Seara

Incubação


Incubação

Agora falo sobre campos verdes
não são tão longe da nossa casa
a cidade sem vida só tem paredes
e corpos jogados em cova rasa...

Poeta se voa é passaro na rede
morre na clausura ou vira caça
no fogo das letras mata a sede
a semente do verbo traz na asa

E o versos?
ah! decerto virão das paixões
alguma verve ou musa
até da rotina e do ardil

Será, meus amigos,
que todo o poeta é senil?

Por hora são as vagas impressões
rabiscos tortos daquele que viu
florescer poesia no imenso vazio.

Wasil Sacharuk

Quatrocentos

Quatrocentos


Com quatrocentas vidas
Com quatrocentas vozes
Com quatrocentas poesias

Se curam sangrentas feridas
Se amarram as mãos dos algozes
Se acabam com as tiranias

Quatrocentas mansagens proferidas
Quatrocentos focos de luzes
Quatrocentos encantos e fantasias.

Wasil Sacharuk

O Casamento da Cartomante

O Casamento da Cartomante

Casar-se-a a cartomante
Esquecida da sorte
Não consultou sobre amantes
Talvez isso não importe

Guardará seu diamante
Preciosidade e corte
Uma união edificante
Prometida até a morte

No derradeiro instante
O tarot revela o mote
Infortúnio na roda gigante
O seu pagem se foi a trote.

Wasil Sacharuk

Das alturas



Das alturas

Enfrento as forças que ameaçam
Desvio de ondas que não banham
Das razões, a que eu desconheço
Morro nas tramas que me apanham

São tantos ares, eu nem respiro
Em tantos lares eu já não entro
Invado espaços que eu nem habito
E moro em zonas que não frequento

Viajo alturas que não alcanço
Trago loucura para o remanso
Sou prisioneiro da liberdade

De asas seguras eu não canso
A vida é dura, eis o encanto
Não há utopia na felicidade.

Wasil Sacharuk

País verde amarelo - acróstico


País verde amarelo - acróstico

Palavra de ordem é a televisão
Analfabetismo, bigbrother, seleção
Inteligência modelo é a do Faustão
Sem crise, só riso, nação sem noção

Verde Amazônia outrora brasileira
Entregue na troca por uma panela
Risos soltos, tudo é brincadeira
Durante um capítulo da novela
E o merchandising escorre na tela

Ame o fome zero e o bolsa família
Mesa bem farta de tanto resíduo
A corja se lava, gargalha, humilha
Rasgando seda e discurso ambíguo
E viva o tal do jeitinho brasileiro
Liberto da ética apegado à estética
Orgulho e glória de ser cangaceiro.

Wasil Sacharuk

Desejos Inquietos

Desejos Inquietos

Denise não foi a primeira mulher
Sequer o princípio de todos os males
Não foi criada nos trabalhos e os dias
Nem viu um titã com o fogo que ardia


Não é daquelas que vivem dos lares
O domínio do mundo sequer ela quer
Olimpo nem clero, o deus que quiser
Não é daquelas que choram pesares

Sequer acredita em algum messias
Presente de Zeus ninguém merecia
Nem chora a gota da água de Tales
A caixa secreta que guarda é seu ser

Se um dia o segredo da caixa morrer
Denise não quer nenhum grand finale
Agarrada com força em sua filosofia
Trará mais segredos em nova poesia

Poseidon vingará o choro dos mares
Até mesmo se a ira de Zeus se fizer
Haverá esperança onde a caixa estiver
Haverá denises em todos os lugares

O poder de Denise rasga a profecia
Dissimula a beleza da noite no dia
Como sacerdotisa ela guarda a chave
Que encerra na caixa o dom de viver.

Wasil Sacharuk

Outros Ventos

Outros Ventos

Há pouca escolha a quem teme
pois sempre haverá um destino
as velas ao vento do norte
as vidas na alçada da morte

E quem faz o escrutínio
quando a sorte vira o leme?
acaso não haja quem reme
cumprirá o destino o desígnio

Com naufrágios e ventos fortes
a existência é só um pacote
a obra da vida em desatino
sobre o alicerce que treme

Talvez a maldade nos queime
quiçá os ventos mudem o sentido
ou uma nova leitura da sorte
esconda o arcano do corte

E de todo o tempo investido
enquanto esse medo ainda reine
e não mude, não faça e não teime
a vida atracada num porto perdido.

