Solta os cabelos e segue

Solta os cabelos e segue

No meio da noite abri o caderno
riscado de versos e letras tortas
juntos traziam a chave da porta
que me levou por fim ao inferno

Em prosa agressiva e poesia obscura
camufladas nos cabelos vermelhos
várias faces em muitos espelhos
como projetos da própria amargura

Solta os rubros cabelos
nos ventos da liberdade
se nada valem meus desvelos
contra o império da tua verdade

As palavras golpeam insanas
como faca da contrariedade
erguem a flâmula da falsidade
cortam as promessas com gana

Um jogo que amplia os reflexos
de uma única imagem refletida
liberta a demanda proferida
um universo dos mais desconexos

Solta os cabelos de rubra cor
atendas a tua necessidade
se não entendes o meu amor
esqueças minha cumplicidade

A lágrima na página manchada
foi morar no caderno fechado
versos da ira com gosto salgado
fazem do tempo o percurso do nada

O poema rasga num tom abstrato
 convite interpretado como pedido
tal tesoura que divide o retrato
tal o resgate de um anjo caído

Solta os cabelos e segue
procura a tua felicidade
se o amor chegar, não negue
enquanto vivo da nossa saudade.

Wasil Sacharuk

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