patrocinador

Versos e Rimas - acróstico

Versos e Rimas

Valei-me o verso
Esquartejando a rima
Revelador intenso
Sonoridade e clima
O poema é pretenso
Sombra de obra-prima

Enquanto a musa passeia...

Rimei dor com amor
Imaginei a sofreguidão
Mas não encontrei a cor
A maldita desinspiração...
Sei, não sou escritor.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Limerick express X

Limerick express X

O bigodão nepotista
da academia de letras
é só mais um vigarista
um campeão das mutretas
Que sujeito mais besta!

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

O Grito da Creusa

O Grito da Creusa

Pergunta ao delegado:
bofe, qual foi o babado?

Sabe, guria
o bofe deu maior bafão
o bofe deu a Elza
e deu no que deu
só se ouvia o grito da creusa

Era uma barbie de academia
loura de farmácia
e vivia na muvuca das bolachas

Quando abordei o elemento
já fui dizendo:
tô afim de aquendar o ocó...

Cadê a taba?
Cadê o Paulo Otávio?

E sabes que o bofe deu carão?
Se deu carão
na minha presença
só me resta
enquadrar o indivíduo

Taquei as algemas nele
e disse que o colocaria numa cela
junto com aquele tavlon carimbado

ele vai se foder...

Ai, ai, ai, delegado
arrasou!!! não, não...
abalou!!!


É isso, guria
Se não quer
tem quem queira
então fico com meu demônio
que mais parece um ebó...

ao menos o bofe dá no couro

Ai, tô loka...
essa vida tá um uzê
e muito me admira que
enquanto conto
tu ficas aí... zalene.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Sentimento Improvisado

Sentimento Improvisado

Só nos resta a rendição
ao sentimento relatado
o poeta grita com a mão
nas batidas do teclado

Soneto que porta emoção
poema de encanto rimado
a vida é uma contradição
não há o que ser explicado

A arte explode quartetos
rasga o verso em tercetos
a cria é soneto iluminado

O verbo expande o soneto
não é diagrama de Pareto
é só sentimento improvisado.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Dança e duelo tal a esgrima


Dança e duelo tal a esgrima

Vinguei demônios do conhecimento
em silogismo traduzido em poesia
vendi minha alma de graça à mania
rimas obscuras sobre um argumento

Diluí meus hormônios em lamento
em um verbo firmado na feitiçaria
acusado de líder antidemocracia
com falácias, fofocas e excremento

Um poeta precisa fazer sua parte
dizer o que quer em forma de arte
em dança e duelo tal a esgrima

Um poeta precisa esculpir a beleza
no trato amável à Língua Portuguesa
e trazer mais do que verbos na rima.

Wasil Sacharuk

AO SOM DO TANGO

AO SOM DE UM TANGO

Afastadas todas as mesas
O lugar se encheu de certezas...

Saíram todos os parceiros
O barman cochilou no banheiro
Mas dança ganhou a leveza

Dançamos entre cadeiras
"El día que me quieras"

Um disparo fez eco no salão
Morta, estavas caída ao chão

Belo estava o teu semblante
O olhar de quem parte feliz
Lindo brilho de diamante
E o contorno de giz
Resolvi viver bem distante
Onde ninguém me torce o nariz.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Soneto da Saudade Hermana

Soneto da Saudade Hermana

Querido poeta de Cruz Alta
como resposta eu te ofereço
a confissão de que fazes falta
nossa amizade não tem preço

O nosso baile sem tua presença
é como guasca solito na vaneira
a minha arte sente a diferença
falta o gosto de poesia caseira

Todo santo dia escrevo um poema
e publico enquadrado no esquema
encontro no amigo a leitura ideal

Enquanto o amigo revia conceitos
senti a saudade roncando no peito
o churrasco na brasa assava sem sal.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Ainda balança mas não cai

Ainda balança mas não cai

E nesse tempo tão cristão
mais um ano que se vai
então recomeça o calendário

A cueca amarela no armário
ainda balança mas não cai
num lindo saquinho de algodão

Não se fez nem se faz revolução
só ficamos naquele ai, ai, ai
e eu não vou ser retardatário

Sou bom consumista e usuário
no ano que entra ano que sai
vou fazer dupla comemoração.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

EU NÃO QUERO SABER - acróstico

Eu não quero saber

Encontro no caminho
Um galho repleto de espinhos

Não! Só quero a rosa!
Assim não vivo sozinho
Oscilante entre o verso e a prosa...

Quero uma paisagem
Um vislumbre da minha janela
Empreender a viagem
Rosa, quem cuidará dela?
Outro rei, príncipe ou pagem?

Somos da mesma engrenagem
As molas tensionadas por ela
Bilhetes da mesma passagem
Então, que saibas minha bela:
Rosa, és a minha ancoragem.

Wasil Sacharuk

Maltrapilho

Maltrapilho

Transmutei sina em trocadilho
com certo poder de abstração
estive poeta estive andarilho
tomei rumos dispersos sem reunião

escrevi um poema maltrapilho
equivoquei o juízo da razão
já não sei se sou pai
e se ele é meu filho
não sei se sou cria
ou ele é criação

de algum sentido esfarrapado
risquei alguns versos desmetrificados
nasceram diversos
nenhuma emoção

dos meus argumentos equivocados
juntei as falácias
fiquei enrolado
apenas premissas
sem conclusão

wasil sacharuk
Imagem 3223

Música dos Anjos

Música dos anjos

Notas doces
Harmonia no arranjo
Perfeição e delicadeza
Alegria com certeza

Belas vozes
Maestria do arcanjo
Sensação e beleza
Sinfonia da destreza

É a música que não cala
É a canção dos anjos que exala
É a viva dança dos planetas
Anunciada no som das trombetas

Suave melodia
Noite e noite dia e dia
Afeição na parceria
Emoção pura e tranquila

Adorável parceria
Quente e quente fria e fria
Com música e poesia
Criação da arte efusiva

É a música que se aprende
É a canção dos anjos
E o coração na mão

É a música que surpreende
É a emoção dos anjos
E a alma na audição.

Dhenova & Wasil Sacharuk
abril 2009

Eu errei...

Eu errei...

Ah! Meu amado
em respeito à comunhão
para não ver-te ferido
prefiro manter-te marido

Fugi dos ditames da religião
quando ocultei o meu pecado
um simples deslize alucinado
sucumbi ao convite da paixão

Depois de ter refletido
em busca de algum sentido
fiz-me passiva da submissão
quando conheci meu namorado

Um menino sério e centrado
com grande poder de sedução
um tanto incompreendido
mais um garoto perdido

Ele teve o controle na mão
deixei meu recato de lado
gostei do seu jeito abusado
e fui tomada pela sensação

Ontem ele foi preferido
adorei seu toque atrevido
incendiou-me de tesão
tive meu corpo devorado

Que não fiques zangado
com essa minha confissão
espero que seja absolvido
o meu adultério incontido

O matrimônio é instituição
união em um laço sagrado
e deus deve ter perdoado
agora falta o teu perdão.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Da Solitude


Da Solitude

Da solitude sou voluntário
não considero tudo que vejo
munido da plena consciência
dissolvida em obsolescência

Fui um escravo do desejo
fui prior e fui templário
fui de um mundo imaginário
fui pregador do desapego

Nas conclaves da indecência
forjei união de fé e ciência
das maldades sei o segredo
meu olhar se fez visionário

Fui mais outra vítima do medo
fui guardião do meu relicário
fui mancebo do rei ordinário
fui a imagem de um arremedo

Da vida aprendi a urgência
que a busca não finda cedo
e que sou o rebento diário
recriado da própria essência.

Wasil Sacharuk

Um Domingo Diferente

Um Domingo Diferente

Perdoem-me os infelizes, mas estou feliz.
Perdoem-me os surdos, mas tenho ouvido canções de amor.

Quanto aos invejosos, inveja não tem perdão...

Perdi a direção, mas escapei por um triz,
Perdi o meu escudo, mas eu fugi dos rincões da dor,

Quanto aos chorosos, choro não é mais do que emoção...

Perdoe-me o Mago, mas sou seu gnomo aprendiz,
Esse poema que lhe trago, ganha corpo e professor,

Quanto aos desgostosos, só perdoa quem tem coração...

Abri meu coração, foi o melhor que fiz,
Lancei a voz no mundo, encontrei o amigo escritor,

Quanto aos escabrosos, são uns velhacos sem noção.

Decimar Biagini & Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Se eu fosse o luar

Se eu fosse o luar

Se eu fosse o luar
as tuas longas noites
não seriam assim, tão azuis

Meu poder sobre as marés
iluminaria alguns requintes
somente para te embriagar

Te convidaria a naufragar
deslizar como peixes
muito distantes do cais

Enviaria os sinais
acendendo meus feixes
tentando te provocar

Assim poderia mergulhar
nos teus olhos de açoite
carrascos da minha fé

Mas sei que a lua não é
dona de luz suficiente
para te conquistar.