Wasil Sacharuk

Classificados




Classificados

No tal dia do juízo final
Nada será mais igual
As letras recobram a vida

Toda palavra será atrevida
E todo o poema será genial
Beleza intima e casual

Magnética prosa colorida
Talvez um retrato da vida
Infiel, revirado e anormal

Argumento pretenso informal
E para os que ousariam ler
Tenho uma oferta a fazer

Vendo uma antologia
Com a desvelada filosofia
Para os amantes do prazer.

Wasil Sacharuk

Memorial dos Sonhos Recorrentes

Memorial dos Sonhos Recorrentes

Sempre a mesma sensação
mil sonhos, a mesma estrada
a memória oculta verdades
dos prazeres, vãs vontades

Num dos sonhos subi uma escada
e tentei alcançar a mão
de um deus, uma religião
mas não consegui pegar nada

Estive em tantas calamidades
Vi o fim de todas as idades
senti minha honra arrancada
e minha cabeça rolando no chão

Num outro salvei um irmão
das garras da fera malvada
e preservei a cumplicidade
num impulso de insanidade

Sonhei os gritos no hades
no pântano das hostilidades
sem nenhuma verdade sagrada
só súplica por salvação

Mas ninguém sonha em vão
nossa mente vive acordada
e penso na possibilidade
do sonho ser realidade

Sonhei tanta coisa danada
nem mesmo a abstração
entendeu qual foi a razão
da vida estar vinculada

Só queria sonhar com a amada
com criança brincando com cão
correr sob a chuva de verão
e ter minha alma lavada.

Wasil Sacharuk

para Suzana Rabelo

O sentido da poesia

Tela: Van Gogh


O Sentido da Poesia

O que há de belo na poesia?
poucos entendem a sua beleza
ela não segue a um padrão
sequer se conforma à razão

Seja clichê de céu turquesa
ou estrelado de idiossincrasia
recorte instantâneo do dia
com alguma ou nenhuma certeza

Poesia respira e inspira emoção
trajada na lógica ou na abstração
na sua forma revela a fineza
e até mesmo se acalma na rebeldia

Poesia que brilha na ousadia
e nos encantos da delicadeza
no colo sagrado da construção
onde a beleza apreende a lição

Mas ser poeta não põe mesa
então, qual o sentido da poesia?
É ser surpreendido algum dia
surpreso com a própria surpresa!

Wasil Sacharuk

Oráculo




Oráculo

São búzios conchas da sorte
Que trazem mensagens do mar
Sem clareza e sem evidência
Confiança na clarividência

A borra de café vai revelar
Se ler do desenho o recorte
Desvelado destino o aporte
Das agruras não vai salvar

Aquecer óleos de perfumaria
Não vai destravar nenhum dia
Mas liberam os aromas no ar
Faz a cor da aura mais forte

Quiçá a divindade se importe
Os incensos aos pés a queimar
Questões para a cartomancia
De respostas com diplomacia

Um guia que manda espalmar
Sabe dia e hora para morte
Medo da vida medo do corte
Oferendas num novo alguidar

O que a arte divina anuncia
Satisfaz qualquer vida vazia
Tem sorte quem não teme amar
E a bússula aponta o norte.

Wasil Sacharuk

Escada da Rosa



Escada da Rosa

Bem na escada do meu quintal
O meu presente da primavera
Ver fadas e anjos é tão natural
Muito ganha quem não espera

E lá estava ela, a rosa
Bem disposta sobre a escada
É rima presente na prosa
Ou então é conversa rimada

Em meio às outras, tão linda
Está o encanto que não finda
Dessa magia que não é pouca

Vi um elemental da simpatia
Que me presenteou poesia
Das mãos da poetisa louca.

Wasil Sacharuk

Divino humano


Divino humano

Se o que dizem divino é essência
e não seja mero princípio humano
eu estaria jogado à solidão
catando umas rimas na abstração

decerto seria julgado um insano
e sujeito a cumprir a sentença
um cruel desprovido de inocência
taxado ateu, demônio ou cigano

escolhi o caminho descrente pagão
a fugir das laçadas da religião
não quero ser o meu próprio engano
e portanto não vivo de idolatria

aprendi que o amor é o que cria
e que ser ateu não é subumano
tenho vida guardada no coração
onde qualquer criatura é um irmão.

