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Versos Daninhos

Versos Daninhos

E te vejo cá, tão célebre e insana
Empunhando na foto aquela latinha
Torturando sem dó o discernimento
Dos que vivem à sombra do lamento

Quem não bebe esse sangue, definha
Mais forte que a luz é a sede sacana
Poderás abraçar o diabo com gana
Em meio a um fogo de erva daninha

E como estás livre do tal julgamento
Como a picareta num céu de cimento
És notória antitese de uma fadinha
De asas abertas num inferno de lama

Pois é na poesia que a lua reclama
O dedo apontado como uma varinha
Revela o risco de um corte sangrento
Parindo da noite um novo rebento

Mas quando palavra se faz artimanha
No rastro das rodas da tua caravana
Tua arte insinua secreta e cigana
Os versos ocultos por fora da linha.

Wasil Sacharuk