20/03/12

AUDIVERIMUS - Contato

Audiverimus em "Contato", de Dhenova e Sacharuk
inspirado em "Instabilidade dos Mundos", de A. Iunes
voz e texto de Dhenova
música e arranjos de Sacharuk
gravado nos estúdios Platoscave e PandoraBox
por Sacharuk, PandoraBox e Hercules
produzido por Dhenova, Sacharuk e PandoraBox
para Audiverimus Produções
do álbum Cromático Blues

Contato

Olá, Zyllion

Resolvi fazer contato

Por aqui as coisas...
estão indo bem

Tenho saudade...

tenho saudade
do jardim

tenho saudade
da cor
do tom
verde

tenho saudade
do cinza de Oggron

tenho saudade
do teu jeito
da tua cor

tenho saudade
dos sóis
do tom...
do tom do céu de Oggron

As coisas por aqui
estão bem, Zyllion

Só tenho saudade...

Adeus.

(Dhenova)

AUDIVERIMUS - Para firmar o cambicho

Poema, música e recital de Wasil Sacharuk
gravado no PandoraBox por PandoraBox e Sacharuk
produzido por Dhenova, PandoraBox e Sacharuk
para Audiverimus Produções 2010

dedicado ao poeta Decimar Biagini


Para firmar o cambicho

Chama logo o padre, bagual
e te acolhera com a prenda
tu vai de bombacha, normal
e ela vai de vestido de renda

O carancho véio fará perguntas
tu concordas com o que ele diz
de outro jeito tu não te juntas
e a gauchada quer festa feliz

Chama os viventes da cercania
escreve o convite em poesia
e dá uns tragos para o gaiteiro

E para festejar o lindo cambicho
vamos alugar o salão do bolicho
e levantar poeira um dia inteiro.

Wasil Sacharuk

AUDIV ERIMUS - Jardim Encantado

Jardim Encantado

poesia e voz de DHENOVA
música e arranjo de SACHARUK
AUDIVERIMUS é Dhenova e Sacharuk
gravado nos estúdios CASAdoSOL 2006 e PandoraBox 2009
para Audiverimus Produções
do álbum Cromático Blues
produzido por Dhenova, Sacharuk e PandoraBox
vídeo de PandoraBox

Jardim Encantado

O cravo brigou com a rosa
Debaixo daquele sol
O cravo saiu ferido

A rosa...
A rosa conheceu o girassol
Num jardim encantado
A rosa amou o girassol

O girassol amava Apolo
Apolo não amava o jardineiro

O jardineiro, a orquídea

A orquídea...
A orquídea poderia ter amado o girassol

Perto do querubim encravado na fonte da praça
Uma rosa, enroscada em si,
Admirava o girassol
Mas ele só teve olhos para o sol...

O cravo e a orquídea
A rosa e o girassol...
Foram feridos...

O querubim encravado na fonte da praça
A orquídea e o girassol
A rosa e o jardineiro
Adeus ao cravo

O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
A rosa despedaçada

Adeus à orquídea negra
Adeus ao girassol
A rosa tinha razão
Entre a orquídea, o girassol e o querubim há o céu...

O cravo ficou doente
A rosa foi visitar
O cravo teve um desmaio
A rosa pôs-se a chorar...

Dhenova

18/03/12

Sepultada na cova das sinas

Sepultada na cova das sinas

Aberta uma porta
dessas crendices
para qualquer doença
correrão tolices
e desavenças

disseram que a poesia
em algum certo dia
foi vista morta
tanto inexata
confusa e sepultada
na cova das sinas

que sobrou apenas cinzas
sobrou o nada
no viés das vias tortas
dessa vida que tenta
e retenta
mas nunca ensina

e eu e somente eu
que sou assim, meio louco
não conheço o tal deus
e nem tampouco
o fiadaputa do diabo

não temo livro sagrado
sequer tridente ou rabo
picho os muros do céu
e do inferno
num rabisco estabanado

num toque terno
de inocência
e certa demência

estou por aí tão soturno
esmagando cabeças
com meus coturnos
num passo vago
sem sentenças
ou pecados

à direita um anjo
toca trombeta
diz que a coisa tá preta
do outro lado

e um insano capeta
fazendo careta
em tom debochado
diz que porta aberta
quando fecha
sempre deixa uma brecha
donde se vê os estragos.

