Como se fosse planar


Como se fosse planar

Alma gêmea, espero
o dia em que despertarás
beijarás meus olhos
meu nariz e queixo
e acordarás impaciente
com fome de amar

Cortarás as muralhas do dia
lâmina das asas abertas
a procura de novo alimento
serás saciada num beijo
que riscará no céu um caminho
rasgará o teu riso no ar

Sobreviverás das provas
dúvidas e certezas incertas
pois nenhuma verdade é abrigo
então logo te deixo
voares ligeira tal águia
cortando meu céu e meu mar

Perpassarás grotesco concreto
entre verdades encobertas
rirás louca das morais sem calça
e pisarás descalça nos seixos
a esmagar duras pedras
como se fosse planar.

Wasil Sacharuk

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