Wasil Sacharuk

Homem sem lar

Homem sem lar

O homem sem lar tem uma sina
em partículas perdidas
que pairam no ar

O vento carrega sem perceber
poeira fina
de usina
a sina

O destino do homem sem lar
na palma
a cigana vai ler
vai crer

Apenas o tempo pode secar
até a memória parar de doer
mas isso nunca irá saber...

Wasil Sacharuk

Musa na chuva

Musa na chuva

Ei musa 
Te quero nessa brincadeira 
Te jogo sem roupa na chuva 
No jogo de algemas e luva

Intrusa 
Não sejas tão sorrateira 
O granizo te toca inteira 
Escolha morango ou uva

Abusa 
Com venda a imagem é turva 
Dançando sobre a cadeira 
Serás a que serve e que usa.

Wasil Sacharuk

Grito da alma



Grito da alma

O eco da alma que grita
Reduz a pausa silenciosa
No ventre de fêmea ressoa
Dói dentro quando ecoa

Uma cutucada preciosa
A alma que grita é aflita
Avança, encolhe e agita
Gélida água fervorosa

O que será alma na pessoa?
Será um espectro à toa
Na roda das sortes revoltosa
Só existe enquanto habita

A alma ao corpo excita
Bate nos flancos desastrosa
Mas toda vez que o sino soa
Repete da história parte boa

A alma suplica verso e prosa
Deixa o rastro na hora bendita
Perfaz uma rota distinta
E vai embora esplendorosa.

Wasil Sacharuk

Manias

Manias

É insano dividir
Minhas manias contigo?

Invadir o teu mundo
Omitir meus defeitos
Revelados segredos
Descobertos os medos

Teu corpo, meu abrigo
o eterno segundo
o mesmo leito
teu toque perfeito

Calar tuas palavras
Insinuar meu mistério
tua beleza dividida
caso sério, sem saída

Metades do inteiro
Misturados cabelos
Entrelaços da vida
É loucura, querida?

Wasil Sacharuk

Tua Boca


Tua Boca

No teu abismo me desfaço
das armadilhas inconscientes
então me permito, incoerente
a deter o medo e o cansaço

libertado do que é aparente
deslizo nas curvas em descida
e me perco na ilha perdida
a beber da tua água na vertente

sequer penso em achar a saída
se tua boca transcende atrevida
a proeza etérea do hálito quente

Provo beijos em tons eloquentes
magia servida em lábios quentes
a roubar o controle da minha vida.

Wasil Sacharuk

Sorte do dia



Sorte do dia

Se queres ver mudança
Se queres ver para crer
Se queres dar um jeito
Sentir liberdade no peito

Se não podes ver para ser
Invista amor na esperança
De ver todo mundo criança
E queira então ser para ver

Repenses se pensas direito
Refaças até o que foi feito
Desaprenda como desviver
Chame a vida para a dança

Um olho na ponta da lança
E o outro que irá escolher
Qual alvo é o mais perfeito
Acerte no centro o defeito. 

Wasil Sacharuk

Paz e amor - acróstico

Paz e amor  - acróstico

Procures amor se paz tu queres
Afastes a dor se queres amor
Zerando o mal com que feres

E não esqueças de ser feliz

A paz do mundo vem dos amores
Marcas dos teus comprometimentos
Ouças a voz dos teus sentimentos
Reveles o brilho de todas as cores

Wasil Sacharuk

Gargalhadas da terra

Gargalhadas da terra

Era como as frutas
Veio doce no verão
No outono outra era
É madura se espera

Vence outra estação
Com suas permutas
Intempéries brutas
Esmagada no chão

Semente da quimera

Renasce persevera
É a antítese do não
Vencedora das lutas

E compete disputas
A força do solo são
Gargalhadas da terra
Nova vida, primavera.

Wasil Sacharuk

Tolerança zero contra inguinorança



Tolerança zero contra inguinorança

A gente fumos na pescina
E as bebida conçumimo
Tomemo suco de anilina
Com as garrafa nóis sumimo

A gente somos companhero
A gente temos educassão
Nóis não joguemo lixo no chao
E nóis só mija nos banhero

Nóis odeia inguinorança
Pois na vida seje o que seje
Quem istuda tem esperansa
Esteje onde ela esteje

Wasil Sacharuk

Presente de natal da poetisa Luciana Brandão Carreira



Wasil Sacharuk

Wasil seria nome ou pseudônimo, quem responderia?
A dúvida resta desnecessária agora
Somente a certeza impera nesta hora
Inigualável és, caro escritor nato
Luminoso, perspicaz, hábil em seu ato

