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Abstração

Abstração

O que brota dessa pluma
Jamais é inscritível...
A semente abre sempre
Eis uma nova abstração
Que renega aos critérios
De qualquer filosofia
E relega ao mistério
Qualquer vã ontologia
Choca contra o universo
Que tem tanta alienação
Mas quisera que o rebento
Fosse mais fácil, incrível
Bem pautado nos ditames
De uma doutrina mais crível
Determinista ou moralista
Uma dezena ou um milhão
E erguida no cinismo
De qualquer sabedoria
Empresta as certezas
Ao que tem vida vazia
Pois esguicha bem na cara
Da mais frágil noção
As palavras reveladas
Com sentido invisível
Arrancada dos segredos
De um deus invencível
Basta apenas um pedido
Pra gozar na razão
E parida nos caprichos
Dessa lírica mania
Sem juíz e nem religião
Sem lei e sem guia
Tão inóspita e insepulta
Sem casa e sem chão.

Wasil Sacharuk