosso corpo é coesão
a dança louca
sempre pouca
mas com emoção
sensação
paixão
e eco.

Wasil Sacharuk

Ponta do pavio



Ponta do pavio

A voz do povo anda dizendo
que eu fiz contrato com o diabo?
Eu penso que não
lavo minhas mãos
Pois nunca deixei aberto
e jamais fiz promessas
não sou metido a esperto
mas sou do avesso
do lado que presta
e a única tribo que conheço
é a de gaúcho xucro do rincão
Se eu tivesse que deixar a musa
largada na contramão
não seria com bucha de canhão
de uma fraqueza obtusa
e mente confusa
com falta de apreço
e que paga o preço
para criar confusão

Ah, não conheço o capeta
e desconheço contrato
não fiz nenhum trato
e estou fazendo careta
escorregando a caneta
e destilando veneno da negação
Ô pobre diabo
eu sou só o Wasil
então vai pra ponta do pavio
e até outro dia
pois o meu negócio
é só poesia.

Wasil Sacharuk

Uma noite sem letras


Uma noite sem letras

Por vezes fica tão tarde
na noite escura da vida
o poeta nem sente a ferida
e larga os versos de açoite
esperando o sol que não arde

Talvez desista da guerra
que vem com um longo dia
enquanto outra noite tardia
é insistente e renasce
e acalma a alma da terra.

Wasil Sacharuk

Amor incondicional

Amor incondicional

Amor incondicional
é tal poesia
absorvida na fantasia
concreto de utopia

Amor incondicional
é um abuso
desmedido clichê
batido pelo uso

Amor incondicional
é toque sem retoque
é um nome de blogue
e a busca do iogue

Amor incondicional
não existe
não insiste
não resiste

apenas persiste...
persiste...

Wasil Sacharuk

Na guerra e na paz

Que venha
tal parideira da paz
para fertilizar essa terra
e que tenha
a precisão de quem faz
as táticas de guerra

Quando viram os ventos
e a paz é ultrajada
serão breves momentos
e até talvez seja nada

Que venha
novo tempo mais capaz
o desenvolvimento não erra
e que tenha
o senso mais eficaz
que um acordo encerra

E naquele exato intento
quando a guerra é travada
sempre surge um rebento
de promessa renovada.

Wasil Sacharuk - junho/2009

Shangri-La



Shangri-La

Na junção das serpentes
ejaculamos nosso veneno
na cara do preconceito
erramos o "caminho direito"

no nossos toques serenos
misturamos as sementes
em Shangri-lá haverá outra gente
com discurso mais ameno

e por lá daremos um jeito
de viver o amor mais perfeito
lá é benvindo o que é diferente
amor entre homens não é obsceno.

Wasil Sacharuk

Sábado de sol

Sábado de sol

Sabado de sol
encontrei um motivo
tomei um coletivo
com Paulo viajei!

Rodei a catraca
fugi com a macaca
fumei bosta de vaca
sob a luz do astro-rei.

Wasil Sacharuk - maio/2009

Emoldurado

Emoldurado

Eis que brota frio intenso
do teu olhar congelado
talvez abstrato ou caricato
dissimulado ou pretenso

Mas agora sobrevive enquadrado
e talvez por isso não cansa
mas que ainda revela a pujança
que decora o sorriso forçado

Hoje tua presença é lembrança
confinada num porta retrato
uma fronteira com o passado
residente nessa  distância.

Wasil Sacharuk
junho2009

À deriva


À deriva

sem porto
sem cais
sem mais
100 nada +
meio
mor

ta


meia

vi

da
um tanto
to

r

ta
só na paz.
sem nada, no mas

s o l t a

na

ave
n

ida



Wasil Sacharuk - junho/2009

Bilhete


Bilhete

Bom dia, querido
Deixei esse bilhete
junto às tuas poesias
com a certeza que lerias

Na cozinha deixei leite
queijo
e teu biscoito preferido

te trarei um presente
um longo beijo
com um toque colorido.

Wasil Sacharuk

Para lacerar minhas defesas



Para lacerar minhas defesas

Viestes
para lacerar minhas defesas
e me fizestes silenciada
servida como sobremesa
com os olhos vendados
e amordaçada
queria gritar teu nome
mas não dizia nada

Insistes
em me mostrar tuas proezas
e eu me vi encurralada
larguei da delicadeza
com os olhos fechados
e algemada
para saciar tua fome
e me fazer desvairada.

Wasil Sacharuk

Às avessas



Às avessas

Quando perco oos sentidos
nos vales da sedução
eu sou uma alucinada
uma fera sem noção
ofereço os meus gozos
aos grilos da tua cabeça
e fantasio isso tudo
antes mesmo que aconteça

Eu fico entorpecida
nos toques da tua mão
e te conduzo à entrada
já não digo mais que não
e te ofereço meus gritos
para que não me esqueças
insinuo uma antítese
para que leias às avessas.

Wasil Sacharuk

Nancy




Feliz ani

versário



e poesia, sempre mais,

poesia



nikkei?


nissei?


sansei?


yonsei?

Não sei!



Só sei que é Nancy

não sei se é daqui


mas vi nuns poemas

que andei lendo por aí...

Wasil Sacharuk

Luscofusco



Luscofusco

Desclareza inconfusão
a copiar luscofusco

durante sete segundos
momento crepúsculo
mata a clareza do mundo

noite da imagem
sobre a dúvida do dia
sete segundos de apatia
o que move
é miragem.

Wasil Sacharuk

Solicito



Solicito

Solicito
depois grito
e conquisto
a revolução

Soldado aflito
é rendido
ao inimigo
como bandido
sem devolução

Solicito
depois incito
e não desisto
da razão

Resignado espírito
perdido
incontido
sem sentido
sem noção.

Wasil Sacharuk