Wasil Sacharuk

Flanando - acróstico

Flanando

Flutuo mil pés sobre a rua
Lancei minhas asas vadias
Asas abertas e alma nua
No colo da lua e no brilho dos dias...
Adormeci sobre o solo fecundo
Naveguei numa tábula vazia
Descansei sobre o mundo
Onde eu vi a sublime poesia.

Wasil Sacharuk

Haragana


Haragana

Ah!, paisana
compreendo tua idolatria
e te perfaz o pensamento
riscar em prosa o rebento
disfarçado em poesia

Tão insana
pagas noites com dias
guacha de discernimento
costuras rimas com tento
e enfeitiças a utopia

Não te enganas
no rumo das cercanias
trocas o chão por cimento
da milonga fazes lamento
com letra xucra arredia

Como prenda haragana
no esteio das regalias
engarupada no vento
num trotezito mui lento
foste encontrar alegria.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

ODISSÉIA DAS LETRAS - acróstico

Odisseia das Letras

O nome, o adjetivo
Discurso, prosa e poesia
Indicativo e subjuntivo
Santíssima glossolalia
Sem intenção ou motivo
Envolvem um mundo de ideias
Interpretação e improviso
As letras em plena odisseia

Dentro do livre combate
A fogueira da musa arde
Seu coração bate e bate...

Letras derrubam o muro
Em volta da realidade
Tramando um novo sistema...
Reinventando tudo
A mente que a verve invade
Seara onde nascem poemas.

Wasil Sacharuk

VERSOS DE AMOR - acróstico

VERSOS DE AMOR - acróstico

Vozes hipnóticas no recital
Entoavam versos de amor
Rimas belas ao natural
Sons ricos de clima e cor
Ondas poéticas no madrigal
Secaram as lágrimas de dor

Durante as noites mágicas
Ecoam letras cômicas e trágicas

Assim nasceu a eterna poesia
Moveu as asas da inspiração
Ora era triste, ora alegria
Rima e contraponto ao coração.

Wasil Sacharuk
dezembro 2009

Esculpidas nas sinas

Esculpidas nas sinas

Escrevi meu rumo em tautograma
acrostiquei com mil demônios
risquei um poema deitado na cama
imprimi com hormônios

Esgotei a rotina
da velha rima
da dor e amor
com amor
e com dor

Brinquei com as letras
construí mutretas
e compus parcerias
com mestres da poesia

Dilatei a pupila
simulei na retina
estrofes esculpidas
sucumbidas
na sina
das vidas.

Wasil Sacharuk

A cor dos sonhos

A cor dos sonhos

Dos sonhos guardei as cores
Sonhei debruçado na janela
Pintei as cenas de aquarela
Nas cores vivas dos amores

Senti o meu mundo mais belo
E vi imagens de pura alegria
Vivi um amor de linda poesia
Lembro que era o sonho amarelo

E no sonho que vi esverdeado
Um equilíbrio para a vida dura
No amor encontrei a cura
Que colou meus cacos quebrados

E tive um sonho de insanidade
Eu via meu rosto no espelho
Sob um filtro espesso vermelho
Que escondia a sensualidade

Também tive um sonho azul
Eu passei minha vida atrás
Encontrei nas terras do sul
O amor que me trouxe a paz.

Wasil Sacharuk
abril 2009

Churrasco

Churrasco

O chamado para a indiada
Um convite para os hermanos
O calor desprendido da brasa
E os guaipecas na volta da casa

Têm alemão e italianos serranos
E os índios da nossa invernada
E enquanto a carne é assada
Milongueamos com os castelhanos

E na amizade que não se defasa
Nem carancho se esconde na asa
O peão se distrai haragano
E acolhera a toda a tropeirada

E vai a trote na nossa cavalgada
Liberdade de qualquer orelhano
A costela que sempre repassa
Enquanto a paleta ainda assa

Misturada ao calor humano
A fumaça da lenha queimada
Afugenta qualquer desengano
E enaltece essa terra amada.

Wasil Sacharuk
abril 2009

Meus Tons

Meus Tons
 
Algo em mim tem tom lúgubre
Caverna escura insalubre
Para guardar os meus eus

Também cintilo um tom vivo
Um certo calor radioativo
Retido sob os meus véus

Minha face é tão pálida
De melanina inválida
A clarear os meus céus

Meu sentimento é tão blue
Rústico, ríspido e cru
Matizes frios dos meus breus

Eu me dissolvo nas cores
Máscaras das minhas dores
Em tons que não são meus.

Wasil Sacharuk
abril 2009

Do pó de pirlimpimpim

Do pó de pirlimpimpim

Sejas transparente
não dissimulada
não te faças de inocente
com cara de coitada

E nem tentes
jogar o mundo
contra mim
pois no fim
o detergente
solta o resíduo imundo

Não sejas a semente
que brota fofocalhada
não sejas serpente
de língua envenenada

Sejas coerente
por um segundo
e faças assim:
do pó de pirlimpimpim
faças um sumiço al dente
e comas no prato fundo.

Wasil Sacharuk

Língua nas Letras - acróstico

Língua nas Letras - acróstico

Linguativa
Iconogramática
Nargumentativa
Gramosemântica
Ultraformativa
Alfabeticolástica

Na ponta da língua
Aquela sensação...
Semântica à mingua

Literadura
Estrabicológica
Tragicultura
Retroretórica
Analfabetura
Semanticobólica.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

ENCONTRO FRATERNO - acróstico

ENCONTRO FRATERNO - acróstico

Enlaçados os braços
Num encontro fraterno
Cafunés e abraços
O instante mais terno
No amparo dos laços
Tão concisos e internos
Restritos ao espaço
Onde o irmão é eterno

Faz do caminho
Rota de amizade
Ao que vive sozinho
Tonto pela cidade
Ensina a ser passarinho
Redescobre a vontade
No calor de um ninho
O amor de verdade.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

O que dizem que existe, existe sim...

O que dizem que existe, existe sim...

Se fosse mera invenção
uma ontologia divina
livre seria o vivente
a verdade seria aparente

Da idade de trevas
veio a dominação
o que dizem que existe
existe sim...
na imaginação

Quem mira o céu imagina
que há um pai da criação
que fez do humano irmão
e que controla toda sina

Da futilidade de eva
de costela de adão
o pecado que existe
existe sim...
é a manipulação

Toda crença seria genuína
mais atitude menos oração
sem maldade preexistente
nenhum ateu nenhum crente

A utilidade da queda
é o anjo caído no chão
se diabo existe
serve ao fim...
da religião

A gerência da fé peregrina
só favorece esse mundo cão
inteligência na inquisiçao
quando calada não vaticina.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Mago das letras

Mago das letras

Delegaram-lhe a alcunha
o tal Mago das Letras
e confirmou na poesia
que não é dado a mutretas

quando a rima conversa
e declama
a arte honesta
é reversa
engana

já matou leão à unha
nem precisou fazer careta
é fechado contra bruxaria
abateu o boidacarapreta

quando a sina engasga
retranca
o mesmo poema
que rasga
destranca

quem o conhece testemunha
que já viu céu e sarjeta
mudou o norte da estrela guia
mais rápido que um cometa

quando a vida reclama
esperança
a história escrita
na lama
descansa

nenhuma questão acabrunha
os versos que a vida arrebenta
dos reversos ele faz alquimia
em toques de tecla ou caneta

quando a musa canta
não cansa
a deusa das letras
que dança
encanta

wasil sacharuk

blog (2)

Onde escondi o tesouro - acróstico

Onde escondi o tesouro

Ocultei na cozinha
No último setembro
Detrás das latas de sardinha
E só por isso ainda lembro...

Estará bem guardado
Sumariamente sumido
Com cuidado embalado
Obviamente escondido
Num papel estampado
Desenhado e colorido
Inacessível e lacrado

O tempo, como sempre, passa...

Talvez o segredo algum dia
Encontre significado
Sementes de poesia
Os dedos bolinam o teclado
Universo de pura magia
Resguardado tal tesouro
Onde moram poemas de ouro.

Wasil Sacharuk

Fabulosa magia - acróstico

Fabulosa magia

Fagulhas do passado
As noites guardam mistérios
Bruxas riscam o quadrado
Ungidas pelo ódio do império
Libertinas tal o pecado
Ousam dizer o impropério
Seus dotes serão queimados
A vontade do clero

Mandrágora da sabedoria
A crença que arde Sofia
Gritam anciãs e meninas
Inquisição cruel assassina
Algoz da magia.

