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Arremedos


Arremedos

Do pó esfumaçado
Que estas palavras evolam
Respiro as cinzas remotas
Que os meus dizeres calaram

Das chagas abertas nestas mãos
Escorrem as gotas que lavam meus dedos
Pungidas destas veias que levam meus medos
Finalmente trazidas a vida, por estas palavras

A palavra na cara escarrada
Desterrada de sete palmos de segredos
Na ceifa da língua articula arremedos
Que rasga a couraça, meu tudo e meu nada

A mão trêmula que desgarra as palavras
É a mesma mão de um agir obtuso
Do verso que traz meu reflexo confuso
A mão que desata o nó das amarras.

Luciana Brandão Carreira & Wasil Sacharuk