Somente alguém com tal talento, eu diria
Alcança a beleza na justa medida
Com muita gentileza, real autoria
Homem incomum, poeta, literato
Agradeço-te por cada palavra generosamente postada
Regozijo-me ao lê-las, sempre, uma maravilha
Uma linda festa tenhas num Natal em família
Kom um 2009 repleto de crescente alegria

Presente da poetisa Luciana Brandão Carreira

Rimas pobres decadentes

Rimas pobres decadentes

Rente que nem pão quente
Penteio os cabelos pra frente
Os fios grudados no pente
Caídos tão repentinamente

Está tudo tão diferente!
Era chic e estou decadente
Os óculos têm falta de lente
A prece já não estava crente

O bolsa família é um presente
Eu como o almoço contente
Na boca com falta de dente
A água agora era ardente

Controlado remotamente
Por mais algum líder demente
Amigo daquele presidente
Indecente, burro, indisplicente

Continua enganando a gente
Com aquele discurso eloquente
Meus companhero, minha gente
A gente tamos indo pra frente

Wasil Sacharuk

Post da Ana Maria na Brincando com as Letras




Um dia , 
um homem 
Com jeito simples 
Como por encanto 
Sacharukanto

As letrinhas da comunidade 
Nos auxiliou 
As pedras do caminho 
Esse homem 
Retirou

A beleza das 
palavras 
Escritas por ti 
Faz-nos sonhar 
Faz-nos encantar

Ana Maria

Algemada- acróstico

Algemada- acróstico

Alma lavada
Levada atada
Gema lascada
Esmeralda esmerada
Mão liberada
A outra algemada
Dança aloprada
Amante amada

Wasil Sacharuk

ATAVISMO - acróstico



ATAVISMO - acróstico

Ancestral
Toda herança
Amor e esperança
Vibracional
Intergeracional
Sobrenatural
Marca gentil da bonança
O amor volta na criança.

Wasil Sacharuk

SOPRO DE IDÉIAS – acróstico



SOPRO DE IDÉIAS – acróstico

São ventos que portam segredos
Os encantos da inspiração
Prenúncio dos novos enredos
Revela certezas e medos
Os sopros da redenção

Do sopro de idéias ao vento
Esmeros do pensamento...

Intui o enigma dos versos
De tramóias entre as letras
Excertos inversos reversos
Idéias brancas letras pretas
Avança em caminhos incertos
São rápidas como cometa.

Wasil Sacharuk

A tristeza do mundo Ana engana

A tristeza do mundo Ana engana

Se o mundo pudesse ver Ana
Seria, então, tudo tão diferente
Veria um Brasil não só de banana
Há muito mais se olhar de frente


Veria poesia num gesto sacana
A sensualidade não é indecente
Veria amizade num gesto bacana
O poema pertinho encanta a gente


Que a poesia é mais do que grana
Significa mais do que é aparente
Jogava as fichas na arte insana
E nessa amizade em que sou crente


Para a poetisa Ana Maria com carinho desse amigo e fã


 Wasil Sacharuk

Talismã


Talismã

Corda bamba
o futuro
felicidade por um triz
ruminâncias no osso duro
escritores de lousa 
sem giz

Ladra cão
nó na garganta
na linha do tempo 
a mordida

Flauta toca
serpente encanta
cama de prego da vida

Messias ateu
dono do mundo
repassa a história 
num segundo
ensina a fazer oração

Transmuta em mantra
a canção
religa autor criação
prescreve um futuro 
fecundo.

Wasil Sacharuk

Poema do Fogo

Poema do Fogo

Hoje queimo a matéria no fogo
a matéria é o pão
é decerto as tiranias

Disfarçadas democracias
o corpo enseja a competição
ei poeta, louco
qual seu lugar nesse jogo?

Raiva, medo
uma mancha no pulmão
taquicardias, esquizofrenias
desveladas rebeldias

Ataques no coração
caricatura das manias
das angústias, agonias
o poeta não é demagogo
e vai vomitar emoção

Hoje o dia é da destruição
ei poeta, louco
hoje queimo a matéria no fogo!