Wasil Sacharuk

Variações Acerca da Ilusão

Variações Acerca da Ilusão

A casa onde mora ilusão
não é um buraco no vão
um argumento destituido
inconsistente e diluído

Não tem no juízo a razão
desconhecimento empírico
sem estatuto científico
desejo de pura expressão

Ilusão tem a cara de musa
de natureza doce e confusa
e insinua a real fantasia

É a mãe do fogo da criação
tem como amiga a inspiração
habita o reino da poesia.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

O Futuro do Hoje

O Futuro do Hoje

Hoje acordei a fluidez
Cores escorriam brancas
Na tela azul daquele dia
Ouvi sorrisos de criança

Hoje rasguei a minha tez
Avancei minhas retrancas
Reli um livro de poesia
Plantei semente de esperança

Hoje chamusquei velhas folhas
Bolhas de sabão eu pintei!
Hoje prometi para o ontem
Não me esquecer do amanhã

Hoje repensei as escolhas
Nas asas da fênix viajei
Ergui a alma sobre o monte
Novo colorido a uma tela vã

A obra, cujo título é futuro
Hoje acaba de ser iniciada
Com pinceladas de verdade
Aladas ondas na própria tela

Vou iluminar o tom escuro
Novo horizonte e nova estrada
Serão os objetos da vontade
Um abraço na vida mais bela.

Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk
novembro 2009

A Língua de Ana - acróstico

A Língua de Ana

Ana conhece os segredos:

Língua solta e fantasia!
Ísso mesmo...
Não acredita?
Glossolalia!
Uma amiga imaginária...
Atômica companhia

Dialética da fascinação
E Ana sabe a razão...

Ana conhece a magia
Navega pelos mundos
Aos auspícios da poesia.

Wasil Sacharuk

Soneto Previdenciário

Soneto Previdenciário

O INSS não cumpre sua parte
só pelas vias do judiciário
faz do enfermo um descarte
espera morrer o beneficiário

O governo garante remédio
e promete a aposentadoria
o vivente morre de tédio
esperando pelo grande dia

Cidadão preso nas malhas
já habituado com as falhas
sem consideração terapêutica

O objetivo previdenciário
entregar o vivente otário
para a indústria farmacêutica

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Coesivos Entantos

Coesivos Entantos

Estelar reluz ente
Reluzidos encantos
Coloridos recantos
amor incandescente

Pois devias saber
contudo,
insistes
não ouvir
meu coração

Metafísica semente
destituídos santos
coesivos entantos
corporeidade presente

Pois farias chover
entretanto,
resistes
em sucumbir
à minha sedução.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

SIGNIFICADO - acróstico

SIGNIFICADO - acróstico

Signo sinal é
Identificado;
Guia geral é
Normatizado;
Intelectual ou
Coisificado;
Acepcional ou
Dicionarizado;
O significado...

Wasil Sacharuk
novembro 2009

O Contrato

O Contrato

A caneta azul...
os rabiscos no papel...
cadeira virada...
e mancha avermelhada

O nobre poeta
foi convidado ao céu
e foi de bicicleta
passou por papainoel

Na entrada cantaram hino
jingle bell jingle bell
junto a um anjo menino
de alcunha Capetael

Agora era menestrel
e correu entre flores
suspirou os odores
e escreveu um cordel

Durante a noite
pulou a grande fogueira
amanheceu na brincadeira
com o amigo Capetael

Apenas algo era certo
não era o céu conhecido
mas um paraíso aberto
mais bonito e colorido

O poeta se viu seduzido
e fez o poema da sina
brilhou em cada rima
por fim foi reconhecido

Foi um homem de sorte
só lhe faltava a morte
e Capetael era velho amigo
de um século antigo...

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Lágrimas de Vidro - acróstico

Lágrimas de Vidro

Luminosos cristais
Águas gélidas salgadas
Granulados minerais
Ruínas sedimentadas
Intensas ou apenas banais
Mas totalmente paradas
Assumem modos formais
Se não forem arrancadas

Do sopro vem a areia
E vidro de lágrima mancheia

Vertem sais nos canais
Inundando estradas
De pedras roladas
Risos que não voltam mais
Oprimidos pela maré cheia.

Wasil Sacharuk

Crisálida... Um Acróstico

Crisálida...

Coberta na pupa de raias douradas
Revolveu-se a futura borboleta,
Invocando o direito à liberdade...
Sentiu as asinhas amassadas
Alaranjadas com pintas pretas
Lançadas ao vento da cidade...
Incrível! Menina danada!
Deixou a casca obsoleta
Aos desígnios da fatalidade.

Wasil Sacharuk

Com Cara de Pina Colada

Com Cara de Pina Colada

Cheguei nesse bar na madrugada
estava sozinho e lavei alguns copos
e os emborquei em frente ao espelho
fechei a janela e desliguei o aparelho

Na gaveta só havia algum troco
uma nota de cinco toda amassada
de alguma carteira foi expatriada
talvez de boêmio, poeta ou louco

E ainda bati no balcão meu joelho
segurei o chaveiro de pé de coelho
soltei um grunhido seguido dum soco
parece que a sorte pegou a estrada

E frente ao pior isso tudo é nada
juntei algum rum no leite de coco
ficou parecido com pina colada
no terceiro copo baixou o caboclo.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Limerick express IX

Limerick express IX

O pingucento do sapo barbudo
exalta aquela vaca de peruca
com o discurso besta e sisudo
e a impávida cara de maluca...
Voto eletrônico não limpabunda!

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Vocabulário


Vocabulário

Leio palavras cegas
sem tréguas
ou regras

apenas uma me engana
na trama
na lama

sussurrada nos versos
de quem me ama

Ainda assim
palavras adentram a noite
são espelhos

e por fim
refletem na pele
o açoite

palavra
irreal dimensão
imita formas e cores
tatos e odores
da paciência à sofreguidão

se palavra
é fato
ou retrato
infiel abstrato
daquilo que a língua
não lavra

palavra...

Wasil Sacharuk

No Breu da Loucura

No Breu da Loucura

Não sou eu um morigerado
na hipocrisia eu não caio
meu raciocínio empoeirado
encara improviso ou ensaio

Eu não estou derronchado
sequer partido por um raio
não sou mártir crucificado
nem no dia primeiro de maio

E quando a sina fica preta
a poesia vicia como boleta
que tanto mata quanto cura

No meu universo das letras
em versos, rimas e mutretas
fiat lux no breu da loucura.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Outra Vida Barata

Outra Vida Barata

Como tolo se viu enroscado
numa maldita engrenagem
voluntário na carceragem
espírito dócil e ultrajado

Rendido às malhas do cinismo
se fez escravo do estatuto
comprou tanto lixo bruto
para servir ao capitalismo

E comemorou com a festa
e decoração para o bolo
vítima de engodo com dolo
cliente do que não presta

Desconheceu o azedo gosto
do seu hálito embriagado
ocultou o pateta enganado
sob a maquiagem do rosto

Trabalhou por um trocado
para gastar em bobagem
e viveu na libertinagem
com sentimento comprado.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Brado

Brado

Bendita!
Baiúca bem bandoleira
beirando baita baderna
balcuciando boas besteiras

Babaquice babilônica
balbúrdia, boatos, balelas
Brasil beirando Babel
baita bafafá... berros!

Bispos batizam bacuris
barganhando bagatelas

Bagulho baixada bem barato
barganhando bagatelas

Barnabés bobos batalham
barganhando bagatelas

Bagunça banalizada
baile barracão
bajulando bacanal
baba baby
bate boca

Bate bateria
batuca
bum bum bum
bota barulho batucada
bota balanço bamba

Brasileira bonita
bota balda
balança bunda boazuda
bole bole balaio
bota banana
bamboleia

Bando bestial
bandidos bizarros
botam banca
bendizendo Brasília

Bondade banida
Bandeira brasileira
beirando bancarrota

Bom, brasileiro bacana
benevolente bocaberta
bebe barril birita bagaceira
bafejando budum...

Bonança!
Bom botar beiços bipartidos
baseado boleado
bota brasa
bota barato!

buuuuuuuuuuu!

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Lanterna do destino

Lanterna do destino

Brilha nos olhos de um menino
bem mais do que vã promessa
a vontade de ser real cidadão
pelas vias da melhor educação

Nas trevas de uma ética avessa
sem o raio de liberdade do hino
sem as letras na luz do destino
até que essa vontade esmoreça

O ronco da fome é a motivação
é bem mais fácil roubar ao irmão
deixar a loucura subir à cabeça
pois o poder só faz o escrutínio

Quiçá um dia o milagre aconteça
e se prevaleça o valor do ensino
com educação todo ser é divino
e cada um a si mesmo conheça.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Limerick express VIII

Limerick express VIII

O traidor de nove dedos
e o amigo mafioso italiano
juntos escondem segredos
sempre arquitetam o plano
e vale até dedo nos óio.

