Meus velhos cacos

fotografia de Célia Domingos


Meus velhos cacos

Se me desgarro da ventania
ronca a bomba das velhas tristezas
busco os sorrisos nas cercanias
no rincão que é o pago 
das minhas belezas

quando cai a noite na estância
a cordeona chama a dança
o guaipeca, a prenda e as crianças
alegria ao luar da querência

o mate da noite ao pé da coronilha
a prenda me balda 
no abraço apertado
o cambicho segue alvorotado
se esparrama por toda a coxilha

dou de laço na vida xerenga
no revesgueio dos velhacos
não levo vareio nem fico capenga
acolhero os meus velhos cacos.

Wasil Sacharuk

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