Wasil Sacharuk

Reviravoltas

Reviravoltas

A resignação é um caminho
desapego nostálgico de existir
se a vida é o encontro desviado
entre desespero e desesperado

Tal despacho na rota do devir
isso é claro a quem vive sozinho
asa parada não é de passarinho
indiferença ao pensar e sentir

Como Saturno num giro retardado
ou a Terra com um polo quebrado
tal déspota que deixou de oprimir
Como a grandiosidade dos tacanhos

Quisera ter do destino os carinhos
quisera alcançar sem tentar desistir
estará sempre isso tudo mudado
e renascido num minuto passado

Não é o tempo que pretende ferir
nem se a ciência sacode o cadinho
sequer manuscrito no pergaminho
é a eterna dança de viver o ir e vir.

Wasil Sacharuk

Lírica!

Lírica!

Louca dona do grito desvairado
Invista o sonho pervertido
Rima versos na pele nua
Interstícios de suor decantado
Corte estrofes no prazer repetido
Anuncie o que insinua

Derrame em mim os versos, louca
Ouse declamar em meu ouvido
Salive estrofes em minha boca

Sirva poesia nos seios
Enfeitice o fogo imaginativo
Incendeie rimas no vestido
Oculte a métrica do receio
Sugue a verve que te olho cativo.

Wasil Sacharuk

Dheusa Poesia - para Dhenova


Dheusa Poesia

Dos mundos instáveis viera
Trazendo as garras da fera
Sobrevoante como a harpia
Como habitante da fantasia

Trouxe a palavra que grita
Deixou minha maldade aflita
Se eu fosse Homero eu diria
Seu nome é Dheusa Poesia

E declamas na nossa canção
Como fogo de um rito pagão
E arde em palavras incertas

No escuro das ruas desertas
Sem métrica ou rimas abertas
Brilho eterno da minha emoção.

Wasil Sacharuk

Cidadão

Cidadão

Vou ver bigbrother mamata
Que rola a maior putaria
De puta, viado e rabão

Apago no cinzeiro de prata
A última faísca do dia
Desligo a televisão

E furo uma outra lata
Que a última já está vazia
Daí eu amasso com a mão

Chuveiro,terno e gravata
Cantando uma ave maria
Cheirando a xampu e sabão

E eis que persona non grata
Que espelho não refletiria
Derruba do céu o meu chão

Ah! que lembrança insensata
Da memória pede alforria
Processa a somatização

E jogo o feitiço na mata
Conforme mandou o meu guia
Da outra religião

E quando a pupila dilata
Eu compro na drogaria
Remédio para a hipertensão

Compro mais cerveja e batata
Minha velha visita a tia
E tem jogo da seleção

Que puta vidinha barata
Sou filho da democracia
Governista ideal cidadão.

Wasil Sacharuk

Visionário



Visionário

O instável momento precário
reluta mas pede a alforria
mas não passa de agrura
e prevalece a feroz criatura

para o ritual de todo o dia
colei uma foto no armário
ao lado do meu calendário
à esquerda dessa poesia

quero verdade mais pura
quero além da simples jura
quero uma doce rebeldia
quero toque mais refratário

nem sei se a mente depura
nem sei se tenho estrutura
nem sei se é outra mania
nem sei se me faço otário

aprendi a não ser solitário
e já sei consertar avaria
já sei cozinhar pra gastura
nem sei se a vida me atura

são as peças do meu relicário
instâncias de toda a ousadia
encantos de vã travessura
sem os toques da amargura

o que dizem que é utopia
fui buscar no meu dicionário
é um tipo de nó visionário
sa mais perfeita alegria

wasil sacharuk

Sem grilhões

Sem grilhões

Pasárgada é terra habitada
Pela paçoca das letras belas
Dos poetas sem grilhões

Eles existem aos milhões
Fugitivos de suas celas
Para a musa idolatrada

E lá não há letra calada
Sejam gritantes ou singelas
Elas dão voz aos corações

Enaltecendo as sensações
E partilhamos a luz de velas
Toda a palavra encantada.

Sacharuk

SILÊNCIO DA NOITE - Acróstico

SILÊNCIO DA NOITE - Acróstico

Solidão...

Instante fecundo
Luz na inspiração
Estático, o mundo
Na espreita, a lua
Calada e sedutora
Investindo rima crua
Ousa letra criadora

Distante do dia
A noite silencia...

Nenhuma promessa
Ouve-se na escuridão
Investe contra a pressa
Tomada pela criação
Encontro que não cessa.