Wasil Sacharuk

Vertente

Vertente

Será o poeta...
um mero esteta
que finge o que sente
um coração ausente?

Se finge o que sente
logo, sente o que finge
está totalmente presente
ou, até mesmo, restringe

Em qualquer signo
deságua uma fonte
o coração é o desígnio
a poesia é o horizonte

Em qualquer obra
infiltrado o sentimento
que falta ou que sobra
na vertente do momento.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Famigerada figura

Famigerada figura

Famigerada figura
feneceu feio
feito fome
fazia furor febril
face fervente
foi fanático
fomentou fúria
foi fervoroso feito fé
fumegante feito fumaça
flamejante feito fogo
fogo fátuo
foi funesto fato

Famigerada figura
forçou felicidade
forçou...
felicidade finalmente
fez foguinho fraco
faiscou fagulhas feridas

fez fabulosa fortuna
financiou farras
fanfarras
fisgou fêmeas fadadas
famosas financiadas
fantásticas formosas
fodedeiras frescas
feito fúteis fadas
fumegando falos

faliu fábricas
forjou falácias
falsificou
foi facínora
formou falanges

Favoreceu falsidades
fez feitiçarias
finalmente foi fisgado
fichado

fígado foi furado
faca faiscante
fincada fundo
facada fatal

finalmente
faleceu
fatigado

Feneceu faceiro
foi feliz
foi fácil
foi fagueiro

foi famigerado fariseu
fiel fanfarrão
fatalmente
fará falta.

Wasil Sacharuk

Ganhei presentes...


-------------------------

Wasil

Mais um ano que completa
a magia de Wasil
mago,músico e poeta
o melhor de meu Brasil

Palavra doce e de magia
versos amigos
que nos dão o ombro
palavras duras e do dia-a-dia
que nos causam certo assombro

Entre a tristeza e a alegria
baila a pena sobre o papel
eis que surge a poesia
Sacharuk,presente dos céus....

Heitor Murai

-------------------
SACHARUK - UM VIVENTE BAGUAL

Conheci um lobisomem
Meio poeta meio artista
Meio pai meio homem
Meio ateu meio humanista

Meio bruxo meio pessimista
Meio louco meio mago
Com poemas a perder de vista
Meio pouco meio sábio

Meio tudo meio anarquista
Meio ogro meio violinista
Meio mudo meio otimista
Meio lodo meio perfeccionista

Meio lúdico meio contista
Meio púdico meio sonetista
Meio sádico meio masoquista

Mas acima de tudo
Um completo amigo
Então eu o ajudo
A matear consigo

Enquanto ele lê meus versos
Em homenagem ao seu aniversário
Queria dizer que sou meio otário
Pois deixei passar um dia para meus manifestos

Parabéns Wasil Sacharuk

Decimar Biagini 05/11/2009
---------------------------
Oi Sacha !

Um dia .
Um homem
Com jeito de Mago
Como por coincidência
Em nossas vidas..
Apareceu

Nos auxiliou
Criou confiança.....
Deu asas...
Batemos em lindo voo

Hoje
amadurecida
Agradeço-te de coração
essa ajuda sem intenções
Fez brotar amizades
Um novo sol
No céu de esperança
De nosso grandioso Brasil.

Ana Maria Marques
------------------------
Para o seu aniversário...

Um poeta, eu acredito,
jamais aniversaria...
Vira a página do escrito,
e compõe nova poesia,
transformando o manuscrito
em novo som e harmonia!

Desejo isso a você mano Wasil:
Muitas transformações, muita harmonia...
Muitas novas descobertas, muito amor, muita alegria...

Sonia Tarassiuk
--------------------------

UM SONETO COM O POETA SACHA

Sacha veio de um tempo
Em que as estrelas desciam do firmamento
Onde parava-se o vento
Com a força do mais filosófico pensamento

Parceriar com Sacharuk
É como retratar um fim de tarde
É duelo de "gran" mamute
É pisar no chão em alarde

O poeta em sua brilhante companhia
Torna-se herói sem glória
A preencher com letras a vida vazia

A fazer nos versos sua história
No entrelaçar de um soneto
Como se fosse o último dueto

Decimar Biagini
---------------------------------------------O mago

Brinca de inventar invenções
De criar idéias e idealizar sonhos
E nos dá emoções

Fulguram palavras fáceis em poemas
Simples que tornam importantes
E a rima exalta a ti

E o mago usa os poderes que lhe foi dado
A mão então brinca de escrever
E a ordem é ousar

Ousa ao criar, já nem sei o que falar
O que dizer se já está tudo lá no balcão
A cria da perfeição que o poeta sonhou mostrar

Se fosse o feedback de uma existência
Esse seria o Wasil o mago da metalingüística
Da epopéia criada a sua imagem

By André Fernandes
--------------------------------------
Versos para Sasha

Montado em seu baio
Carregando bela princesa
Gaúcho que carrega o raio
Das palarvras de imensa beleza

Introspectando com chimarrão
Pensando na bela poesia
Dedicando a sua amada o coração
Trazendo-lhe todo dia a magia

Trovando na peleja deste Brasil
Insitente, amigo e cordial
Este é o gaúcho poeta Wasil
Sempre inebriante e viceral

Toda beleza das letras soltas
Trás ao seu bel prazer a gramática
Toda pureza da familia envolta
Em toda a felicidade enigmática

(Por Dani Maiolo)
--------------------------

Magias de Sacharuk

Ele se diz obtuso
um cara um tanto confuso
vasto em pensamentos
mas pra falar,é um custo!

Mente vibrante...sagaz
admiro demais este rapaz
Pai afetuoso e doce
amante da bela musa

Crítico,inteligente
ateu por opção
mas Deus o ama muito
fez dele, até canção

Nas tuas músicas,viajo...
nas poesias divago....
vôo alto em tuas letras
piso no chão e te aplaudo!

O cara leciona,escreve....
emociona e compõe
dizem que ele é bruxo
faz de poesia poções....

E nas noites de lua cheia
nos encanta de alegria
nome estranho esse : Wasil
prefiro chamar-te....Poesia!

Márcia de Sá

-------------

Apenas Sacharuk...

W asil...simplesmente,wasil...
A teísmo é sua descrença,
S inceridade pra ele é fácil,
I mpressionante na sua equidiferença,
L iderença nata ,sutíl.

S abemos da sua genialidade,
A preciamos tudo o que faz,
C onquistou nossas amizades,
H abilidoso,sensível,sagaz.
A tivista da sabedoria,
R evolucionário em seus ideais,
U nifica,agrega,alforria,
K arma é sua poesia.

Nenhuma crendice é meu desatino

do livro "Uma Outra Gnose"

Nenhuma crendice é meu desatino

Quero o melhor ceticismo
para reverter toda crença
que não seja só cinismo
que não traga desavença

Quero o caminho alargado
da existência excomungada
planar sob céus de pecado
tal guia pagão na estrada

O seu preconceito
é sua contradição
revelada num hino
na cruz em seu peito
no rosário na mão...

Sou eu mesmo o artíficie
do meu próprio destino

Quero viver o ateísmo
sem ouvir palavras pretensas
contradizer o determinismo
daquele que crê e não pensa

E não preciso ser julgado
por qualquer lei forjada
e só quero ter respeitado
o solo das minhas pegadas

Eu tenho pleno direito
a não ter religião
 e pago caro desde menino
não representa um defeito
ser ateu ou pagão...

E nenhuma crendice
é meu desatino.

Wasil Sacharuk

Nova Ordem da Poesia

Nova Ordem da Poesia

Nova dimensão
Ordem invertida
da composição
Poesia dividida

Nova sensação
Ordem ativa
da reunião
Poesia coletiva

Nova conexão
Ordem repartida
da cooperação
Poesia da vida.

Wasil Sacharuk

Um desejo me consome

Um desejo me consome

Ah! Um desejo
me consome
de beijo
de fome
possuir tua alma
com cortejo
com calma

fazer do desejo animal
algo mais do que sonho
tanto sensual
tanto bisonho

Mas é isso somente
que me nutre e motiva
plantei a semente
de sempreviva
no lindo canteiro
do meu quintal
entre a arruda
o jasmim e a sativa

e espero o fim
do ciclo outonal.

Wasil Sacharuk

Sobreviventes

Sobreviventes

A história é distante
um singular intento
e os fatos são bizarros

Cortei a linha do tempo
na essência de cada momento
habitante dos desterros

E o sol marcou no semblante
sem destino caminhante
junto ao esteio dos carros

Junto a mim aos passos lentos
aqueles outros antigos detentos
os sobreviventes dos enredos

E o sol reinou triunfante
mas não era mais como antes
agora o céu é de barro.

