Levantando poeira


Levantando poeira

A nativa milonga é parceira
Faz bruma de toda lembrança
Desencilha a eterna saudade
Roça o mato da indignidade

E no pago brota a esperança
Sossegando a vida estradeira
Confinada nessa mangueira
Toma trago e enche a pança

E se joga o osso na maldade
Sem capatazia e propriedade
Se puxa a prenda na dança
Num galpão levantando poeira

Na gargalhada de uma vaneira
A dor da distância não rança
Ronca a cuia numa amizade
Cumpre a tradição altaneira

E quando a carcaça descansa
Encrespando a peleia da idade
No prumo da última verdade
Onde a lida da alma é mansa.

Wasil Sacharuk

Inspiraturas