Wasil Sacharuk

Manifesto do Eterno Regresso

Manifesto do Eterno Regresso

Escrito no Gita das folhas abertas
Arjuna busca as claras respostas
Indaga de Krishna o sentido da vida
A causa que força cruel e atrevida
Quem não quer ao destino dar as costas

A quem não crê evidências tão certas
A quem não abranda as feridas abertas
A quem compreenda as verdades impostas
Se o Cosmos conspira e o karma valida
Marca com Cronos a história estendida

E do homem buscar parte significativa
E do mundo cobrar as notas das contas
Se pode pagar com esforço consciente
Fechar o ponto cego que cega a mente
Das perspectivas entortadas nas pontas

Entender a desafortunada expectativa
Investigar a experiência retroativa
Elementais que trazem mensagens prontas
O passado respira a história presente
E sobrevive ao futuro tão insistente

E a vida emprestada aos pensamentos
Responde com as ações transcendentes
Que funde na vida um espírito eterno
Não existe um céu e nem mesmo inferno
Sempre tem vida nas outras nascentes

Dualidades presentes em todos momentos
Temperam os tempos com chuvas e ventos
Invencível mistério que planta sementes
Germina e cresce no jardim mais interno
No fluxo perpétuo dos dons conscientes

O que começa acaba, renasce, recobra
Noite dos tempos na penumbra dos dias
A única certeza é que existe mudança
Encontra na morte com a vida a aliança
Parceiras de dança e de muitas orgias

A cadeia de eventos refaz toda obra
A morte orienta o que a vida manobra
Nega base segura para as filosofias
Se da carne que arde renasce criança
Os registros akashicos sugerem bonança.

Wasil Sacharuk

CRISE ECONÔMICA - acróstico



CRISE ECONÔMICA - acróstico

Crise, que crise?
Ridiculariza o ministério
Investidores inseguros
Subsidiando os apuros
Esperando o revertério

Estabilidade erradicada
Comércio comprometido
Ociosidade é garantida
Não cumpre prometido
O fim da crise na nação
Manejo e planejamento
Importação à diminuição
Com maior exportação
Alavanca o crescimento.

Wasil Sacharuk

Castelo de Areia


Castelo de Areia

Se queda meu castelo de areia
Refaço com o barro a edificação
Sou como abelha na casa de mel
Sou a caneta que risca o papel

E faço o poema da alucinação
Que brota, rebenta, incendeia
A furia ardente, sangue da veia
Encontra o limite na educação

Sem palavras putanas sem veú
Sem capetas de fogo no céu
Faço poesia da minha redenção
Que grita, balança, ri e anseia

Casa de mel com a rima é cheia
Castelo de barro fiel construção
Papel e caneta que fundam o léu
Tal como areia empilha mancheia.

Wasil Sacharuk

Vento do Entendimento



Vento do Entendimento

E hoje eu quero ser vento
O sopro de vida das aves
Oriente do curso do mar
Fluir como o ato de amar
Varrer daqui atos graves

O vento do discernimento
O sopro do entendimento
Varrer o mal das conclaves
Levanta bons tempos no ar
E as aves já podem voar...

Wasil Sacharuk

Teimosia da arte

Teimosia da arte

Não há arte sem figurante
Não há arte se não lapidar
Não há arte sem coragem
No meio dessa engrenagem

Na arte que se funde no ar
Na arte que marca o instante
Na arte que marca o levante
Na arte que retumba o rufar

No meio da vida selvagem
No meio de toda mensagem
Na arte que teima em rimar
Na arte que rima instigante.

Wasil Sacharuk

Letras cruas


Letras Cruas

Donde vêm tuas letras cruas
vestidas de palavras nuas
divagando infiéis ao retrato
fundações do mundo abstrato?

Notas lindas de rimas puras
 migradas de outras culturas
o léxico que pensa emoção
versos na minha canção

A poesia na chuva dança
ventre divino da maternidade
cantiga singela de criança

Letras que gritam humanidade
no colo da esperança
dá cor de sonho à realidade.

Wasil Sacharuk

O primeiro beijo...




O primeiro beijo...

O primeiro beijo? Ah, essa pergunta!
Não lembro para te responder
Nem lembro do beijo e nem da beijada
Entendo que fico nessa encruzilhada
Sem saber o que te dizer

Eu sei que assim não se assunta
São tantas as lembranças que o tempo junta
Acontece o que tem que acontecer...