Wasil Sacharuk
novembro 2009

Rico joga damas...

Rico joga damas...

Rico joga damas
é grande estragegista
sabe todas as tramas
joga como um magista

Come peça a peça
do lado do inimigo
e infla até a beça
de vaidade seu umbigo

Mas Rico não é tonto
nunca dorme no ponto
contrataca o adversário
não é jogo para otário

Rico lança a sorte
no desafio intelectual
num movimento diagonal
no rumo de algum norte

Rico é um cara esperto
que sabe gozar a vida
sabe o caminho certo
para ganhar a partida

O segredo da vitória
é respeito e cortesia
escrever uma boa história
em forma de poesia.

Wasil Sacharuk

Acerca do ácido

Acerca do ácido

A acidez dos meus versos
resulta de química reação
contracultura de inversos
deus interior e fé na razão

Silhuetas e reflexos
no ritmo do coração
paradigmas e nexos
o inimigo e o irmão

A acidez dos meus versos
vem do sórdido inconformismo
atira em alvos esparsos
dardos de sincero cinismo

Dos gametas sem sexo
algoritmo e afinação
entre nadis e plexos
longe do sim e do não.

Wasil Sacharuk

Soneto da Insurreição

Soneto da Insurreição

Armado o complô da poesia
institui beleza profanada
e faz a certeza adulterada
estendido até nascer o dia

Tramado o complô da utopia
destitui a mesa consagrada
gira tonto na encruzilhada
possuído de encanto e magia

Faz-se a luz na conspiração
musa que sabota na redenção
enredada na trama dialética

Une os versos na conjuração
sobre as asas da inspiração
numa interpretação hermética.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Vontades Comprimidas


VONTADES COMPRIMIDAS

Nas reentranças
das tranças
da vida...
espremi a vontade
comprida.
Esticada,
não cabe na mala...
mesmo encolhida,
entala

Nos entretantos
nos cantos
na lida...
a oculta necessidade
sentida.
Sonegada,
enterrada na vala...
mesmo reprimida,
não cala.

Juleni Andrade & Wasil Sacharuk
outubro 2009

Quando o poeta tem um fã



Quando o poeta tem um fã

Manipular a beleza das letras
me arremessa contra o céu
e eu atravesso os planetas
de um móbile de papel

Poeta vive de cortesia
poeta vive dessa emoção
pensa a vida em poesia
busca nas letras a lição

E quando o poeta tem um fã
mergulha no mar de incertezas:
será que o fã tem mente sã?
onde foi que ele viu a beleza?

wasil sacharuk

O vermelho aflorou meus desejos

O vermelho aflorou meus desejos

Acordei cedo
não estavas
do lado direito
senti um medo
um aperto no peito
e fui ao banheiro
olhei no espelho
nenhum recado
procurei pelos beijos
encontrei o vermelho
e o vermelho
aflorou meus desejos.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Divagações e emaranhados

Divagações e emaranhados

Eu lancei uma palavra no ar
e descobri que quando ela escorrega
nas brincadeiras bobas das letras
e nas experiências do pensar
fica muito difícil controlar
e desemaranhar as letras pretas
nos versos da minha entrega.

Essas letras escondem a surpresa
de intensidade demais sorrateira
que rasga a boca muda dos segredos
e a voz sai bem na ponta dos dedos
e das insanidades a poesia é parteira
já que não tem nenhuma certeza
de metafísicas ou outra besteira

E me reconheço em quaisquer versos
como uma gênese do meu sacramento
de pensar emoção na idéia sentida
pois é só reunir fragmentos diversos
com outros monstros que enfrento
e coloco nas rimas a verdade mentida
para fazer frente aos meus inversos

E só o que sinto nesse momento
constitui o pensamento edificante
pois sempre espero por essa certeza
e questiono se sinto o que penso
Porém, disso eu não sou confiante
aquilo que penso não sei se sustento
eu vivo na busca dessa delicadeza

Se acaso um poema seja um instante
que emana de um contexto reflexivo
disso também eu não tenho certeza
mas sei que se faz reconfortante
quando mostra o intento discursivo
se faz travestido da impura beleza
para o meu gozo egocêntrico abusivo.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Quando eu respirei poesia

Quando eu respirei poesia

Eu encontrei a chave
que abre o sol do novo dia
esqueci de todo o entrave
quando eu respirei poesia

Eu estive no cais
que quebra a onda insana
com dois poemas ou mais
a mente que cria engana

Precisei reverter a maré
dialogando com as letras
conheci o segredo da fé
azul claro e letras pretas

Desbravei uma nova fronteira
para ser o par da parceria
e cravei por aí a bandeira
do convívio em harmonia

Descobri, então, perplexo
que a poesia é grande amiga
dela não sou desconexo
e chamamos a vida pra briga.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Encanto e jogos de sedução

Encanto e jogos de sedução

Me disseram
que uma tal mãe-de-santo
sabe incendiar
qualquer relação

com fogo
mel e encanto
e alguns jogos de sedução

Souberam
sem talvez ou entretanto
a mula vai enganar
quase toda nação

com discurso
promessa e encanto
e alguns jogos de sedução

Contaram
que um padre quase santo
queria muito abençoar
a criança que fazia oração

com penitência
perdão e encanto
e alguns jogos de sedução.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Enquanto a sereia dormia...

Enquanto a sereia dormia...

Nos seixos imersos na água
o augúrio
estava lá
com signos da maré cheia
e inscrito nas pedras

O trovão de lava e mágoa
a injúria
cuspia fogo
contra a vã feitiçaria
de pretensas musas belas

Sob a lua sentinela da praia
sem lamúria
e com dignidade
esperei sentado na areia
o mar acordar a sereia.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Espaço sem fundo

Espaço sem fundo

Espaço sem fundo
enche o vazio
devolve do abismo
outro fim do mundo
preso sem fio
em suave cataclismo
pela seca inundação
a doçura de um choque
entre a cabeça e a pedra
entre o sim e o não
o chão e o paraqueda
o declive e a suspensão.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

O silêncio do breu

O silêncio do breu

Luz ausente na escuridão
é ignição de mente obtusa
é o amor perdido de musa
aquela falta de inspiração

Distante das letras
por sob o véu
sem as canetas
nenhum papel

Breu que mora na escuridão
garantia de frio no inverno
é azul das nuvens do inferno
é o fogo de toda a criação

Distante dos cometas
por sob o céu
sem os gametas
nenhum menestrel.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Turbilhão

Turbilhão


Turbilhonava tornado
tramando torvelinho
tachando Terra tal tola
traçando torta trajetória

Tivesse tragédia testado
todas tradições
todos temerosos
tantos tabefes tomados
tantos tropeços
tanta teimosia

Todavia
terráqueos trataram
temido tsunami
tal troço tosco
tocando tensão toda Terra
transbordando tudo...

Trouxe tempestades tropicais
terríveis terremotos
transfigurações
tufões
tumultos

Tudo tolerado
tão tácito...
Tão taciturno
trouxe tanta tristeza

Talvez Terra
tentasse triunfar
traduzindo teor tristezas
trabalhando... trabalhando

Todos tecemos
Terra terminar...
Tampouco
Terra treme

Tão tocante...
todo território tomado
tórrida tortuosidade

Traidores
tacanhos tiranos
tramam tragédias
transgredindo tendências
trapaceando

Terra tonta tombando
tempo terminando
tic-tac tic-tac!

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Bolhas de Abstração


Bolhas de Abstração

Bolhas de sabão
Com risos infladas
De todas as cores

Bolhas da paixão
Com risos deixadas
De todos amores

Bolhas da razão
Com risos pensadas
De todos clamores

Bolhas da religião
Com risos comungadas
De todos pudores

Bolhas do perdão
Com risos vingadas
De todos horrores

Bolhas do corpo são
Com risos curadas
De todas as dores

Bolhas do tesão
Com risos transadas
De todos ardores

Bolhas na imensidão
Com risos estouradas
De todos temores.

Wasil Sacharuk

Tolo Homem

Tolo Homem

Sobre os ombros o estigma
da eterna insatisfação
evitou conhecer o espelho
viveu a suplicar de joelhos
por uma oferta de pão

Apenas mais um tolo homem
nem notou que viveu no inferno
jurou odiar o demônio
e após contraiu matrimônio
a procriação e o respeito terno

Condenado à vida comum
como um medíocre enfadonho
por covardia evitou o temor
por pecado sonegou o amor
abraçado a um preceito medonho

Nem no Hades e nem no céu
disputaram sua triste presença...
tomou o seu rumo a pé
trilhou o caminho da fé
e morreu na indiferença.

