Memorial dos Sonhos Recorrentes

Memorial dos Sonhos Recorrentes

Sempre a mesma sensação
mil sonhos, a mesma estrada
a memória oculta verdades
dos prazeres, vãs vontades

Num dos sonhos subi uma escada
e tentei alcançar a mão
de um deus, uma religião
mas não consegui pegar nada

Estive em tantas calamidades
Vi o fim de todas as idades
senti minha honra arrancada
e minha cabeça rolando no chão

Num outro salvei um irmão
das garras da fera malvada
e preservei a cumplicidade
num impulso de insanidade

Sonhei os gritos no hades
no pântano das hostilidades
sem nenhuma verdade sagrada
só súplica por salvação

Mas ninguém sonha em vão
nossa mente vive acordada
e penso na possibilidade
do sonho ser realidade

Sonhei tanta coisa danada
nem mesmo a abstração
entendeu qual foi a razão
da vida estar vinculada

Só queria sonhar com a amada
com criança brincando com cão
correr sob a chuva de verão
e ter minha alma lavada.

Wasil Sacharuk

para Suzana Rabelo

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