Mas eu lembro que hoje eu beijo a vida
E vejo o presente beijar minha testa
E beijo a poesia e a minha canção
E beijo os frutos da doce união
Beijo até o cachorro que me faz festa
E beijo a musa, doce, doida, atrevida.

Wasil Sacharuk

Rosa-da-prosa

Rosa-da-prosa

Era tâo pequeno
o mundo que eu via
pequeno ele era
porque longe estava
eu eu mal conseguia
cheirar as flores

Das cores das flores
ao longe apenas
uma brilhava
a rosa-da-prosa
que une os amores.

Wasil Sacharuk
novembro 2008

Areia no pé

Areia no Pé

Tem hora que é tormento
Como areia na palma do chinelo
Como areia soprada na visão

Um encontro de amigos é o momento
Com areia no pé e sol amarelo
Com areia soprada é distração.

Wasil Sacharuk

Desencosto

Desencosto

Nada está claro
em mente confusa
tal como quem olha
do poço o fundo
a fagulha não brilha
na longa espera

Mas quem acredita
jamais desespera
quem busca em si mesmo
tem o mundo
quem busca por fora
faz vista obtusa

Eis que essa dor contingente
é uma intrusa
consome ervas, rosa
e azeite vagabundo
mas conhecer a si mesmo
é o poder que revela.

Wasil Sacharuk
novembro 2008

Não conte cada hora do dia

Não conte cada hora do dia

Não conte as horas passadas
Entre as lembranças viajando
Em um passado de contemplação
Nem num futuro incerto à razão

Não conte cada hora do dia
Mas faça-as valerem a pena
Aproveite com toda alegria
Valorize a essência da cena

Ressentimentos que vão remoendo
Dos ossos das glórias esquecidas
Das histórias mortas e enterradas
Falhas previsões a semente brotando

Não conte cada hora do dia
Mas faça-as valerem a pena
E pense em quanto valeria
Vida intensa e pouco amena

Da esterilidade que brota do chão
O tempo negligenciado pede atenção
Plantando no ontem e hoje colhendo
Molhando a semente de nossas vidas

Não conte cada hora do dia
Mas faça-as valerem a pena
Tempo passa igual ventania
Em cada hora a vida acena.

Wasil Sacharuk

Alcatéia - acróstico

Alcatéia - acróstico

Lobo feroz
Confuso receio
Anjo ou algoz
Tirano trapaceiro
Estúpido atroz
Irado carniceiro
Afaste-se de nós.

Wasil Sacharuk

MENTE PLENA - acróstico

Mente Plena - acróstico

Medite expirando lentamente
Envolvido na luz dourada
Navegue para seu interior
Tente inspirar calmamente
Esteja com a mente no nada

Projete-se no plano astral
Liberte-se da densidade
Esteja envolvido na paz
No índigo chakra frontal
A mente plena é prioridade.

Wasil Sacharuk
dezembro 2008

Amor, amado pra sempre... tenho um choro calado - acróstico

Amor, amado pra sempre... tenho um choro calado - acróstico

Assim
Matas
O
Romantismo

Até
Mesmo
A
Dor
Omitida

Para
Recuperá-la
Amanhã

Sonho
Encontrar
Minha
Paixão
Resta
Esperar

Talvez
Encontre
Numa
Hora
Oportuna

Um
Meio

Como
Hoje
Ousas
Realmente
Omitir

Chorarei
Amanhã
Lágrimas
Aladas
Dizendo
Olá

Wasil Sacharuk

Poeminha da idéia

Poeminha da ideia

Nenhum projeto seria válido
não fosse a vontade vibrante
e o contexto inusitado

Cada ato é contrastado
Com uma ideia semelhante
se é igual fica pálido

de um pensamento esquálido
saem crias irrelevantes
ocorre o mesmo resultado.

Wasil Sacharuk

Poeminha mecânico

Poeminha mecânico

Ah! Sim, eu penso por mim
por mim que portanto penso
não lavo de choro meu lenço
tampouco acredito num fim

repenso em como pensar
para aprender com os erros
os cheiros ruins dos desterros
e os barcos que vi naufragar

logo, cogito ergo sum
reviro a fração de um poema
sei fragmentar um sistema
transmuto o um em nenhum

aprendi a pensar a emoção
e chorar lágrimas de poesia
mas me perco da estrela guia
se sonego o valor da razão.

Wasil Sacharuk