Wasil Sacharuk

ERA UMA ESTRELA - acróstico



ERA UMA ESTRELA

Era estrela ardente
Rara e tão distante
A deusa da constelação

Um dia se fez cadente
Morreu após o horizonte
Abriu a porta da imensidão

E surgiu tão soberanamente
Soerguida sobre o monte
Tomando o campo da visão
Reinou só mais um instante
Ergueu perfazendo uma ponte
Lançada contra a vastidão
Alçou a alma diferente.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

A Parceriar Um Soneto

A Parceriar Um Soneto

Caminhar ao lado, partilhar o fardo
Versejar amparado, brindar o legado
Escrever alegrado, deixar um recado
Amenizar o fado, num mate amargo

Sonetar inspirado, o amigo ao lado
E rimar encaixado o verso cadenciado
Com o dedo esticado bolinando teclado
O desejo estimulado de tomar um trago

A vida é vadia e a idéia é ousadia
O poeta escandia e o leitor alivia
O canto é harmonia, o soneto maestria

A morte espia, o verso livre judia
O poeta assovia, o leitor o aprecia
O canto é poesia, o soneto é sintonia.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk
outubro 2009

Nova Ordem da Poesia - acróstico

Nova Ordem da Poesia

N ão é o novo
O velho refeito
V álvula do povo
A modificar o perfeito

O mundo precisa
R efazer a organização
D a frase concisa
E m renovação
M otriz da vida

D a nova ordem
A nova sina dos versos

P oetas da nova era
O rganizam o movimento
E spalham pela atmosfera
S uas razões e sentimentos
I nvertem o giro da Terra
A rabiscar o encantamento.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk

A LUA BRILHA NO ALTO - acróstico

A LUA BRILHA NO ALTO

Assim se fez a noite:

Lua escondida dos lobos
Uivantes à espreita na rua
A noite, então. se insinua

Brilha um risco no mar
Reluz até o horizonte
Ilumina o teto estelar
Lume no alto do monte
Horas a fio ao reponte
Assume o risco de amar

Norte, sul, leste ou oeste
O luar da vida e da peste

Alta no astral firmamento
Liberta a noite à revelia
Traduz em verso o momento
O motivo de escrever poesia.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Ilha virtual



Ilha virtual

Na cibernética ilha
há um mundo confinado
e fotos da minha filha
Abraçando o namorado

Tenho música e poesia
Ao alcance dos sentidos
Mas também tem porcaria
de autores enrustidos

Na minha ilha cabe tudo
face a face com o abecê
se diz muito em som mudo
Control A e control vê

E nesse mundo virtual
nosso convívio repercute
me faço poeta nacional
no youtube e no orkute.

Wasil Sacharuk
dezembro 2008

Outra Noite na Viva Cidade

Outra Noite na Viva Cidade

A noite e o segredo
rompem vielas escuras
sob a luz do mercúrio
sob a égide do medo
no caminho das agruras
o rascunho do augúrio

Nas tramas da viva cidade
passos da ansiedade
nos corredores noturnos
desvios da fatalidade
marcam semblantes soturnos

O corte da lâmina brilhante
corta um passo aflito
e encontra o eco do grito
num rápido instante.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Limerick express VII

Limerick express VII

O jardim do pecado era o Éden
coberto de flores e macieiras
repleto de bichos que fedem
e tem peçonha sobremaneira
E Adão, só no cinco contra um.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Pétalas perfumadas

Pétalas perfumadas

Se tua poesia
é tal uma flor
teus versos livres
são pétalas perfumadas
unidos no invisível elo
de rosa selvagem
e de botão amarelo

Se tuas rimas
conjugam o amor
irrompe tua verve
nas noites alucinadas
e exala doce perfume
de eterna primavera
e cheiro, cor e lume.

Wasil Sacharuk

Dois lados


Dois lados

O meu esquerdo
é o direito
e o meu acerto
é um defeito

sou um pagão
que tem fé
sou um pão
com café

Sou a clareza
da escuridão
sou a fraqueza
de um corpo são

Sou a beleza
desta feiura
sou a sobremesa
de amargura

Sou tão perto
e tão distante
sou tão esperto
e tão vacilante

Sou o silogismo
da contradição
sou o dualismo
dessa vastidão.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Uirapuru


Uirapuru

Uirapuru
canta para mim:

quem és tu?

Já cometi grave falta
ao pensar que eras flauta

mas uirapuru é musical
mas uirapuru é cântico
o fenômeno é igual
no Pacífico ou Atlântico

canto de uirapuru é encanto
casa de uirapuru é recanto
sorte é uirapuru empalhado
e azar é o uirapuru ameaçado

Ah, maldita extinção...
o único pássaro livre
é o tal de avião.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Falácias de vento


Falácias de vento

um voo sobre os ditames
da tola razão
apenas sobrou o argumento
seguro tal avião
em queda livre

as asas da proposição
batem falácias de vento
ora sopram
ora não
nunca tão cheio
nunca tão vão

e da lógica do tempo
decolou a conclusão.

Wasil Sacharuk

O QUE QUER DE MIM? - acróstico


O que quer de mim?

O que você pretende?

Qualquer olhar de soslaio?
Um longo beijo? Abraço?
Ensaios... apenas ensaios

Quantas e quantas vezes
Ufanei-o em meu coração?
Era a sua pretensão
Rir de mim todos esses meses

Desisto de você agora
E vou sair porta afora

Minha busca será a liberdade
Ideologias e identidades
Meu amigo, chegou minha hora!

Wasil Sacharuk

Auspicioso Precipício


Auspicioso Precipício

Peregrino na trilha do louco
banhado de chuva na estrada
rumo que leva ao nada
talvez um talvez ou tampouco

indigente
ou eremita
sigo o brilho da luz
longe das trevas
longe de cruz

peço perdão de joelhos
sobre auspicioso precipício
dos pecados perco o indício
ao som do estalido dos relhos

intransigência
ou heresia
vendi minha alma ao destino
longe de abutres
longe dos sinos.

Wasil Sacharuk

Memórias


Memórias

Já fui caça
e pássaro
devassa
e bálsamo
já fui benta
e instável
peçonhenta
tão amável

Já fui Jocasta
e Morgana
muito casta
pouco sana
embaixatriz
e sensata
fui meretriz
e beata

Assassina
e obcena
Messalina
Madalena
Fui a vadia
da realeza
e fui Maria
sem certeza.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Limerick express VI

Limerick express VI

Uma outra estrela do céu
bem próxima à anterior
Não risca versos no papel
e vive só porque quer amor
Que estrela estúpida!

Wasil Sacharuk

ROSA-DOS-VENTOS


ROSA-DOS-VENTOS

Se matas, como eu, tua sede
Imitarei, como tu, o que crer
Se mostras, como eu, como se faz
Eu cairei, como tu, nessa rede
Se sucumbes, como eu, ao morrer
Evocarei, como tu, minha paz

Se plantas em mim a semente
Mi’a mente será fertilidade e cais
Se espargis em mim tuas cores
Mi’a tela terá a trama dos ais
Se espelhas em mim teu reflexo
Serei reverso convexo, concavo verso

Beberei doce veneno da tua fonte
Serei um fanático na tua certeza
Para poder seguir os teus passos...
Então busco um ponto do horizonte
De onde eu flutue com a tua leveza
E também possa sentir teu abraço

Que nessa fonte ortótropa
Te embriagues da minha certeza insensata
De te ver em laço... Presos passos...
No meu ponto cardeal tecido ponto a ponto...
Rosa-dos-ventos... Teu porto... Meus braços.

Wasil Sacharuk & Aglaure Corrêa Martins

COMO UM RIO...

COMO UM RIO...

Eu ouvi teu riso
e senti no peito
o mesmo amor sem jeito
e quis o momento
sem fazer efeito
ter no coração vadio
preenchido o frio

Atendi teu aviso
movimento suspeito
disfarçado e rarefeito
o meu beijo sedento
prontamente aceito
fez esquecer o vazio
transbordando um rio.

Dhenova & Wasil Sacharuk
setembro 2009

BAILE DE MÁSCARAS - acróstico


BAILE DE MÁSCARAS

Beijei uma estrela prateada
Atada a um rabo de cometa
Inusitada beleza encantada
Louca fantasia realizada
E não era desse planeta

Dançamos a noite inteira
Enquanto a viagem durou

Movimentos sutis espiralados
Atrevida, tão linda e fatal
Servindo olhos embasbacados
Como uma deusa do carnaval
Antes da noite chegar ao final
Risos e sussurros suplicantes
Alimentaram desejos da deusa
Satisfeitos fetiches delirantes.