Wasil Sacharuk

AUDIVERIMUS - A Busca

AUDIVERIMUS em "A Busca", de Wasil Sacharuk
- AUDIVERIMUS é Dhenova & Sacharuk
- gravado nos estúdios Manzo 2005 e PandoraBox 2009
para AUDIVERIMUS Produções
- do álbum Passeio de Ogros
- video de PandoraBox 2009
- audiverimus@gmail.com - http://audiverimus.blogspot.com/

A Busca

Os cabelos estão totalmente ocultos
pelo capuz negro que revela apenas
uma pequena parte da face de pele muito branca

E ela avança pela escura ruela
banhada por uma contínua e espessa chuva
que traz a promessa de não se esgotar

As águas que caem do céu
encontram o chão de pedras,
e quando unidas ao sopro drástico do vento,
compõem um misterioso som
que se apodera do vazio noturno
A tormenta obriga a pressa dos passos

Talvez não haja mais tempo para dissuadi-lo!
Passos decididos vencem a travessia da ponte
e investem cansados contra o alto

A força supera a pressa e no frágil corpo
transparece toda a angústia e o desespero
Incontáveis passos firmes
serão ainda precisos
sobre o solo enlamaçado
que conduz ao topo

Estará ele ainda lá?

As águas que caem do céu
encontram o chão de pedras,
e quando unidas ao sopro drástico do vento,
compõem um misterioso som
que se apodera do vazio noturno
A tormenta obriga a pressa dos passos

Estará ele ainda lá?

A força supera a pressa e no frágil corpo
transparece toda a angústia e o desespero
Incontáveis passos firmes
serão ainda precisos
sobre o solo enlamaçado
que conduz ao topo

Estará ele ainda lá?

Surgindo pleno de glória da margem do precipício,
um homem abre os braços prontos a agarrar-se no mundo
e, tal como um corajoso pássaro,
desafia a grande chuva
e as alturas,
em nome da liberdade

Ao cessar das forças
a natureza se encarrega de orquestrar o ato final
Estará ele ainda lá?

AUDIVERIMUS - O Outro Lado

Baseado em "Água Viva" de Clarice Lispector
texto adaptado e voz de DHENOVA
música e arranjos de SACHARUK
gravado no PandoraBox 2009 e CASAdoSOL Studio 2006

O outro lado

E ela gritou:
Aleluia!
Outra vez.

Será que passei sem sentir para o outro lado?
O outro lado é uma vida latejantemente infernal
Entrego-me a uma pesada vida
Toda em símbolos pesados
Como frutas maduras.
Uma parte mínima do meu passado
Me mantém do lado de cá.
Ajude-me, alguma coisa se aproxima e ri de mim.
Salve-me.

Estou a salvo?

Mas ninguém pode me dar a mão
Tenho que usar a grande força
Súbito, caio enfim no lado de cá.
Deixo-me ficar jogada no chão, exausta.
Estou a salvo?

E ela gritou:
Aleluia!
Outra vez.

O outro lado, do qual escapei mal e mal,
Tornou-se sagrado
E a ninguém conto o meu segredo.
Fiz no outro lado um juramento, pacto de sangue.
O que sei fica entre mim e eu.

Sou um dos fracos?
Fraca que foi tomada por ritmo incessante e doido?
Teria ouvido o ritmo se fosse sólida e forte?
(teríamos ouvido?)

Não encontro resposta: sou.
É isto apenas o que me vem da vida.

E ela gritou:
Aleluia!
Outra vez.

Sou um dos fracos?
Fraca que foi tomada por ritmo incessante e doido?
Teria ouvido o ritmo se fosse sólida e forte?
(teríamos ouvido?)

Não encontro resposta: sou.
É isto apenas o que me vem da vida.

AUDIVERIMUS - Astrum


de Dhenova, Sacharuk e Lynne
voz de Dhenova, música de Sacharuk
gravado nos estúdios Manzo 2005 e PandoraBox 2009 para AUDIVERIMUS Produções
mix e master de Dhenova, Oggron, Sacharuk e PandoraBox
vídeo de PandoraBox
fragmentos de Vitor Hugo e Chevalier

16/03/12

Talho

Talho

Um poema de vidro
pode ser cristalino
cujo corte é fino
e doloroso
se partido

os estilhaços
e rasgos
remontam poesia
de versos e cacos
provocam engasgos
se engolidos

Wasil Sacharuk

14/03/12

Sétimo

Sétimo

Dos rústicos sentidos
desde os despertos
aos adormecidos
há um sétimo
tão cáustico
e drástico
do qual eu não sei

sou apenas humano
portanto, uma lástima
tal como os outros
para servir de consolo
vivo de enganos
e estou sujeitos às leis
dos tolos

algum sentido me faz absorto
em tom grave circunflexo
entre insights desconexos
penso falar com os mortos
monologar a minha loucura

palavras surgem obscuras
não sei se são híbridas
sequer se são puras
provém dos desígnios da noite
e relatos de bruxas

desfilam versos sem roupa
na poesia mais tímida
ou na prosa mais dura
na dor do sétimo açoite
a cortar o dorso da lua

ouço pitonisas loucas
reescrevendo o curso da vida
com promessas de cura
com mensagens urgentes
e nuas

(o sétimo carece sentido)

se solta um grito retido
que suplica pelo lume
ou qualquer sabedoria
serão apenas queixumes
no hades da poesia.

Wasil Sacharuk