Wasil Sacharuk
outubro 2009

Cicuta


Cicuta

Penitência carrasca é ofício
se cumprida com envergadura
benevolência da fé é um vício
ao vivente de conduta impura

encrava os desejos
na pedra bruta
doses de vidas embriagadas
em poemas de rimas marcadas
nos cacos do cálice
de cicuta

a catedral coberta de ouro
a oferta de mais um tesouro
dez por cento de cada vez

a expiação e o açoite de couro
uma coroa adornada de louros
para pedir o perdão das mercês.

wasil sacharuk

Tomando Veneno


Tomando Veneno

Moro em uma casa de ranhuras
de paredes ja escritas em teias
vivo conjugando conjecturas
de um verso mudo de linguas

Como no prato bordado de dó
a miséria de tanta riqueza
entre a polidez coberta de pó
e a lucidez que corta certeza

Falo uma lingua dissonante
que com meu som apedrejo
enquanto calo o instante
daquele beijo que não beijo

Sei que me encontro nas ruas
e deito e durmo nas tormentas
único argumento da lógica nua
é bebido em gotas peçonhentas.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk
setembro 2009

MUSICA - acróstico


MUSICA - acróstico

Magistrais
Urdiduras
Sonoras
Insistem
Clamando
Atenção.

Wasil Sacharuk

DELÍRIOS DE AMAR - acróstico


DELÍRIOS DE AMAR - acróstico

Duvide, minha amada...
Este amor delirante
Loucura ufanada
Investida rompante
Revira vida virada
Ilumina um instante
Ou derruba a escada
Serenando o semblante

Duvide, minha amada
Esse amor é cruel...

Alma estúpida essa minha
Morrerá largada no chão
A alma que não vive sozinha
Resta cair de paixão.

Wasil Sacharuk
setembro 2009

SUSSURROS - acróstico


SUSSURROS - acróstico

Secretos
Urros
São
Sussurros
Uivos
Repetidos
Retraindo
Ondas
Sonoras

Wasil Sacharuk
setembro 2009

SONHO DOURADO - acróstico


SONHO DOURADO - acróstico

Separado estive de mim
Ocultando da realidade
Notas dessa insanidade
Habitantes do início ao fim
Ou cascas da fatalidade

Dourei sobre a alma das cores
Ornamentei o fel dos sabores
Ungido no óleo dos pecados
Roubei do jardim essas flores
As rosas e cravos avermelhados
Decidi até pular dos telhados
Ousando encontrar meus amores.

Wasil Sacharuk
setembro 2009

Rumo a Pasárgada

Rumo a Pasárgada

Morre em mim todos os dias que amanhecem
Morre em mim a fala suave e o hálito doce
Morre em mim a manhã da primavera
Morre em mim a criação e a canção do luar

Não é mais tempo de plantar nem de colher
Não é mais tempo de ler velhos poemas empoeirados
Não é mais tempo de acreditar que poderá ser diferente
Não é mais tempo de vida que corre nos olhos e nas veias do entendimento

Acabou a festa do conhecimento
Acabou o dia, a tarde e a madrugada de sonhos
Acabou o canto da coruja no galho da manga-rosa
Acabou a letra desse alfabeto em cor

“Vou-me embora pra Pasárgada”
Vou vestido de nudez
Vou livre de amarras
Vou simples, presente e morto de todas as subjetividades do talvez

Morre em mim toda a grandeza que cresce
Morre em mim a inocência da beleza precoce
Morre em mim a destreza felina de uma fera
Morre em mim a atração pelas forças do mar

Não é mais tempo de parar ou de correr
Nâo é mais tempo de rever conceitos enterrados
Não é mais tempo de confiar na sanidade da gente
Não é mais tempo de sentir a ferida que escorre dos olhos num lamento

Acabou a resistência do cimento
Acabou a nostalgia das madrugadas de tons tristonhos
Acabou o poema que sobrepuja a frieza da prosa
Acabou a caneta dessa escritura de dor

"Vou-me embora pra Pasárgada”
Vou liberto das mercês
Vou solto de todas as garras
Vou assim mesmo, engajado em mim, sem certezas e nem porquês.

Diogo Dias Fernandes & Wasil Sacharuk


COMBINAÇÃO PERFEITA



COMBINAÇÃO PERFEITA

Pétalas vermelhas a perfumarem o leito
Lua prateada, na janela, pendurada
Um lençol de seda produzindo o efeito
Combinação perfeita à sua pele acetinada

O mundo parado para decorar seu jeito
Nua enfeitada, seduzida, enfeitiçada
Garras pontiagudas a arranhar meu peito
Combinação perfeita à sua fome alucinada

O quarto move-se; acompanha seu trejeito
Lua, casta e pura, deixa a janela, ruborizada
Pétalas, suor, cama ardente, lençol desfeito
Combinação perfeita à nossa fome saciada

De todos os sabores que eu provo, satisfeito
Sua boca linda, tão vermelha, tão molhada
O mergulho sedutor do seu olhar suspeito
Combinação perfeita à nossa sede embriagada.

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk

BAGUNÇAR, um acróstico

Bagunçar

Brinquei com o sonho da realidade
Atei aos cadarços os sapatos
Gritei bem baixinho a real falsidade
Usei o motivo da ilusão dos fatos
Neguei aceitando o deus que não há
Çarei da çaúde cançei o cansasso
Andei paradinho daqui para lá
Rimar essa prosa eu não fiz e refaço.

Wasil Sacharuk

Imponência da Pedra

Imponência da Pedra

Natureza fez-me pedra,
exibe minha imponência
ante o sisudo tempo.
Sou mística,
sou solidão, alimento-me
de olhares, sou destaque
das montanhas,
âs vezes em solais!
sou indecifrável

Os tempos levam as gemas,
inibem minha opulência
oculta em sedimentos.
Não sou cristalina,
sou dura, inerte, insolúvel
polimórfica, sou barreira
das entranhas,
e não interpreto sinais
sou impenetrável..

Posso ser ouro
de diversos quilates,
quando crua, ignorada,
se lapidada...
sou gema cobiçada,
desperto olhares longínquos
sou riqueza nacional,
sou pedra preciosa
Sou ganância mundial!

Sou um tesouro
para esses mascates,
me sinto nua, roubada
quando explorada...
sou riqueza passada,
na mão de desejos oblíquos
tenho a certeza abissal,
da beleza generosa
Sou da vida natural.

Diná Fernandes & Wasil Sacharuk

Catarse Misteriosa


Catarse Misteriosa

Posso ver uma alva face
Sob um antiquíssimo disfarce
Tramando um obscuro enlace
Uma misteriosa e duvidosa catarse

No olhar indireto o abismo
para sabotar as defesas
A beleza forjada pelo cinismo
para duvidar das certezas

No ar paira a repulsa
Por percebê-la tão avulsa
Tão inverossímil e cruel
Distante de um ilusório céu

E a ira contra a insistência
que serve ao propósito insano
me mostra detrás da inocência
o prenúncio de um mero engano.

Alexandre de Paula & Wasil Sacharuk
setembro 2009

POETA CRUZALTINO


POETA CRUZALTINO

Pampeano é meu canto
O ocaso dos reversos
Ensinei rima a amar
Traduzi encanto em versos
Ao subir morro eu Decimar

Cruzei a fronteira da cruz
Reuni em quatro estrofes
Um poema livre de amor
Zombei da razão com jus
A partir de um soneto
Libertei o aroma da flor
Trabalhei os dois quartetos
Insisti que não iria contar
No entanto, foi nos tercetos
Ouvi o chamado e Decimar.

Wasil Sacharuk

Quem dera


Quem dera*

A minha fome persevera
e tramo um novo cortejo
na ansiedade da espera
para bater à tua porta

Essa tua dor de menina
não te faz mulher morta
quando teu corpo inclina
converte mulher em fera

Quando devoras, desatinas
e quando mandas, obedeço
se sou de natureza torta
o teu castigo me ensina

E se tua boca exaspera
dentes, lábios e desejo
e tolo espero por um beijo
não me pertence, quem dera.

Wasil Sacharuk

*in "O Diário de Paula", de Madame M

Alienação


Alienação

Alienação
é a relação
comercial
um sorridente cinismo
entre o credo cristão
loteamento do céu
e capitalismo

Alienação
vem da dimensão
abissal
como um cataclismo
que sacode o chão
entre céu e o bordel
puro eufemismo

Alienação
vem da informação
irreal
evidente sofismo
que engana o bobão
cabeça de papel
com idiotismo.

Wasil Sacharuk

Limerick express V

Limerick express V

Aquela estrela brilhante
Vagabundeante do céu
Cintila como um diamante
E risca versos no papel
Como uma poetisa boba.

Wasil Sacharuk

Limerick express IV

Limerick express IV

Os mais singulares espelhos
do tal mundo das ilusões
refletem os olhos vermelhos
entre os brilhos e os botões
é melhor trocar o monitor.

Wasil Sacharuk

Limerick express III

Limerick express III

Meu olho vidrado no espelho
de temível brilho
fitando minha consciência
sugando a coerência
esse meu olho cego tudo vê.


Wasil Sacharuk

Limerick express II

Limerick express II

Pobre hombre del mate
frío y lavado
derramado en mi pala
se derrumbó en la cara
mate criollo es muy bueno.

Wasil Sacharuk

Limerick express I

Limerick express I

Aquele lindo coelhinho branco
maldito e sanguinário
odiava todas as cenouras
e amava carne humana
o tal coelho sabia das coisas.

Wasil Sacharuk

O Grilo e o Besouro

O GRILO E O BESOURO

Sou grilo
não besouro
sou do signo
de touro
e sou um bicho bacana
conheço outro bicho sacana
querendo o ouro
do qual não sou digno

Há grilos na sua cabeça?
Não entristeça
faça um eletroencéfalograma
e aconteça o que aconteça
não saia da cama

Sou besouro
não sou grilo
sou bicho ingrato
zunir é meu artifício
Conheço o grilo safado
barulhento no ato
gosto do ouro do tolo
mas não sou touro malhado

Há um besouro na sua cama?
Não se acanhe
Faça-lhe um carinho tímido
e se deixe levar pela grama
até o amanhecer digno

Wasil Sacharuk & Dhenova

Seis segundos... sete segundos


Tela: 'Amantes', João Werner


Seis segundos... sete segundos

Sentiu-se seduzida...

Subitamente
seus segredos
sucumbiram

Sua segurança
solenemente sabotada

Sua sobriedade
simplesmente sumiu
Seu sofrimento... sarou

Sobrou sensualidade...
Sentiu seus seios
sacrificados sob soutien
saírem sólidos...

Suplicava sexo...
sensualmente selvagem
selvagemente sensível

Sentiu safadeza
sacramentada
sequestrando sua santidade
saturando sua sensibilidade

Serviu-se sobre sua serpente
sentiu segredos seminais
sufocarem seu semblante
sensivelmente sádico

Supostamente satisfeita
sorriu solta
sobretudo...
seis segundos
sete segundos
superou solidão
saciando sua sede
sentiu-se serena.

Wasil Sacharuk

Seixos segmentados


Seixos segmentados

Solte sua sábia semente seca
sob sol sentinela sutil
soterrando símbolos sagrados
sob solo sarado servil

Seu sacerdócio
sua súplica
seguirão sonhos singulares
sequestrando sistemas solares

Se sentires seus segredos
serem sabiamente selados
sua serenidade será sangrada
Sobrarão seixos segmentados

Wasil Sacharuk

Sobre solo sagrado


Sobre solo sagrado

Sentirias sede
se sol secasse
seus soberanos sentidos

Se sua solidão simplesmente sumisse
sentaria sobre sagrado solo
se sagrado solo sentisse

Somos somente seres sedentos
satisfazendo sentido senil
simbolicamente sanado.

Wasil Sacharuk

Soneto Sete Sinas


Soneto Sete Sinas

Sobras são separadas
Semeando sua solidão
Se sobra sangue são
Será sua saúde sarada

Seus sonhos são salvos
Sobrevivem solitariamente
Seus segredos suportados
Sete sinas, secularmente

Seus sentidos sustados
Serão seriamente serenados
Salvo suas solicitudes

Seus saberes sabatinados
Sutilmente solidificados
Serão segregados sem saúde.

Wasil Sacharuk

Sinfônicos sinos


Sinfônicos sinos

Se santa sorte sobejou
Sua secular sabedoria
Sabiá sensato separou
Somente semente sombria

Saiba, segredos somem
Sonhos são serenados
Solitários sempre sentem
Seu silêncio sendo sustado

Se sinos soarem suavemente
Sintonizando seus sentidos
Sincrônicos sinfonicamente
Singulares sons são sorvidos.

Wasil Sacharuk

Sem sentença, sem sinais


Sem sentença, sem sinais

Seria silêncio somente
Sob sombra sentado
Salvando sua semente
Simplificando sua sorte?

Seria selva separada
Sobrevoada sem sabiás
Sem sentinela safada
Sem sentença sem sinais?

Seria seu sexto sentido
Sólido sentimento senil
Se sensações saíram sumiram
Seu sétimo sentido serviu?

Wasil Sacharuk

Simples seara sem semente



Simples seara sem semente

Sônia simplesmente semeia
Silenciando sofrimento
Seu sólido solo saqueia
Singelos sonhos semeados

Sorrir sem sentir só seria
Sensação suave, somente
Sem serventia sem soberania
Simples seara sem semente

Sacrifica sério semblante
Sela santo solo servil
Supera sol solapante
Sucumbe sentido sombrio

Seria só sentir sem sorrir
Somente suave sensação
Sem sobrepor sem servir
Simples seara sem semente.

Wasil Sacharuk

Antropofagia - acróstico

Antropofagia

Amarro a mim teu desejo
Nego uma trégua qualquer
Tente escapar do meu festejo
Ritual de comer como quiser
O  vermelho circunda tua boca
Pele ao sabor do meu prazer
Oferta prazer na dança louca
Faz implorar para comer;
Apetite safado que vicia
Gula que emana saliva quente
Instinto animal não é anomalia
Amor insano não é indecente.

Wasil Sacharuk

Simplesmente...

Simplesmente...

A musa alada
recebeu de um amigo
uma comunidade encantada

Construiu no portal
poético
uma nau
para navegar harmonia

E acolheu com prazer
os parceiros das letras
num farto querer

Reuniu os artistas
dos versos
malabaristas
de sonhos e utopias

E permitiu que a poesia
se fizesse toda hora
com sentimento e alegria.

Dhenova & Wasil Sacharuk

Não e sim

Não e sim

Foi a carne macia
toda a sina
Foi o perfume barato
todo o cuidado
Foi o hálito fresco
todo o veneno

Foi nesse universo
que aprendi a voar
em versos

Disse sim, disse não
fiquei louco
puro tesão

Foi como uma poesia
toda em rima
Foi o gesto abstrato
todo o embaraço
Foi no sentido sexto
todo o mistério

Foi no doce segredo
que tentei naufragar
sem medos

Disse não, disse sim
fiquei triste
lá é o fim.

Dhenova & Wasil Sacharuk

E se for pecado?



E se for pecado?

Dos pecados não me arrependo
sou desobediente
ovelha infiel
o avesso do crente

Me faço purificado
não sou o criador
nem manipulador
do motor imóvel
adulterado

Nenhum pecado confesso
não sou penitente
minha água benta é ardente
mantenho meus vícios
meus ofícios
meus artifícios
a reza de trás para frente
no rosário de uma serpente

E gosto de dinheiro, muito
de boa comida
da vida bebida
algum excesso...
algum descontrole...

E continuo irado
depravado
odiado
rancoroso
raivoso
luxurioso
preguiçoso
nada caprichoso
soberbo...
implacavelmente soberbo

Qual beato abençoado
me fará dizimado
por uma ameaça ridícula
de um medo infundado?

E se for pecado?
Não é problema meu...
me sinto agraciado
por tudo que a vida me deu.

Wasil Sacharuk

Semeadura


Semeadura

Se sarasse sua saúde
seca semente
Sobrariam sombras
sobre sertões
Serenaria sol solapante

Seria sábio
seca semente
salvar seus sonhos
semeando solo
servindo sociedade

Sabes
seca semente
sol sempre seca
sempre...

Savanas são serradas
selva silenciada
suplicando socorro

Salve-se
seca semente
sonegaremos sua secura
sob sol sequestrado
serviremos sua semeadura.

Wasil Sacharuk

Reincidente


Reincidente

No toque reincidente
No olhar penetrante
a malícia presente
a poesia convincente
de sentidos
nos ritos
dengosamente
carinhosamente
doloridos
entorpecidos
e pecado consciente
e o instante ardente
novamente
ardorosamente
incontido
acometido

Lavas desprendidas 
labaredas avermelhadas
dos teus vulcões
da tua fogueira
cativas nas repetidas
pulsam nas retorcidas
erupções
chamas vivas

Dhenova & Wasil Sacharuk

Era uma vez três poetas...

Era uma vez três poetas...

Um poeta olhava para o céu
esperava o milagre
do acontecimento
do passado escalpelado
por um índio norteamericano
sioux ou, talvez, mexicano

Deixou duendes e as fadas
contorcidos em gargalhadas
...

o outro falava sobre a vida
sobre o movimento
sobre o tempo
com os pés do amor
pousados no firmamento
e jogou fora a dor
em lufadas de vento

Deixou todas as marcas
de corações, corpos e estacas
...

e o terceiro
olhava para o horizonte
e escrevia
no papel do destino
a ata da noite
célebre e contundente,
o poema sublime

Deixou a poesia
de bochechinhas vermelhas
Pretensioso... sim
porém, divino.

Dhenova e Wasil Sacharuk